Autoridade afirma que o local não é seguro para pessoas vulneráveis nem para o público, enquanto a instituição responsável nega as acusações e denuncia obstáculos para continuar distribuindo alimentos.
Uma organização beneficente que oferece refeições quentes, roupas e sacos de dormir para pessoas em situação de rua em Charing Cross, no centro de Londres, corre o risco de ter suas atividades interrompidas após uma intervenção do Conselho de Westminster.
A Friends of Essex & London Homeless, conhecida como FOELH, realiza semanalmente uma ação no local, onde voluntários distribuem comida e outros itens essenciais. Segundo a organização, porém, o conselho municipal vem impondo uma série de exigências que estariam tornando cada vez mais difícil manter o trabalho.
O fundador da instituição, Steven Stuart, afirmou que as constantes reclamações e novas exigências podem obrigar a entidade a suspender as atividades.
Conselho questiona segurança e concentração de pessoas
O Conselho de Westminster, controlado pelo Partido Conservador, enviou agentes responsáveis pela fiscalização ao local e advertiu que a cozinha comunitária não poderia continuar funcionando nas condições atuais.
Entre as preocupações apresentadas estão o acúmulo de lixo, o barulho e a concentração de pessoas em uma área considerada limitada.
Phil Jones, voluntário da FOELH, afirmou que a organização recebeu uma notificação informando a intenção do conselho de impedir o funcionamento da cozinha comunitária semanal.
Segundo ele, a justificativa relacionada ao lixo não seria válida, pois os voluntários recolhem os resíduos e deixam o espaço limpo após a distribuição das refeições.
Stuart, por sua vez, afirmou que a instituição vem enfrentando obstáculos cada vez maiores para manter o atendimento às pessoas vulneráveis que dependem da ação.
Entre as exigências estaria uma possível multa de £500 relacionada ao estacionamento do veículo utilizado para transportar e distribuir os alimentos. A organização também foi orientada a obter uma licença para descarte de resíduos, considerada cara para uma instituição mantida exclusivamente por voluntários.
Apesar dos questionamentos, a FOELH decidiu obter o certificado para garantir que suas atividades permanecessem dentro das exigências estabelecidas.
Voluntários dizem ter se sentido intimidados
Stuart também afirmou que agentes do conselho chegaram ao local em diversas ocasiões acompanhados por policiais e profissionais de segurança para questionar a operação.
Segundo ele, a presença das equipes, pela quantidade de agentes e pela forma como as abordagens ocorreram, teria sido desproporcional diante da natureza do trabalho realizado pela instituição.
A organização propôs ao conselho a criação de autorizações específicas para instituições beneficentes, indicando previamente os dias e locais em que cada uma poderia atuar.
A ideia, segundo Stuart, seria estabelecer regras claras para que os voluntários pudessem continuar trabalhando sem serem surpreendidos por novas exigências.
Conselho diz que local não é seguro
O Conselho de Westminster defende uma versão diferente da situação.
Em comunicado, a autoridade reconheceu que cozinhas comunitárias podem prestar um serviço importante, mas afirmou que essas iniciativas precisam ser cuidadosamente administradas e garantir a dignidade das pessoas vulneráveis e a segurança do entorno.
Segundo o conselho, várias cozinhas comunitárias estariam funcionando simultaneamente no mesmo local, provocando a concentração de grandes grupos de pessoas vulneráveis em um espaço considerado pequeno.
A autoridade também afirmou que essa situação poderia atrair traficantes interessados em explorar a vulnerabilidade das pessoas atendidas.
Além disso, o conselho disse ter recebido reclamações de moradores sobre comportamento antissocial, descarte de lixo e criminalidade em Charing Cross durante o funcionamento das cozinhas.
“Atualmente, o local não é seguro para aqueles que utilizam o serviço nem para o público em geral”, afirmou o conselho.
Westminster endurece postura em relação à população em situação de rua
O conflito ocorre em meio a uma política mais rigorosa do Conselho de Westminster em relação à presença de pessoas em situação de rua em determinadas áreas da região central de Londres.
A vice-líder do conselho, Caroline Sargent, afirmou anteriormente que moradores e empresas estariam cansados de ver locais de concentração de pessoas em situação de rua surgirem em Westminster.
A declaração evidencia o choque entre duas abordagens: de um lado, organizações voluntárias que defendem a necessidade de manter pontos de distribuição de alimentos e assistência; de outro, a autoridade municipal, que afirma estar preocupada com segurança, criminalidade, lixo e impactos sobre moradores e comerciantes.