Polícia Metropolitana prendeu 711 pessoas em setembro durante a maior operação já realizada contra roubos de celulares na capital; centenas de aparelhos foram recuperados

Um suspeito de roubar celulares em Londres tentou escapar da Polícia Metropolitana em uma bicicleta elétrica e acabou pulando em um lago para evitar a prisão. Antes de entrar na água, o homem teria jogado vários aparelhos fora durante a fuga.

A cena, registrada por câmeras de segurança e pelas câmeras corporais dos policiais, faz parte de uma operação de grande escala realizada pela Polícia Metropolitana durante o mês de setembro para combater roubos de celulares, assaltos e a rede de receptação dos aparelhos.

Ao todo, 711 pessoas foram presas durante a operação, considerada pela corporação a maior ofensiva já realizada contra esse tipo de crime em Londres. Centenas de celulares suspeitos de terem sido roubados também foram recuperados. (⁠Mynewsdesk)

Suspeito jogou celulares em lago durante fuga

O episódio que mais chamou atenção ocorreu durante a perseguição a um homem de 21 anos.

Segundo a Polícia Metropolitana, o suspeito fugiu em uma bicicleta elétrica e tentou escapar dos agentes em alta velocidade. Durante a fuga, ele descartou vários celulares e, pouco depois, entrou em um lago.

Os policiais continuaram a perseguição e entraram na água para recuperar os aparelhos. Seis celulares foram encontrados embrulhados em papel-alumínio, uma técnica utilizada por criminosos para bloquear sinais e dificultar o rastreamento dos dispositivos.

O homem foi preso pouco depois.

A Polícia Metropolitana tem ampliado o uso de bicicletas elétricas de alta potência para perseguir suspeitos que utilizam veículos semelhantes para escapar pelas ruas de Londres. A corporação aumentou sua própria frota de bicicletas elétricas policiais de cinco para 25 unidades em agosto, justamente para melhorar a capacidade de resposta em crimes cometidos por pessoas que utilizam bicicletas e motocicletas elétricas para fugir. (⁠Mynewsdesk)

Mais de 700 prisões em um único mês

Entre 1º e 30 de setembro, policiais realizaram operações em diferentes pontos da capital para atingir não apenas quem rouba os celulares nas ruas, mas também pessoas suspeitas de receber, armazenar e comercializar os aparelhos.

Além das 711 prisões, os agentes apreenderam drogas, facas, armas de fogo, dezenas de milhares de libras em dinheiro e mais de 110 bicicletas elétricas ilegais.

A operação também incluiu mais de 50 mandados de busca e ações em lojas de celulares usados que poderiam estar relacionadas à comercialização de aparelhos roubados.

Policiais visitaram ainda cerca de 220 estabelecimentos de venda de celulares usados para coletar informações e diferenciar negócios legítimos daqueles que poderiam estar envolvidos na cadeia de receptação.

Andy Featherstone, comandante da Polícia Metropolitana responsável pelo combate aos roubos de celulares, afirmou que a estratégia procura atingir toda a cadeia criminosa, desde o ladrão que aborda a vítima na rua até os responsáveis pelo transporte e pela exportação dos aparelhos.

Roubo de celulares caiu, mas continua sendo um problema

Os dados mais recentes da Polícia Metropolitana mostram uma redução significativa desse tipo de crime.

Em 2024, foram registradas 81.439 ocorrências de furto e roubo nas quais celulares foram levados em Londres. O número caiu para 71.867 em 2025.

A tendência continuou em 2026. Entre janeiro e agosto deste ano, foram registradas 39.793 ocorrências, contra 49.136 no mesmo período de 2025. A diferença representa aproximadamente 9.300 ocorrências a menos em apenas oito meses. (⁠Mynewsdesk)

O mês de agosto também registrou o menor número de roubos e furtos de celulares para esse mês desde 2022, segundo a Met.

Foram contabilizadas 3.963 ocorrências em agosto de 2026, contra 5.099 no mesmo mês de 2025 e 5.597 em agosto de 2024. Em agosto de 2023, foram 4.542 ocorrências. O número de 2022, por sua vez, havia sido ainda menor, com 3.311 casos. (⁠Mynewsdesk)

A comparação mostra que a situação melhorou consideravelmente em relação aos piores níveis registrados nos últimos anos, embora Londres ainda registre milhares de casos todos os meses.

Bicicletas elétricas viraram ferramenta dos ladrões

A utilização de bicicletas elétricas de alta velocidade se tornou uma das principais características dos roubos de celulares em Londres.

Os criminosos conseguem se aproximar rapidamente das vítimas, arrancar o aparelho de suas mãos e fugir por ruas, calçadas e áreas onde veículos policiais convencionais têm mais dificuldade para acompanhar.

Por isso, a Polícia Metropolitana passou a utilizar suas próprias bicicletas elétricas em operações de perseguição.

Em julho, a corporação já havia informado que tinha apreendido mais de 2.500 bicicletas elétricas e patinetes elétricos ilegais em 2026, superando em apenas sete meses o total apreendido durante todo o ano anterior. (⁠The Standard)

A polícia também utiliza drones, reconhecimento facial ao vivo e equipes especializadas para identificar suspeitos e interromper a ação de grupos organizados.

