Uma manifestação em apoio aos palestinos terminou com várias detenções em Londres neste sábado, 10 de outubro, após participantes serem suspeitos de danificar o memorial da Batalha da Grã-Bretanha, monumento dedicado aos aviadores que defenderam o Reino Unido durante a Segunda Guerra Mundial. A Polícia Metropolitana também deteve duas pessoas por suspeita de demonstrar apoio à organização Palestine Action, proibida pelas autoridades britânicas.

Milhares de pessoas participaram da marcha pelo centro da capital, organizada pela Coalizão Palestina, enquanto um ato contrário, promovido pelo grupo Stop The Hate, reuniu cerca de 30 manifestantes nas proximidades da sede da Polícia Metropolitana, conhecida como New Scotland Yard. Houve momentos de tensão entre policiais e participantes, além de confrontos verbais entre manifestantes pró-palestinos e integrantes do protesto contrário.

A manifestação ocorreu três dias depois do terceiro aniversário dos ataques liderados pelo Hamas contra Israel, em 7 de outubro de 2023. O episódio, que deixou cerca de 1.200 mortos em Israel e levou ao sequestro de mais de 250 pessoas, desencadeou a guerra na Faixa de Gaza. Desde então, a ofensiva israelense provocou dezenas de milhares de mortes palestinas, segundo as autoridades de saúde de Gaza.

Detenções após incidente em memorial

De acordo com a Polícia Metropolitana, alguns manifestantes subiram no memorial da Batalha da Grã-Bretanha, localizado na Victoria Embankment, às margens do rio Tâmisa. A polícia deteve pessoas sob suspeita de dano criminal ao monumento e afirmou que agentes também estavam analisando imagens divulgadas nas redes sociais para identificar possíveis outras infrações.

Em uma atualização publicada no sábado, a corporação informou que havia detido uma mulher e um homem que portavam cartazes manifestando apoio à Palestine Action. A organização foi proibida pelo governo britânico em julho de 2025, e demonstrar apoio a ela pode configurar crime de acordo com a legislação antiterrorismo do país.

Relatos publicados pela imprensa britânica no domingo indicaram que o número total de detenções chegou a 20. Entre os casos mencionados estavam seis pessoas suspeitas de dano criminal ao memorial, duas por cartazes de apoio à Palestine Action, uma mulher investigada por uma possível infração de natureza racial após supostamente fazer uma saudação nazista e uma pessoa suspeita de agredir um policial. As circunstâncias e os enquadramentos individuais ainda dependem da investigação policial.

As autoridades também informaram que estavam avaliando outros vídeos que poderiam registrar infrações. Uma detenção, por si só, não significa que a pessoa tenha sido formalmente acusada ou considerada culpada.

Polícia impôs condições à marcha

Antes do evento, a Polícia Metropolitana anunciou medidas especiais para controlar o percurso e reduzir o risco de perturbações graves à população. A corporação estimou que entre 7 mil e 10 mil pessoas poderiam participar das manifestações.

Os organizadores receberam instruções para conduzir a marcha por um trajeto específico, passando pela Victoria Embankment, pela Ponte de Westminster, pela York Road, pela Ponte de Waterloo e pela Strand, até chegar a Whitehall, onde estava previsto o ato final. A reunião deveria terminar até as 18h30.

A polícia também estabeleceu regras sobre o uso de máscaras e outras coberturas faciais. Com base nos poderes previstos na legislação britânica, os agentes poderiam exigir que participantes retirassem esses itens quando houvesse motivos para acreditar que estavam sendo usados principalmente para ocultar a identidade. A recusa em cumprir a ordem poderia resultar em detenção.

Carl Galvin, subcomissário-adjunto responsável pela operação policial, afirmou antes da marcha que a proximidade com o terceiro aniversário dos ataques de 7 de outubro poderia aumentar o impacto do evento sobre diferentes comunidades de Londres.

Segundo ele, o objetivo era preservar o direito à manifestação pacífica, proteger a segurança pública e agir diante de possíveis crimes. A corporação também havia mantido contato com os organizadores e com representantes de comunidades, grupos religiosos, moradores e comerciantes da região.

Manifestantes marcharam até Whitehall

Os participantes se reuniram ao meio-dia na região da Embankment. Muitos usavam lenços palestinos tradicionais, conhecidos como keffiyehs, e alguns carregavam bandeiras palestinas. O grupo seguiu em direção a Whitehall, área central de Londres que concentra edifícios governamentais e fica próxima ao Parlamento britânico.

Durante o percurso, manifestantes passaram por um pequeno grupo contrário à marcha. Houve gritos e provocações entre os dois lados, enquanto policiais acompanhavam a movimentação e tentavam manter os grupos separados.

A Coalizão Palestina, responsável pela organização, reúne entidades como a Palestine Solidarity Campaign, a Stop the War Coalition, a Campanha pelo Desarmamento Nuclear, a Associação Muçulmana da Grã-Bretanha, a Friends of Al Aqsa e o Fórum Palestino na Grã-Bretanha. A coalizão promove manifestações em defesa dos palestinos e exige mudanças na política britânica em relação a Israel.

O ato contrário foi organizado pelo Stop The Hate e ocorreu nas proximidades da sede policial. A presença dos dois grupos levou as autoridades a preparar medidas específicas para reduzir a possibilidade de confrontos e perturbações no centro da capital.

Guerra em Gaza continua no centro dos protestos

A manifestação ocorreu em um momento de forte tensão política e social no Reino Unido, onde os protestos relacionados à guerra em Gaza têm mobilizado milhares de pessoas desde outubro de 2023. Os participantes defendem diferentes medidas, incluindo o fim das operações militares israelenses, a proteção dos civis palestinos e a suspensão das vendas britânicas de armas a Israel.

Os ataques liderados pelo Hamas em 7 de outubro de 2023 mataram cerca de 1.200 pessoas em Israel, em sua maioria civis, e resultaram no sequestro de mais de 250 pessoas. A campanha militar israelense lançada em resposta provocou uma destruição extensa na Faixa de Gaza e um elevado número de mortes e deslocamentos entre a população palestina.

Segundo dados do Ministério da Saúde de Gaza citados pela imprensa britânica, o número de palestinos mortos no conflito havia ultrapassado 74 mil até setembro de 2026. O balanço é divulgado pelas autoridades de saúde locais, ligadas à administração liderada pelo Hamas, e integra o contexto humanitário que tem alimentado as manifestações internacionais.

A Polícia Metropolitana afirmou que a maioria dos participantes das grandes marchas organizadas pela Coalizão Palestina se manifesta de maneira pacífica e dentro da lei, embora uma minoria tenha sido investigada ou detida em eventos anteriores por suspeita de crimes relacionados a discurso de ódio, perturbação da ordem pública ou apoio a organizações proibidas.

As investigações sobre os incidentes de sábado continuam. A polícia analisa imagens e outros registros para determinar o que ocorreu no memorial e esclarecer as circunstâncias das demais detenções.

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