O governo de Andy Burnham intensifica o plano para encerrar o uso de hotéis como alojamento temporário para solicitantes de asilo, enquanto os deslocamentos para moradias compartilhadas e antigas instalações militares alimentam um novo debate político e social.

O governo britânico acelerou em 2026 a estratégia para eliminar os hotéis utilizados como alojamento temporário para solicitantes de asilo na Inglaterra e no País de Gales.

Desde o início do ano, 44 unidades já foram fechadas, incluindo 13 encerramentos recentes em cidades como Blackpool, Nottingham, Norwich, Bradford e Wolverhampton, além do Staycity Apartments Deptford Bridge, em Lewisham, no sudeste de Londres. Com isso, o número de hotéis ainda em funcionamento caiu para menos de 160.

O fechamento dessas unidades, no entanto, não significa que os moradores sejam obrigados a deixar o Reino Unido. Pessoas cujos pedidos de asilo ainda estão em análise são transferidas para outros locais, dando início a uma nova etapa da disputa sobre o sistema britânico de acolhimento.

Para onde vão os solicitantes de asilo?

Os deslocamentos muitas vezes são comunicados com pouca antecedência. Os solicitantes podem ser encaminhados para moradias compartilhadas conhecidas como HMO, sigla em inglês para casas ocupadas por vários moradores, além de antigas instalações militares ou outros hotéis.

Em muitos casos, as transferências significam viagens de centenas de quilômetros. A mudança pode interromper vínculos comunitários, acompanhamento jurídico e processos de aprendizagem do idioma construídos ao longo de meses.

Diante da escassez de imóveis capazes de absorver toda a demanda, o governo também passou a apostar na adaptação de antigas instalações militares.

Complexos como Wethersfield e Crowborough já operam próximos do limite, enquanto estão previstas novas estruturas em locais como RAF Linton-on-Ouse, RAF Barnham e Bicester Garrison, destinadas a receber milhares de pessoas.

Um dos casos mais controversos está em North Yorkshire. O plano de acomodar 1.250 homens na RAF Linton-on-Ouse provocou forte oposição de autoridades locais e moradores.

Governo busca reduzir o custo do sistema

A mudança também tem uma forte motivação econômica.

Manter uma pessoa em um hotel custa aproximadamente £144 por noite, enquanto o valor cai para cerca de £23,25 por semana em uma moradia compartilhada do tipo HMO.

Apesar da economia potencial no longo prazo, a National Audit Office, órgão independente responsável por fiscalizar os gastos públicos, alertou para o alto investimento inicial necessário para adaptar as antigas instalações militares.

O governo argumenta que a redistribuição também é necessária para equilibrar a responsabilidade pelo acolhimento entre diferentes regiões do país.

Atualmente, os solicitantes de asilo representam cerca de 0,29% da população nas áreas mais desfavorecidas, contra 0,05% nas regiões mais ricas.

A ministra da Imigração, Anna Turley, reconheceu que a concentração de solicitantes de asilo em comunidades mais vulneráveis contribuiu para o aumento das tensões e de episódios de distúrbios civis. Para ela, é necessário buscar uma distribuição territorial mais equilibrada.

Hotéis devem desaparecer até o fim da legislatura

O governo mantém o compromisso de eliminar completamente o uso de hotéis para acomodação de solicitantes de asilo antes do fim da atual legislatura.

A estratégia, porém, não encerra o debate sobre a política migratória britânica. Em vez disso, desloca o foco da discussão: de hotéis localizados principalmente em centros urbanos para moradias compartilhadas, antigas bases militares e comunidades rurais que agora passam a receber parte dessa população.

O desafio para o governo será reduzir os custos e o número de hotéis sem simplesmente transferir as pressões do sistema para novas localidades — e sem ampliar ainda mais as tensões sociais em torno da política de asilo.

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