Deepak Sandhu recebeu pena mínima de 28 anos de prisão pelo assassinato de Xiaoqing Ke, de 39 anos, em Earl’s Court. Ele também foi condenado por tentar obstruir a Justiça depois de inventar uma versão falsa do crime e reservar uma passagem para Mumbai.
Deepak Sandhu, de 24 anos, foi condenado à prisão perpétua nesta sexta-feira, 16 de outubro de 2026, pelo assassinato de sua ex-companheira, Xiaoqing Ke, de 39 anos, em Earl’s Court, no oeste de Londres. A pena, imposta pelo tribunal de Old Bailey, estabelece um período mínimo de 28 anos de prisão antes que sua libertação possa ser considerada pela Justiça. Ele também foi condenado por tentar obstruir a Justiça ao procurar dificultar a investigação e fugir do Reino Unido após o homicídio.
O crime aconteceu em 9 de dezembro de 2025, em um imóvel na Old Brompton Road. Segundo as investigações, Sandhu viajou de Southampton para Londres levando uma faca depois que a relação entre os dois terminou. A mulher havia decidido se afastar dele após descobrir mentiras e o desaparecimento de dinheiro. Inconformado com o rompimento, ele passou a enviar mensagens abusivas e controladoras e manifestou a um amigo sua intenção de se vingar.
Ataque planejado após o fim do relacionamento
A investigação revelou que Sandhu havia construído uma série de mentiras sobre sua vida pessoal e profissional. Segundo o Ministério Público britânico, ele se apresentava como ator e modelo e afirmava ter oportunidades profissionais que não correspondiam à realidade. A vítima descobriu que ele havia retirado £ 500 de seu dinheiro e decidiu encerrar o relacionamento.
O rompimento provocou uma reação de ressentimento. Nos dias anteriores ao assassinato, Sandhu enviou mensagens que demonstravam sua crescente hostilidade. Em uma delas, chegou a prever que se tornaria uma pessoa “má”, segundo as provas reunidas pela polícia.
Em 9 de dezembro, ele saiu de Southampton em direção à capital britânica com uma faca que havia comprado dias antes. Depois de combinar um encontro com Xiaoqing, tentou ocultar sua identidade para conseguir entrar no imóvel onde ela estava hospedada.
Imagens de câmeras de segurança registraram seus deslocamentos, enquanto uma gravação da campainha com câmera mostrou a vítima permitindo sua entrada. Sandhu deixou o local aproximadamente 90 minutos depois. No dia seguinte, 10 de dezembro, policiais foram chamados ao endereço e encontraram o corpo de Xiaoqing com múltiplos ferimentos provocados por arma branca.
Durante o julgamento, os promotores descreveram o ataque como uma vingança planejada e premeditada. A cobertura do processo informou que a vítima sofreu 38 ferimentos provocados por faca, incluindo uma lesão fatal no pescoço.
Tentativa de fuga para Mumbai
Depois de deixar o imóvel, Sandhu tentou construir uma versão falsa dos acontecimentos. Ele entrou em contato com a irmã, que estava na Índia, e afirmou que havia presenciado o assassinato de Xiaoqing cometido por outro homem.
Ao mesmo tempo, organizou sua saída do Reino Unido. Ele reservou uma passagem só de ida de Birmingham para Mumbai e trocou o cartão SIM de seu telefone, numa tentativa de dificultar sua localização.
A investigação da Polícia Metropolitana reuniu mensagens trocadas entre Sandhu e a vítima, imagens de câmeras de segurança, registros de deslocamento e evidências forenses. Uma amostra de sangue encontrada no local do crime apresentou correspondência com o perfil genético do suspeito.
Com base nas informações obtidas, os investigadores localizaram Sandhu em 12 de dezembro de 2025, quando ele viajava em um ônibus com destino ao aeroporto de Birmingham. Ele foi detido antes de conseguir deixar o país.
Júri o considerou culpado por dois crimes
Em 15 de outubro de 2026, um júri do tribunal de Old Bailey declarou Sandhu culpado pelo assassinato de Xiaoqing Ke. Ele também foi considerado culpado de tentar obstruir a Justiça, em razão das ações adotadas para desviar a investigação e evitar ser responsabilizado pelo homicídio.
A sentença foi anunciada no dia seguinte. A prisão perpétua com período mínimo de 28 anos significa que Sandhu não poderá ter sua libertação considerada antes de cumprir esse prazo, ressalvadas as regras legais aplicáveis. O término do período mínimo não implica soltura automática: uma eventual libertação depende de avaliação pelas autoridades competentes.
O caso foi conduzido pela unidade de homicídios do Ministério Público britânico. A promotora Shikha Varma afirmou que Xiaoqing percebeu as mentiras de Sandhu e, ao rejeitá-lo e terminar o relacionamento, tornou-se alvo de um ataque calculado e violento.
A Polícia Metropolitana também destacou o padrão de mensagens controladoras e abusivas identificado durante a investigação. O inspetor-chefe de detetives Wayne Jolley, responsável pelo caso, afirmou que a equipe reuniu provas de que Sandhu havia desenvolvido uma fixação pela vítima antes de decidir matá-la. Ele acrescentou que o combate à violência contra mulheres e meninas continua sendo uma das prioridades da corporação.
A condenação encerra a fase principal do julgamento criminal, mas a pena não deve ser confundida com uma garantia de que o condenado permanecerá preso por exatamente 28 anos: esse é o período mínimo estabelecido pelo tribunal antes que uma eventual libertação possa ser examinada.