Conformismo versus espìrito crítico

O poder político-económico instrumentaliza a ciência e a mídia

Por António da Cunha Duarte Justo*

O mundo que temos não merece que nos adaptemos a ele, pelo que urge procurar novos caminhos! Por um lado, os bons espíritos abandonaram as nossas elites, por isso elas se servem da pressão criada nas massas e do Zeitgeist que as encandeia…

De facto, se observarmos a opinião publicada e reportagens televisivas nota-se nelas uma monotonia de pontos de vista e falta de pluralidade de abordagens e de controvérsia nos seus resultados…

A escolha controlada de actores a aparecerem em programas de TV ou de entrevistados na imprensa, chegou a um ponto de confundir ciência e peritos com apoiantes de informações fornecidas…

Assim leva-se o povo a confundir objectividade ou ciência com as informações transmitidas. Em nome da crise atual, assiste-se a uma proibição inerente ao que fomente pluralidade de opinião e controvérsia saudável.

A ciência e os meios de comunicação social, mais que mobilizados ao serviço da liberdade, funcionam ao serviço da justificação de agendas políticas.

A verdadeira ciência serve à democracia, mas não segue princípios democráticos previamente determinados porque se sente comprometida com a razão; as ciências humanas procuram muitas vezes orientar os fatos no sentido de uma decisão ou de formar opinião.

Também as universidades estão cada vez mais sujeitas ao assalto por forças que lhe deveriam ser estranhas e, assim, muitos cientistas transformam-se em almeidas da estrada da política e economia, outros em cães de guarda do rebanho que não deve demarcar-se da estrada e dos desígnios de uma política ávida de conformismo.

De facto, é de observar que até já as universidades perdem, cada vez mais, a universalidade de visão e a liberdade de espírito, uma vez que a sua investigação está sobretudo dependente das vontades política e económica! Por outro lado, toda a disciplina científica tem os seus limites de conhecimento.

Problemas ou sistemas complexos requerem diferentes modelos causais e diferentes explicações. Toda a priorização ou preferência de medidas encurta a realidade!

Ao seguirmos o culto do conformismo, aceitaremos também o que é imoral e indecente. Embora tenhamos herdado de Pilatos a opinião de seguir a disposição da multidão não podemos esquecer que estamos chamados à liberdade (luta contra a inércia da entropia).

Se observamos o desenvolvimento da política e da igreja encontramos sempre não conformistas a desbravar-lhes o caminho. A opinião maioritária pode ser perigosa porque impede a fuga, anseia pelo hábito, pondo-nos a caminho da entropia. Paulo aos Romanos 12,2 dizia ” Não sejais como o mundo, em vez disso transformai-vos pela renovação da vossa mente.” A mudança não é fácil porque é processo à imagem do ferimento na massa.

É natural que em todos os regimes, os media do sistema procurem criar um clima imune à crítica porque pretendem cidadãos de cérebro penteado ao gosto do regime.

Na crise contemporânea a que assistimos, seja ela a do Corona Vírus seja a da crise geoestratégica em jogo na Ucrânia, as elites políticas conseguiram imunidade contra a crítica.

Toda a realidade tem, pelo menos, duas faces. O facto de se olhar para uma face não necessita a negação da outra. Naturalmente a face que indica os números poderá ter mais relevância. Também não será o olhar uma ou outra face o que determinará a malignidade do olhar. A realidade é a-perspectiva e passa a ser narrativa ao tentar ser limitada a uma perspectiva perceptada como objectiva.

Hoje mais que nunca é importante manter o guarda chuva bem aberto, dado a guerra da informação produzir ventanias vindas do Oriente e do Ocidente que trazem consigo muita chuva ácida!

* António da Cunha Duarte Justo é teólogo e pedagogo. Leia o texto completo e notas em Pegadas do Tempo, https://antonio-justo.eu/?p=7541

Algumas perguntas talvez inoportunas

Serão umas bombas mais humanas que as outras?

Qual é a bomba mais patriótica para matar?

Que lei dos povos nos obriga a apoiar a Ucrânia?

Fará sentido apoiar guerras onde pessoas morrem e são desalojadas?

De que Urânia e de que ucranianos se fala quando se bombardeiam cidadãos de etnia russa e ucraniana em diferentes regiões?

Por que bombardeia a federação russa e por que bombardeiam estados da Nato?

Por que devemos ajudar os EUA a desestabilizar a região?

Por que é que os EUA não reconhecem o Tribunal Internacional de Justiça?

Qual a razão de grandes potências não reconhecerem cometer crimes de guerra?

Por que tanto investimento em políticas de guerra e tão pouco em políticas de paz?

Não será a política de asilo um meio de justificar a guerra, a expulsão e a venda de armas?

Por que vendemos armas aos grandes dos Estados e por outro lado recebemos os pequenos que fogem delas?

Por que são os refugiados distribuídos também pelos países que não vendem armas?

Têm os europeus o direito de envolver outros povos na guerra?

Por que é que a Nato não ajudou o Portugal da Nato na guerra da Guiné?

Quem vai pagar a factura da guerra na Ucrânia?

Quem beneficia com isto?

Não estaremos nós a apoiar uma política cínica e hipócrita?

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