Celulares roubados alimentam um mercado internacional

Para a Polícia Metropolitana, o problema não termina quando o celular é retirado das mãos da vítima.

A corporação identificou uma cadeia internacional que movimenta aparelhos roubados de Londres para outros países. Uma investigação recente revelou uma rede responsável por transportar até 40 mil celulares roubados do Reino Unido para a China durante 2024 e 2025. Três homens foram condenados em setembro após uma investigação de um ano.

A polícia estima que essa rede tenha sido responsável por aproximadamente 40% dos celulares roubados em Londres durante aquele período.

O comércio internacional ajuda a explicar por que os criminosos continuam interessados em aparelhos que podem ser inutilizados para o proprietário original. Em determinados mercados estrangeiros, os dispositivos e suas peças podem ter valor maior do que no Reino Unido.

Apenas uma pequena parcela dos aparelhos é recuperada

Apesar das operações policiais, recuperar o celular roubado continua sendo uma tarefa difícil.

Dados obtidos pela imprensa britânica por meio da legislação de acesso à informação mostram que 587.498 celulares foram registrados como roubados em Londres, excluindo a região da City, entre 2017 e 27 de fevereiro de 2024.

Desse total, apenas 13.998 aparelhos foram recuperados, enquanto 573.500 não foram encontrados. (⁠ITVX)

A proporção ajuda a dimensionar a dificuldade enfrentada pelas autoridades para recuperar os dispositivos depois que eles desaparecem da capital.

Também há uma diferença importante entre o número de ocorrências registradas e a capacidade de identificar os responsáveis.

Dados referentes a 2025 mostram que apenas 6,9% dos casos de roubo pessoal terminaram com um suspeito identificado e submetido a alguma medida, enquanto a proporção foi de apenas 0,9% nos furtos de pessoas. (⁠ITVX)

Polícia alerta para nova estratégia usada pelos criminosos

Com a melhoria dos sistemas de segurança dos celulares, os criminosos também estão mudando de estratégia.

A Polícia Metropolitana afirma que grupos criminosos passaram a utilizar técnicas de engenharia social para tentar acessar aparelhos roubados.

Em vez de simplesmente tentar desbloquear o telefone, os criminosos entram em contato com a vítima por meio de outro aparelho e se passam por empresas ou serviços conhecidos. O objetivo é convencer o proprietário a fornecer senhas, códigos de acesso ou informações de sua conta.

Em alguns casos, segundo a polícia, as vítimas são pressionadas ou ameaçadas para entregar essas informações.

Com os dados em mãos, os criminosos podem tentar desbloquear o aparelho, acessar contas e aumentar o valor de revenda do dispositivo.

Met quer tornar celulares roubados praticamente inúteis

O combate ao roubo também chegou às fabricantes de celulares.

O comandante da Polícia Metropolitana, Sir Mark Rowley, vem pressionando empresas de tecnologia e fabricantes para que adotem mecanismos capazes de tornar um aparelho roubado inutilizável, reduzindo o interesse econômico dos criminosos.

A Met afirma que fabricantes e empresas de tecnologia precisam melhorar o compartilhamento de informações sobre aparelhos roubados e dificultar sua reativação, redefinição e revenda.

A corporação já trabalha diretamente com a Apple para compartilhar informações que permitam rastrear celulares roubados no Reino Unido e em outros países. A polícia também mantém contato com outras fabricantes, incluindo Samsung.

A estratégia busca atacar justamente o principal incentivo econômico do crime: se o aparelho roubado não puder ser reutilizado ou vendido, seu valor para os criminosos diminui.

Crianças também são recrutadas para os roubos

Outro aspecto preocupante identificado pela Polícia Metropolitana é o recrutamento de adolescentes para cometer furtos.

No início deste ano, a corporação revelou ter encontrado anúncios em redes sociais oferecendo até 380 libras para crianças roubarem um único iPhone, além de um bônus de 100 libras para quem roubasse dez aparelhos.

Segundo a polícia, alguns grupos criminosos utilizam adolescentes como executores dos roubos enquanto outras pessoas controlam a logística, a receptação e o envio dos celulares para fora do país.

Para a Met, isso transforma o furto de celulares em uma porta de entrada para redes criminosas mais amplas.

Londres registra queda, mas ainda enfrenta milhares de casos

Os números mais recentes mostram que a estratégia policial está acompanhada de uma redução expressiva das ocorrências.

Segundo o prefeito de Londres, Sadiq Khan, houve cerca de 16 mil celulares roubados a menos no último ano, enquanto os roubos de celulares nas ruas caíram 21% até agosto de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior. A Polícia Metropolitana também afirma que a redução acumulada desde 2024 representa milhares de vítimas a menos.

Ainda assim, quase 40 mil ocorrências envolvendo furto ou roubo de celulares foram registradas apenas nos oito primeiros meses de 2026.

A operação realizada em setembro mostra, portanto, os dois lados do problema: a polícia conseguiu ampliar as prisões, recuperar centenas de aparelhos e desarticular partes da cadeia de receptação, mas o mercado ilegal continua ativo.

E, enquanto os criminosos procuram novas formas de escapar — inclusive pulando em lagos e tentando esconder celulares dentro de papel-alumínio — a Polícia Metropolitana tenta tornar cada etapa desse comércio mais arriscada e menos lucrativa.

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