Empresário romeno foi cercado e agredido em Mayfair; criminosos usaram um objeto cortante para retirar a peça de seu pulso. Juíza classificou os roubos de relógios de luxo como uma mancha na reputação da capital britânica.

Três homens foram condenados à prisão nesta sexta-feira, 16 de outubro, pelo roubo violento de um relógio de luxo avaliado em £ 137 mil (cerca de R$ 980 mil) de um empresário romeno em Mayfair, uma das áreas mais valorizadas de Londres. A vítima, o estilista e empresário Catalin Botezatu, afirmou durante o julgamento que temeu pela própria vida ao ser cercada e agredida pelos criminosos.

O ataque aconteceu pouco antes da meia-noite de 28 de janeiro, nas proximidades do restaurante Amazonico, em Berkeley Square. O grupo levou um relógio da marca Richard Mille, cravejado de diamantes, que pertencia a Botezatu e tinha grande valor sentimental para ele.

No Tribunal da Coroa de Southwark, a juíza Dafna Spiro afirmou que Londres deveria ser uma cidade segura para moradores e visitantes. Ela lamentou que crimes dessa natureza continuem ocorrendo e observou que os roubos de relógios de alto valor prejudicam a confiança do público e a reputação internacional da capital.

Penas somam 14 anos e nove meses de prisão

Os três condenados são Younes Djoudi, de 34 anos, Abdel El Habchi, de 30, e Ali Eldahouzze, de 22. Segundo a Polícia Metropolitana de Londres, as penas foram distribuídas da seguinte forma:

  • Younes Djoudi: cinco anos e nove meses de prisão. Ele admitiu participação no roubo.
  • Ali Eldahouzze: cinco anos e seis meses de prisão.
  • Abdel El Habchi: três anos e seis meses de prisão.

As penas totalizam 14 anos e nove meses. Eldahouzze e El Habchi foram condenados após um julgamento de nove dias, no qual negaram ter conhecimento prévio do plano criminoso. O júri, porém, considerou comprovada a participação de ambos.

A investigação policial reuniu imagens de câmeras de segurança, depoimentos de testemunhas e dados de celulares para identificar os envolvidos e relacioná-los ao ataque. Os três foram levados à Justiça e permaneceram sob custódia até a sentença.

Empresário foi cercado e teve relógio arrancado do pulso

Durante o julgamento, os promotores afirmaram que os três homens observaram a vítima antes de abordá-la. Imagens de câmeras de segurança mostraram os suspeitos passando pelo local em diferentes momentos, aparentemente monitorando os movimentos do empresário.

Botezatu havia saído do restaurante e estava perto de seu carro, conversando com um amigo, quando foi cercado. Segundo o relato apresentado ao tribunal, os agressores o empurraram contra uma cerca e o imobilizaram enquanto retiravam o relógio de seu pulso esquerdo.

Um objeto cortante foi usado para romper a pulseira de borracha da peça. O ataque deixou cortes no braço da vítima.

Ao prestar depoimento, o empresário afirmou que não conseguia acreditar que uma agressão daquela gravidade pudesse ocorrer em frente a um restaurante sofisticado de Londres. Ele também explicou que temia sofrer consequências médicas graves por causa de um tratamento anterior contra o câncer e por possuir cinco stents implantados no corpo.

Botezatu disse ainda que o relógio tinha um significado especial: havia sido presenteado por um amigo próximo, já falecido, em seu aniversário. A peça não foi recuperada.

Polícia identificou suspeitos com imagens e dados telefônicos

A Polícia Metropolitana informou que os investigadores começaram a reunir provas logo após o crime. As gravações de segurança permitiram acompanhar os deslocamentos dos suspeitos, enquanto informações relacionadas a um veículo e dados de telefones celulares ajudaram a estabelecer vínculos entre eles e o roubo.

Djoudi foi identificado primeiro e localizado em Slough, no dia seguinte ao ataque. Segundo a polícia, ele tentou fugir quando os agentes se aproximaram, mas acabou detido.

A análise do telefone apreendido e outras diligências levaram os investigadores aos outros dois suspeitos. Eldahouzze e El Habchi foram presos em março.

O detetive-inspetor Tom Revell afirmou que os criminosos recorreram à ameaça de violência para tomar o relógio, provocando grande sofrimento à vítima. Ele destacou o trabalho dos agentes na identificação dos envolvidos e na coleta de provas que permitiram levá-los à Justiça.

Roubos de relógios de luxo continuam preocupando Londres

A condenação ocorre em meio à preocupação das autoridades com os roubos de relógios de alto valor no centro e no oeste de Londres.

Dados da Polícia Metropolitana apresentados durante a audiência de sentença indicaram que, entre janeiro e junho de 2026, foram registrados 97 roubos ou tentativas de roubo de relógios nos distritos de Westminster, Kensington e Chelsea e Hammersmith e Fulham.

Segundo informações divulgadas pela imprensa britânica nesta sexta-feira, o valor dos relógios roubados de vítimas na região chega, em média, a £ 1 milhão por mês. Outros 70 relógios de alto valor foram levados entre julho e setembro. Em aproximadamente 20% dos roubos de relógios registrados nos seis meses mais recentes do levantamento, uma faca foi exibida ou usada como ameaça.

Os números ajudam a dimensionar o problema, embora se refiram a uma área específica da capital, e não a toda a cidade.

Para a juíza Dafna Spiro, a repetição desses crimes prejudica a imagem de Londres como destino internacional para negócios e turismo. No caso de Botezatu, a violência sofrida contribuiu para que ele reconsiderasse futuras visitas à cidade.

A condenação dos três homens encerra a etapa judicial relacionada à responsabilização deles pelo roubo, mas o relógio continua desaparecido. O caso também reforça o alerta das autoridades sobre a atuação de grupos que monitoram vítimas e escolhem peças de alto valor para realizar ataques rápidos em áreas movimentadas.

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