
Foto: Majid Asgaripour/Wana
Na madrugada do último sábado, (21) a Força Aérea de Israel lançou um ataque contra importante instalação nuclear na província de Isfahan, central no programa iraniano. Trata-se do quinto local nuclear atingido desde o início do conflito, totalizando cinco instalações: Isfahan, Natanz, Arak, Karaj e Teerã. Fontes oficiais iranianas apontam que, até o nono dia de guerra entre os dois países, aproximadamente 430 iranianos e 25 israelenses haviam perdido a vida.
Embora ataques a instalações nucleares sejam considerados ilegais segundo o direito internacional — a Resolução 487 do Conselho de Segurança da ONU determina que qualquer agressão militar a essas instalações constitui ataque a todo o regime de salvaguardas da AIEA e ao Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP) —, Israel defende suas ações como parte de uma estratégia para eliminar supostas capacidades nucleares iranianas .
O ataque em Isfahan atingiu oficinas de produção de centrífugas — usadas para enriquecer urânio —, além de instalações de conversão para produção de UF4 e urânio metálico. O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Mariano Grossi, afirmou que no local não havia material nuclear, portanto não houve contaminação radiológica imediata. Ainda assim, ele alertou que “essas ações sistemáticas degradam fortemente a segurança nuclear do país” e destacou que, apesar de “não terem causado uma liberação radiológica que afete o público até agora, há perigo de que isso possa ocorrer” .

O temor central agora recai sobre a Central Nuclear de Bushehr, a única usina a operar com reator de água leve. A AIEA ressaltou que um ataque ao local ou a interrupção de sua alimentação elétrica poderia causar derretimento do núcleo e liberação massiva de radioatividade, exigindo evacuações em áreas que se estenderiam de algumas dezenas a centenas de quilômetros, uso de abrigos e fornecimento de iodo estável
Em Natanz, onde ocorreu um blackout, a infraestrutura elétrica foi danificada; não houve indícios de contaminação externa, mas dentro das instalações há risco radiológico e químico, especialmente de partículas alfa inaláveis, que exigem uso de máscaras especiais para proteção.
Quanto às instalações em Arak e o Centro de Pesquisa de Teerã, ainda em construção, não houve conteúdo nuclear — logo, não se espera contaminação radiológica.No entanto, Grossi ressaltou que um ataque ao reator de pesquisa de Teerã “poderia ter consequências graves, potencialmente para grandes áreas da cidade”, demandando medidas de proteção abrangentes .
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, descartou interromper o programa nuclear do país e ameaçou resposta “ainda mais devastadora” aos ataques. O risco de contaminação nuclear, embora ainda não concretizado, agrava dramaticamente o cenário diplomático e militar. A comunidade internacional — ONU, Reino Unido, França, Alemanha e países árabes — tem chamado à contenção e retornos ao diálogo, enquanto analistas alertam para a possível escalada, que poderia incluir fechamento do Estreito de Hormuz e oscilações nos preços do petróleo .

Stringer/Getty Images
Em resposta, a AIEA reforça seu apelo: ataques a instalações nucleares “nunca devem ocorrer”, pois ameaçam a eficácia das salvaguardas e põem em risco tratados internacionais como o TNP . O conflito entra numa fase crucial, em que a linha entre ataque militar e desastre nuclear torna-se perigosamente tênue. A pressão por desescalada cresce, mas tanto Israel quanto Irã parecem cada vez mais inclinados a intensificar os confrontos, com a AIEA em estado de alerta máximo.