Nossa vida pode mudar de um dia para o outro

Por Janice Mansur (@janice_mansur)*

Você acredita firmemente nisso? Quantas pessoas você conhece que mudaram suas vidas “da noite para o dia”, ou seja, rápida e velozmente como ensinam alguns coaches ou profissionais por aí? Todos os que eu conheço, que costumam ser sérios, têm no mínimo de 10 a 15 anos na estrada, e daí, sim, costuma-se dizer que obtiveram resultados financeiros. Mas alguém aqui garante que são tão realizados como aparentam ser?

Quem já ouviu falar em pessoas de sucesso com vidas conturbadas, relacionamentos destruídos, sofrendo de toda sorte de doenças e infelizes? Conheci uma dessas “megaempresárias”, que hoje, só depois de ter se tornado “famosa”, confessou que realizava seus primeiros cursos online de dentro de um quarto mínimo onde dormia com seu filho. Algum demérito nisso? Claro que não, ao contrário, talvez esse seu esforço esteja sendo recompensado com muitos alunos, mas por que ter dito que já havia ajudado “centenas de milhares de pessoas” à época, quando mal iniciava?

Muitos têm milhões em dívidas porque vivem fora de seu padrão na intenção de sustentar o luxo das aparências. Às vezes, nem obtiveram ainda o sucesso esperado na área e fingem que sim para ver se convencem mais compradores para seus cursos e produtos. A propaganda e o marketing geram bilhões de lucro para alguns empobrecendo outros que acreditam que basta comprar um curso de oratória ou outro qualquer para ficar “rico” subitamente. Quando, na verdade, há geralmente um esforço hercúleo por trás das pessoas que estão por aí crescendo e se desenvolvendo. Então, por que haver tão grande minimização das ações em prol de convencer o outro a seguir por esses caminhos? Por que a intenção de fazer as pessoas crerem que chegar a mesma posição que outra pessoa ocupa, pode fazê-la realizada ou feliz? Essa é a sociedade que querem nos vender: a sociedade do espetáculo. Todavia, cada qual é único. E o que é bom para mim nunca será bom para você também. Concorda?

Há aquelas pessoas que iniciaram uma carreira, mas optam ou são “lançadas” para outra profissão pela qual se apaixonam, e isso é muito mais frequente do que se imagina. Conheço pessoas que fizeram até 3 faculdades para se engajar depois em algo que lhes fizesse sentido, pois sucesso não significa ter dinheiro, mas várias outras coisas, como realização, por exemplo. Podemos citar a atriz Lidia Brondi, esposa de Cassio Gabus Mendes, que abandonou a TV e a mídia para dedicar seu tempo à psicologia. Se você fizer uma pesquisa, encontrará outras. Essas pessoas estão à busca de si mesmas e de irem sendo o melhor possível para elas e seus próximos. Estão buscando uma vida mais leve, mais autêntica, liberta do preconceito e do impositivo social que tenta nos escravizar.  Algum problema em querer ser rico, em ter dinheiro, em alcançar com seu trabalho uma posição mais cômoda economicamente na vida? Ninguém aqui pensa isso. O que estou querendo dizer é simples: não se compare nem deprecie seu valor, ou seja, não queira ser igual a ninguém para alcançar algum lugar que ache razoável para estar.

Quanto tempo da sua vida você gasta se comparando com os outros

ou querendo ser outra pessoa?

Tudo na vida requer certa porção de esforço, às vezes mais, às vezes menos. Mas não há mágica nem receita de bolo. É devagar que as coisas acontecem, com perseverança e disposição. Com altos e baixos, e cada qual no seu ritmo. Se algumas pessoas aparentemente vão “ao pódio” com mais velocidade que outras há vários fatores para isso, como: tempo investido, network, ajuda financeira, marketing, entre outros. Nossa sociedade narcísica e os “influenciadores” atuais, forjados pela compra de seguidores e quantidade de likes, que mal sabem o que é melhor para si mesmos, ficam ditando regras de como agir e o que fazer, dando impressões falsas para alguns que acreditam e minimamente pensam com o próprio cérebro. Digo isso porque creio sinceramente que alguns só “pensam” com o cérebro alheio. Pessoas que não estão a fim de “esquentar” a cabeça com refletir. Muitos só querem mesmo que tudo venha pronto, quase mastigado. Por isso a televisão faz tanto sucesso, há propagandas massivas para consumir cada vez mais supérfluos, produtos acessórios, apesar de milhares não terem grana para pôr o de comer na mesa. Os programas com BBB, no Brasil, e outros espalhados pelo mundo expandem esse modo de viver como se fosse o único e correto. O mundo é o lugar onde se disputa e se consome, e se descarta. E isso é um dos fatores de adoecimento constante.

Então, acompanhando aqui meu raciocínio, você pode perceber o quanto é complicado refletir e principalmente pensar “fora da caixa”, como se diz hodiernamente. Há que se ter uma dose a mais de amor-próprio, tolerância com nossas fraquezas ou problemas que enfrentamos. Entender que tudo caminha no nosso ritmo, sem atropelos, faz com que possamos reconhecer que estamos em processo permanente rumo a nosso crescimento, amadurecimento e bem-estar. As aparências escondem pessoas bem-vestidas, glamorosas e inseguras, manipuladas pelo sistema, reproduzindo sem parar o que lhes é imposto, enaltecendo o que veem e escutam sem condições de pensar por si próprias. E penso, aqui dentro de minhas limitações também, que é extremamente necessário buscar outros caminhos para a sociedade. Nesse ponto, enfatizo que a literatura salva, a arte cura e a reflexão sobre novas formas de agir, ser e estar no mundo podem nos auxiliar a sair dos esquemas cristalizados de ser dar bem na vida, ser feliz ou fazer sucesso.

Como sair dessas armadilhas do mundo?

Penso que se fortalecermos nosso aparelho de pensar, mergulhando mais fundo do que ficando no raso de nossa inconsciência das coisas do mundo e do que vai dentro de nós mesmos, poderemos romper com a massificação, com a imitação de atitudes e comportamentos nocivos à vida emocional e psíquica. Somos seres singulares e insubstituíveis, e não dá para sermos “iguais”, embora sejamos semelhantes. Para conquistarmos uma forma de pensar que saia do lugar comum podemos começar nos conhecendo, com uma boa psicoterapia, claro! Além disso, é necessário ocupar a mente com boa leitura, passeios culturais e ao ar livre, companhias interessantes e inteligentes, que se preocupam com o que está acontecendo no mundo e querem colaborar na construção de um melhor, mais saudável, mais humano.

Aqui em Londres, há um grupo, do qual fui convidada a fazer parte, que está preocupado em ampliar as formas de pensar o mundo. Assim, convido você também para irmos juntos conhecê-los no Instagram @artshout_art   ou em breve no site em construção www.artshout.art. Preciso lembrar ainda que haverá um TOUR LITERÁRIO, no dia 28 de maio (último sábado), das 11 às 13h30 que acontecerá com uma oficina ministrada pela escritora Sueli Lopes sobre “A função social da literatura”, cujo material impresso será disponibilizado gratuitamente. Para participar basta tomar um café ou brunch no pub The Betjeman Arms em St. Pancras, onde terá início essa jornada.

Então, bora curtir um passeio juntos num clima ótimo para pensar?

Obrigada por ter sido minha companhia até aqui.

* Janice Mansur é escritora, professora, revisora de tradução,

criadora de conteúdo e psicoterapeuta  (atendendo online).

Canal do Youtube: BETTER & Happier Instagram: @janice_mansur

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