Acordo com a Transport for London e o sindicato Unite prevê adaptação dos veículos que ainda não atendem aos padrões atuais de climatização
Os motoristas de ônibus de Londres terão ar-condicionado em suas cabines até o verão de 2027. O compromisso foi anunciado pelo prefeito da capital britânica, Sadiq Khan, após um acordo com o sindicato Unite e a Transport for London, responsável pelo sistema de transporte público londrino.
A medida estabelece que todas as cabines de motoristas que ainda não atendem aos padrões atuais de climatização deverão ser adaptadas até o fim de maio de 2027.
A decisão ocorre depois de uma série de reclamações sobre as condições enfrentadas pelos profissionais durante as ondas de calor registradas no Reino Unido neste verão. Motoristas relataram temperaturas superiores a 40 °C dentro das cabines e episódios de mal-estar provocados pelo calor.
O problema chegou a provocar paralisações e ameaças de novas greves, aumentando a pressão sobre empresas operadoras e autoridades londrinas.
Sindicato pressionou por melhores condições de trabalho
A instalação de sistemas de ar-condicionado era uma das principais reivindicações do Unite, que representa trabalhadores do transporte público.
O sindicato havia denunciado que os sistemas de ventilação e resfriamento existentes em parte da frota eram insuficientes para enfrentar períodos de calor extremo. Segundo a entidade, alguns motoristas sofreram desidratação, exaustão e sintomas relacionados ao calor durante o trabalho.
Sharon Graham, secretária-geral do Unite, classificou o acordo como uma importante vitória na campanha por melhores condições de trabalho.
“Os sistemas inadequados de resfriamento dos ônibus obrigaram os motoristas a suportar condições terríveis neste verão”, afirmou.
Ela acrescentou que o sindicato continuará pressionando para garantir que os trabalhadores do transporte sejam mantidos em segurança e tratados com dignidade e respeito.
Algumas cabines chegaram a temperaturas extremas
O principal problema está relacionado ao funcionamento dos sistemas de ventilação instalados em parte dos veículos mais antigos.
De acordo com o Unite, alguns desses sistemas conseguem reduzir apenas alguns graus da temperatura dentro da cabine, o que é insuficiente quando o calor externo permanece elevado durante várias horas.
A situação é agravada pela exposição direta ao sol através do para-brisa e das janelas, além do tempo prolongado que os motoristas permanecem dentro do veículo durante suas jornadas.
O sindicato afirmou que houve casos de trabalhadores que passaram mal e precisaram interromper suas atividades devido às altas temperaturas. Também foram relatadas situações nas quais motoristas tiveram dificuldades para continuar conduzindo os veículos com segurança.
Ônibus mais novos já seguem padrões mais rigorosos
Segundo o escritório do prefeito de Londres, os ônibus incorporados mais recentemente à frota já precisam atender a requisitos mais rigorosos de ventilação e ar-condicionado.
A diferença existe porque muitos dos veículos mais antigos foram adquiridos em uma época em que episódios de calor extremo eram menos frequentes.
Agora, o objetivo é adaptar as cabines que ainda não alcançaram os padrões atuais, reduzindo a diferença entre as diversas gerações de ônibus que circulam pela capital.
A Transport for London já realiza verificações nos sistemas de aquecimento, ventilação e climatização da frota, mas o novo acordo estabelece um prazo específico para que os veículos que não atendem aos requisitos sejam modificados.
Proteção contra radiação ultravioleta também será instalada
O acordo prevê ainda outra medida voltada à saúde dos motoristas.
As cabines deverão receber películas de proteção contra a radiação ultravioleta, com o objetivo de reduzir a exposição dos trabalhadores aos raios solares e, consequentemente, o risco associado ao desenvolvimento de câncer de pele.
A medida é especialmente relevante para profissionais que passam várias horas por dia dentro das cabines, muitas vezes expostos diretamente à luz solar através das superfícies envidraçadas dos veículos.
Novo modelo de ônibus passa por testes
A Transport for London também está testando um novo modelo do New Routemaster em serviço regular.
Segundo a Prefeitura de Londres, os primeiros comentários dos motoristas que utilizaram o veículo foram positivos.
O modelo também foi submetido a testes em laboratório para avaliar seu desempenho diante de condições de calor extremo.
A avaliação pretende verificar se os sistemas de ventilação e climatização conseguem manter condições adequadas dentro da cabine mesmo quando os veículos permanecem em operação durante períodos prolongados de altas temperaturas.
Sadiq Khan comemora o acordo
Sadiq Khan afirmou que a questão das condições de trabalho dos motoristas é uma preocupação pessoal e agradeceu aos profissionais responsáveis por manter a rede de transporte em funcionamento.
O prefeito também destacou o papel dos motoristas durante o verão de temperaturas excepcionalmente elevadas.
A Prefeitura de Londres vem discutindo há algum tempo a necessidade de adaptar a infraestrutura da cidade às mudanças nas condições climáticas e ao aumento da frequência de episódios de calor intenso.
O problema não afeta apenas o transporte rodoviário. Temperaturas elevadas também representam desafios para o metrô, ferrovias, espaços públicos e outros sistemas de infraestrutura da capital.
Transport for London promete manter o ritmo das melhorias
Lorna Murphy, diretora de ônibus da Transport for London, reconheceu as dificuldades enfrentadas pelos motoristas durante os episódios recentes de calor.
A executiva afirmou que a organização está comprometida em manter o ritmo das melhorias imediatas e, ao mesmo tempo, desenvolver soluções de longo prazo para enfrentar as novas condições climáticas.
O prazo estabelecido pelo acordo é claro: até o final de maio de 2027, todas as cabines que não estiverem de acordo com os padrões atuais deverão receber as adaptações necessárias.
A medida representa uma mudança importante nas condições de trabalho dos motoristas de ônibus da capital britânica e também evidencia um desafio cada vez mais presente para Londres: adaptar uma rede de transporte construída para um clima historicamente mais ameno a períodos de calor extremo.
É importante destacar que o compromisso anunciado se refere às cabines dos motoristas, e não significa necessariamente que todos os espaços destinados aos passageiros passarão a contar com ar-condicionado. Os veículos mais novos já obedecem a padrões mais rigorosos de climatização, enquanto o acordo busca adequar principalmente a frota mais antiga.