Falha em uma grande tubulação de água afetou inicialmente até 15 mil propriedades no sudoeste de Londres e em Surrey; fornecimento começou a ser restabelecido depois que a Thames Water desviou a água para as áreas afetadas
Milhares de moradores do sudoeste de Londres começaram a segunda-feira (28) sem água nas torneiras ou com pressão muito baixa depois que uma grande tubulação se rompeu em West Molesey, Surrey, provocando uma interrupção que atingiu cinco distritos da capital e duas áreas de Surrey.
O problema afetou inicialmente até 15 mil propriedades, segundo a Thames Water. Ao longo da manhã, porém, a empresa informou que o número havia caído para cerca de 6 mil enquanto suas equipes trabalhavam para redirecionar o abastecimento.
No início da tarde, a empresa informou que havia conseguido desviar água ao redor da área afetada e que os clientes deveriam começar a ver o abastecimento retornar. Mesmo assim, a tubulação danificada ainda precisava ser reparada, e a Thames Water alertou que a pressão poderia permanecer abaixo do normal ou sofrer interrupções durante os períodos de maior consumo.
Moradores acordaram sem água e tiveram a rotina interrompida
O rompimento aconteceu durante a madrugada e afetou moradores de diferentes partes do sudoeste de Londres. Pessoas em áreas como Wimbledon, New Malden, Raynes Park, Morden e Surbiton relataram ter acordado sem água ou com pressão insuficiente.
Nas redes sociais, moradores descreveram uma manhã marcada por problemas para realizar atividades básicas.
Um dos relatos resumiu a situação de forma direta: a pessoa disse que estava sem água corrente e que queria apenas tomar banho e preparar uma xícara de chá. Outros moradores afirmaram que o problema já estava causando um impacto significativo nas comunidades afetadas.
A interrupção também afetou tarefas domésticas que dependem diretamente do abastecimento, como tomar banho, cozinhar, lavar louça e utilizar máquinas de lavar roupa.
Escolas tiveram de fechar
A falta de água também ultrapassou as residências e atingiu serviços públicos.
Algumas escolas da região foram obrigadas a suspender as atividades porque não havia abastecimento suficiente para garantir condições adequadas de funcionamento, principalmente para os banheiros e a higiene das instalações.
Entre as instituições que anunciaram o fechamento estavam Long Ditton Infant and Nursery School, Thames Ditton Infant School, Esher Sixth Form and College e Holy Cross School, em New Malden.
O impacto educacional foi uma das consequências mais imediatas do rompimento, já que a interrupção ocorreu no começo da semana, quando milhares de alunos e funcionários chegavam às escolas.
Supermercados enfrentaram corrida por água engarrafada
Com as torneiras secas em parte da região, moradores também procuraram supermercados em busca de água engarrafada.
Relatos locais indicaram que alguns estabelecimentos passaram a limitar a quantidade de garrafas que cada cliente poderia comprar, enquanto pelo menos um supermercado teria esgotado seus estoques. A situação levou moradores a formar filas em alguns pontos de venda.
A Thames Water anunciou que também abriria pontos de distribuição de água engarrafada para os moradores afetados. Enquanto isso, clientes cadastrados no Registro de Serviços Prioritários, especialmente aqueles que dependem de água por razões médicas ou de assistência, receberam entregas diretamente em suas residências.
Rompimento teria liberado 750 litros de água por segundo
A dimensão do vazamento chamou atenção durante a manhã.
Monica Harding, deputada pelo distrito de Esher and Walton, afirmou que havia recebido a informação de que a tubulação estava liberando aproximadamente 750 litros de água por segundo por volta das 6h30.
A parlamentar pediu uma resposta urgente da Thames Water e afirmou que, depois da normalização do abastecimento, seria necessário esclarecer exatamente o que havia provocado o rompimento. Harding também levantou preocupações sobre investimentos na infraestrutura e a regulamentação do setor, mas essas são avaliações políticas da parlamentar, e não uma conclusão sobre a causa do incidente.
Cinco distritos de Londres foram afetados
A interrupção atingiu áreas de Kingston upon Thames, Merton, Richmond upon Thames, Sutton e Wandsworth, além dos distritos de Elmbridge e Spelthorne, em Surrey.
Os códigos postais inicialmente informados pela Thames Water foram:
CR4, KT1, KT10, KT12, KT2, KT3, KT5, KT6, KT7, KT8, SM4, SW16, SW17, SW18, SW19, SW20, TW10 e TW16.
A dimensão geográfica do problema fez com que o rompimento tivesse consequências muito além da área imediatamente próxima à tubulação danificada.
Água voltou, mas reparo ainda não havia terminado
A Thames Water conseguiu reduzir o impacto ao redirecionar parte do abastecimento para as regiões afetadas.
Por volta das 14h, a empresa informou que todos os clientes deveriam começar a ver a água retornar às torneiras. A rede, segundo a companhia, estava “segurando bem” após o redirecionamento do fluxo.
Isso, porém, não significava que o problema estivesse completamente resolvido.
A empresa continuava trabalhando no local para avaliar os danos e preparar o reparo definitivo. A localização do rompimento e a necessidade de fabricar uma peça específica tornavam o conserto mais complexo. Até a conclusão do serviço, alguns moradores ainda poderiam enfrentar pressão reduzida ou interrupções em horários de maior consumo.
Problema expõe vulnerabilidade da rede durante um período de seca
O episódio ocorreu em um momento particularmente delicado para o sistema de abastecimento da região.
A própria Thames Water informou poucos dias antes que o verão de 2026 havia sido o mais quente já registrado no Reino Unido e que a região vinha enfrentando um dos períodos mais secos das últimas décadas. A empresa também afirmou que as condições prolongadamente quentes e secas podem deixar algumas tubulações mais suscetíveis a rompimentos.
A Thames Water disse estar reparando mais de mil vazamentos por semana, cerca de 20% acima do nível habitual, enquanto os níveis de água dos reservatórios de Londres permaneciam abaixo da média para a época do ano. Em 16 de setembro, o armazenamento dos reservatórios londrinos estava em 59%, contra uma média de 78% para o período.
Isso não significa que a seca tenha causado o rompimento em West Molesey. A causa específica da falha ainda precisava ser estabelecida.
O que ficou evidente durante a manhã de segunda-feira foi a dimensão que uma única ruptura em uma grande tubulação pode alcançar: milhares de residências sem abastecimento, escolas fechadas, moradores em busca de água engarrafada e uma operação emergencial para restabelecer o serviço antes que a interrupção se prolongasse.