Mulher de 42 anos e homem de 60 foram detidos por agentes de contraterrorismo durante investigação baseada na Lei de Segurança Nacional do Reino Unido
Uma mulher de 42 anos e um homem de 60 foram presos em Londres sob suspeita de ajudar o serviço de inteligência do Irã, informou a Polícia Metropolitana de Londres.
As prisões foram realizadas na quarta-feira, 9 de setembro, por agentes da unidade de contraterrorismo da polícia londrina, como parte de uma investigação sobre possíveis crimes previstos na Lei de Segurança Nacional de 2023.
Segundo a polícia, a mulher foi detida em um endereço no norte de Londres, enquanto o homem foi preso em uma residência no noroeste da capital.
Ambos são suspeitos de cometer uma infração prevista na seção 3 da legislação, relacionada à prestação de assistência a um serviço de inteligência estrangeiro.
Investigação envolve suspeitas relacionadas ao Irã
A Polícia Metropolitana confirmou que o país estrangeiro relacionado à investigação é o Irã.
Antes das prisões, agentes realizaram uma busca em uma propriedade residencial no noroeste de Londres. As autoridades não divulgaram, até o momento, detalhes sobre o tipo de atividade que os dois suspeitos são acusados de ter realizado, nem informaram se eles teriam atuado diretamente para o governo iraniano ou para algum intermediário.
Também não foram divulgadas informações sobre possíveis alvos, locais ou pessoas que poderiam estar relacionados à investigação.
A polícia afirmou que as diligências continuam e que os dois permanecem sob custódia para interrogatório.
O que diz a Lei de Segurança Nacional britânica?
A Lei de Segurança Nacional de 2023 criou uma série de novos crimes destinados a proteger o Reino Unido contra ameaças de Estados estrangeiros e atividades de espionagem.
A seção 3 estabelece como crime a realização de determinadas condutas que possam ajudar um serviço de inteligência estrangeiro em atividades relacionadas ao Reino Unido, quando a pessoa sabe ou deveria saber que sua atuação poderia contribuir de maneira relevante para esse serviço.
A legislação passou a ser uma das principais ferramentas utilizadas pelas autoridades britânicas em investigações relacionadas a possíveis operações de inteligência estrangeira.
Em março de 2026, por exemplo, dois homens foram acusados sob a mesma legislação por atividades que, segundo o Ministério Público britânico, incluíam coleta de informações e reconhecimento de possíveis alvos relacionados ao Irã.
Em outro caso, três homens foram acusados em 2025 de realizar atividades que poderiam beneficiar um serviço de inteligência iraniano. Segundo o Ministério Público, as acusações incluíam vigilância, reconhecimento e pesquisa de informações disponíveis publicamente; dois deles também foram acusados de atuar com a intenção de facilitar atos de violência grave contra pessoas no Reino Unido.
Reino Unido intensificou ações contra possíveis operações estrangeiras
As novas prisões ocorrem em um momento de aumento da atividade das autoridades britânicas contra suspeitas de interferência e espionagem patrocinadas por governos estrangeiros.
Em junho, a Polícia Metropolitana realizou buscas em dois endereços residenciais no noroeste de Londres como parte de outra investigação relacionada ao Irã. Na ocasião, a corporação afirmou que o caso fazia parte de um esforço mais amplo para interromper possíveis atividades hostis de Estados estrangeiros.
Em julho, um homem de 39 anos, Vahid Aberi, foi acusado formalmente de ajudar um serviço de inteligência estrangeiro em uma investigação também relacionada ao Irã. Ele havia sido preso na região de Birmingham, enquanto policiais realizaram buscas em endereços em Birmingham e Liverpool.
Naquele caso, a chefe da unidade de contraterrorismo da Polícia Metropolitana, comandante Helen Flanagan, afirmou que as autoridades haviam identificado um aumento significativo e contínuo das investigações relacionadas à segurança nacional e a ameaças de Estados estrangeiros.
Prisão não significa acusação ou condenação
No caso dos dois detidos em Londres, a polícia ainda fala em suspeita. Isso significa que não há, até o momento, uma condenação ou mesmo necessariamente uma acusação formal contra eles.
A investigação deverá determinar se existem elementos suficientes para que o Ministério Público britânico autorize eventuais acusações.
As autoridades também não informaram se os dois suspeitos se conheciam, se teriam atuado juntos ou se suas prisões fazem parte de uma operação mais ampla.
Até que novas informações sejam divulgadas, a natureza exata das atividades investigadas permanece sob sigilo.
O caso reforça, entretanto, a crescente preocupação das autoridades britânicas com possíveis operações de serviços de inteligência estrangeiros em território do Reino Unido, especialmente depois da entrada em vigor da Lei de Segurança Nacional de 2023.