Ação coordenada ocorreu em 24 propriedades de Londres e outros quatro condados; investigação envolve suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão fiscal, falsificação contábil e crimes violentos.
Mais de 800 policiais participaram, na manhã desta terça-feira, 29 de setembro, de uma grande operação contra um suposto grupo criminoso organizado no Reino Unido. Ao todo, 17 pessoas foram presas durante buscas realizadas simultaneamente em 24 propriedades de Londres e de outros quatro condados da Inglaterra.
A operação foi conduzida pela Polícia Metropolitana em parceria com a Receita e Alfândega de Sua Majestade e a Autoridade de Conduta Financeira. A investigação, que já dura vários meses, concentra-se em suspeitas de criminalidade organizada e crimes financeiros relacionados, incluindo lavagem de dinheiro, evasão fiscal e falsificação contábil.
As buscas continuam em algumas das propriedades, e a polícia prevê manter uma presença significativa nas áreas envolvidas durante os próximos dias.
Policial é esfaqueado durante operação em Cockfosters
Um dos momentos mais graves ocorreu em Cockfosters, no norte de Londres.
Um policial da Polícia Metropolitana foi esfaqueado na perna enquanto cumpria um mandado de busca em uma das propriedades investigadas. Colegas prestaram os primeiros socorros no local antes que paramédicos o levassem ao hospital.
Segundo a Polícia Metropolitana, os ferimentos foram avaliados como não ameaçadores à vida. A corporação afirmou que dará suporte ao agente durante sua recuperação.
Um homem de 56 anos foi preso sob suspeita de causar lesões corporais graves em conexão com o ataque ao policial. Ele também é investigado por participação em organização criminosa, lavagem de dinheiro, evasão fiscal, falsificação contábil e por não comunicar suspeitas de lavagem de dinheiro.
Buscas ocorreram em cinco regiões
Embora a operação tenha sido coordenada pela Polícia Metropolitana, as ações não ficaram restritas à capital britânica.
As equipes realizaram buscas em endereços localizados em:
- Londres;
- Essex;
- Hertfordshire;
- Cambridgeshire;
- Suffolk.
Ao todo, foram 24 propriedades alvo dos mandados. A dimensão da operação reflete a tentativa das autoridades de atingir simultaneamente diferentes pontos da estrutura investigada, inclusive possíveis componentes financeiros do grupo.
A polícia informou que as buscas ainda estavam em andamento e que novas informações poderão ser divulgadas à medida que a investigação avance.
17 pessoas foram presas
Os suspeitos têm entre 26 e 65 anos e são investigados por diferentes tipos de crime.
Entre os casos divulgados pela polícia está o de um homem de 65 anos, suspeito de participação em organização criminosa, conspiração para causar lesões corporais graves, lavagem de dinheiro e evasão fiscal.
Uma mulher de 31 anos foi presa por suspeita de conspiração para causar lesões corporais graves e participação em organização criminosa.
Outro homem, de 47 anos, é investigado por participação em organização criminosa, lavagem de dinheiro, falsificação contábil, evasão fiscal e possível violação do Regulamento de Lavagem de Dinheiro, Financiamento do Terrorismo e Transferência de Fundos de 2017.
Outros suspeitos foram presos por combinações diferentes de acusações relacionadas a participação em organização criminosa, lavagem de dinheiro, evasão fiscal e falsificação contábil.
A Polícia Metropolitana ressaltou que os procedimentos estão agora ativos e pediu cautela na divulgação de informações que possam prejudicar eventuais processos judiciais.
Investigação financeira acompanha o dinheiro
Um dos principais aspectos da operação é a tentativa de identificar como o dinheiro supostamente obtido de atividades criminosas teria circulado pelo sistema financeiro.
A investigação reúne especialistas da Polícia Metropolitana, da Receita e Alfândega de Sua Majestade e da Autoridade de Conduta Financeira.
Como parte da operação mais ampla, a Autoridade de Conduta Financeira informou que interrompeu as atividades de sete empresas e mantém outras 30 sob investigação.
A atuação do órgão regulador busca identificar empresas ou estruturas utilizadas para movimentar ou ocultar recursos que possam estar relacionados a atividades criminosas.
Polícia diz que investigação levou meses
A Polícia Metropolitana descreveu a investigação como um trabalho complexo, que exigiu meses de preparação antes das prisões desta terça-feira.
Segundo a corporação, as operações contra organizações criminosas não se limitam à identificação de seus integrantes. Os investigadores também procuram estabelecer conexões entre os responsáveis pela estrutura, os responsáveis pela movimentação financeira e outras pessoas que possam participar das atividades criminosas.
A polícia afirmou que a criminalidade organizada pode produzir efeitos que vão além dos integrantes mais importantes das organizações, incluindo violência grave e exploração de pessoas nas comunidades afetadas.
“Essas prisões representam um ponto significativo nesta investigação”, afirmou um porta-voz da Polícia Metropolitana. Segundo ele, a corporação continuará reunindo provas para impedir que organizações criminosas operem livremente em Londres.
Receita e regulador financeiro participam da operação
A participação da Receita e Alfândega de Sua Majestade e da Autoridade de Conduta Financeira demonstra a dimensão econômica da investigação.
A Autoridade de Conduta Financeira afirmou que o combate aos crimes financeiros exige cooperação entre diferentes órgãos de fiscalização e segurança. O órgão informou que continuará trabalhando com a polícia para identificar e interromper estruturas criminosas que utilizem o sistema financeiro para lavar dinheiro.
A Receita e Alfândega de Sua Majestade também destacou a importância da colaboração com outras autoridades no combate à criminalidade organizada, incluindo suspeitas de lavagem de dinheiro e outras atividades criminosas.
Investigação continua após as prisões
As 17 prisões representam uma etapa importante da investigação, mas não encerram o caso.
Os policiais continuam examinando as propriedades registradas e o material eventualmente apreendido durante as buscas. Paralelamente, a investigação financeira sobre as empresas relacionadas ao caso poderá produzir novos elementos.
A Polícia Metropolitana também não descarta novas medidas à medida que os investigadores analisarem as informações coletadas durante a operação.
Por enquanto, as autoridades confirmaram 17 prisões, 24 propriedades alvo de buscas, a participação de mais de 800 policiais e a investigação de uma estrutura suspeita de envolvimento em crimes organizados e financeiros.
O caso permanece em fase investigativa, e as suspeitas atribuídas aos detidos ainda deverão ser examinadas pelas autoridades competentes.