Um solicitante de asilo afegão foi condenado a nove anos e meio de prisão no Reino Unido após ser considerado culpado por estuprar uma adolescente de 13 anos em Nottingham, depois de fingir ser um menor de idade em uma rede social. O caso reacendeu o debate sobre proteção de crianças na internet e os mecanismos de controle migratório para estrangeiros condenados por crimes graves.

Abdul Khan, que, segundo a Justiça britânica, tem aproximadamente 28 anos, foi sentenciado nesta segunda-feira pelo Tribunal da Coroa de Nottingham por duas acusações de estupro, além de crimes relacionados a atividade sexual com menor de idade, comunicação sexual com criança, encontro após aliciamento virtual (grooming) e tentativa de obstrução da Justiça.

Engano pela internet e encontro em reserva natural

Durante o julgamento, que durou quatro dias, o tribunal ouviu que Khan utilizou o aplicativo Snapchat para se apresentar à vítima como um adolescente de 14 anos. O encontro ocorreu em uma área de reserva natural em Clifton, Nottingham, em maio do ano passado.

Quando a jovem percebeu que o homem não correspondia à idade informada, ele teria alegado ter 16 anos, tentando manter a confiança da vítima. Posteriormente, segundo o veredicto do júri, Khan cometeu dois estupros.

A adolescente relatou os fatos ao pai, que procurou a polícia. A investigação levou os agentes até Khan após a análise de um telefone celular apreendido em outro caso, relacionado a contatos do acusado com uma criança em Derbyshire.

Mesmo diante de provas genéticas e digitais, o réu continuou negando ter encontrado a vítima, além de contestar sua própria identidade e idade durante todo o processo judicial.

“Comportamento predatório”, diz polícia

Ao anunciar a sentença, o juiz Mark Watson afirmou que o acusado ocultou deliberadamente sua verdadeira identidade para enganar a adolescente.

A polícia de Nottinghamshire classificou Khan como um “agressor oportunista e predatório”, destacando que ele já cumpria uma pena anterior por comunicação sexual com outra menor de idade em Derbyshire.

Os investigadores afirmaram que o caso demonstra a importância da vigilância sobre práticas de aliciamento virtual (grooming), nas quais adultos se passam por adolescentes para ganhar a confiança de crianças e adolescentes pela internet.

Deportação automática após cumprimento da pena

O tribunal informou que Khan chegou ao Reino Unido em 2015, escondido na traseira de um caminhão, e que, devido à gravidade das condenações, estará sujeito à deportação automática para o Afeganistão após cumprir o período legal de sua pena.

Além da prisão, o condenado foi incluído de forma permanente no registro de criminosos sexuais do Reino Unido, o que impõe restrições e monitoramento contínuo por parte das autoridades.

Impacto sobre a vítima

Em declaração lida no tribunal, a adolescente afirmou que passou a sentir medo e dificuldade para confiar nas pessoas após o crime. Segundo a promotoria, a jovem continua sofrendo com lembranças traumáticas e episódios de angústia relacionados ao ocorrido.

O caso volta a colocar em evidência os riscos do contato entre menores e desconhecidos nas redes sociais, reforçando os alertas das autoridades britânicas sobre a necessidade de supervisão familiar, educação digital e denúncias rápidas diante de comportamentos suspeitos.

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