Polícia Metropolitana identifica mudança nas estratégias de adulteração de bebidas e outras substâncias e alerta para casos em casas, festas e alojamentos estudantis durante a Semana de Recepção aos Novos Estudantes

A Polícia Metropolitana de Londres emitiu um alerta sobre uma mudança nas estratégias utilizadas por criminosos para dopar vítimas. Segundo os investigadores, além das drogas tradicionalmente associadas aos casos de adulteração de bebidas e outras substâncias, como cocaína e cetamina, criminosos estão recorrendo cada vez mais a medicamentos de uso cotidiano, medicamentos sujeitos a receita e substâncias adicionadas a cigarros eletrônicos.

A mudança ocorre justamente durante a Semana de Recepção aos Novos Estudantes, período em que milhares de jovens participam de festas, eventos universitários e encontros em diferentes pontos da capital britânica. A polícia também identificou uma alteração nos locais onde os crimes acontecem: se bares e casas noturnas continuam entre os ambientes investigados, aumentaram os relatos relacionados a festas em residências, encontros antes de sair, moradias compartilhadas e alojamentos estudantis.

Polícia registra aumento de casos relacionados à adulteração de substâncias

Nos últimos 12 meses, a Polícia Metropolitana obteve 131 resultados positivos em investigações relacionadas a casos de adulteração de substâncias, número 20% superior ao registrado no período anterior.

Segundo os investigadores, as análises forenses também revelaram uma variedade cada vez maior de substâncias utilizadas pelos criminosos. Entre elas estão medicamentos facilmente encontrados, incluindo anti-histamínicos e remédios contra enjoo, que podem provocar sonolência, confusão, perda de memória e redução da capacidade de percepção quando administrados sem o conhecimento da vítima.

A polícia ressalta que cocaína e cetamina continuam aparecendo nas investigações, mas o cenário se tornou mais diversificado, dificultando a identificação imediata das substâncias utilizadas.

Cigarros eletrônicos entram no radar das autoridades

Uma das modalidades que mais preocupa os investigadores é a adulteração de cigarros eletrônicos. Segundo a Polícia Metropolitana, foram registrados casos em que substâncias são adicionadas aos dispositivos ou aos líquidos utilizados neles sem que a pessoa saiba ou tenha autorizado.

A corporação afirma ter investido em equipamentos especializados capazes de analisar rapidamente cigarros eletrônicos suspeitos e identificar uma variedade de substâncias que podem não ser detectadas por produtos comerciais de teste vendidos pela internet.

A recomendação é que uma possível vítima não dependa exclusivamente de testes disponíveis para o público. De acordo com a polícia, diversos medicamentos utilizados nos casos recentes podem não ser identificados por esses produtos, tornando fundamental a comunicação rápida do caso às autoridades.

Mais de metade das vítimas tem entre 18 e 35 anos

Os dados da Polícia Metropolitana mostram que mais de 50% das vítimas registradas em casos de adulteração de substâncias no último ano tinham entre 18 e 35 anos.

O período de recepção aos novos estudantes é considerado especialmente importante pelas autoridades para reforçar a prevenção. Além do aumento da circulação de jovens em eventos universitários e estabelecimentos noturnos, os investigadores chamam atenção para o fato de que os criminosos estão cada vez mais atuando em ambientes privados.

O superintendente detetive Dan Thompson, responsável pelas investigações sobre adulteração de substâncias na Polícia Metropolitana, afirmou que os criminosos estão utilizando uma gama mais ampla de substâncias e procurando vítimas em locais como casas, festas e alojamentos estudantis.

Caso de Chao Xu mostra o risco em ambientes privados

A polícia citou como exemplo o caso de Chao Xu, de 33 anos, morador de Greenwich, que foi condenado à prisão perpétua após admitir uma série de crimes sexuais contra mulheres.

Xu foi condenado em novembro de 2025 depois de se declarar culpado de 24 acusações envolvendo seis mulheres, incluindo estupros, agressões sexuais e crimes relacionados à observação clandestina. Ele recebeu uma pena de prisão perpétua, com período mínimo de 14 anos antes de poder solicitar a revisão para fins de liberdade.

As análises toxicológicas realizadas durante a investigação identificaram, entre outras substâncias, GHB e escopolamina, princípio ativo utilizado em medicamentos contra enjoo. Segundo a Polícia Metropolitana, Xu abordava mulheres durante encontros e reuniões que aconteciam em seu apartamento.

O caso também levou os investigadores a fazerem um apelo por novas vítimas e testemunhas, diante da suspeita de que a série de crimes pudesse ser mais extensa do que os episódios já comprovados judicialmente.

Primeiras horas podem ser decisivas para a investigação

A Polícia Metropolitana destaca que muitas das substâncias utilizadas nesses crimes permanecem no organismo por um período limitado. Por isso, as primeiras 12 horas podem ser particularmente importantes para a obtenção de evidências.

Nesse intervalo, os investigadores podem tentar preservar amostras para análise forense, localizar imagens de câmeras de segurança, identificar testemunhas e localizar possíveis suspeitos.

Mesmo assim, a polícia reforça que uma vítima deve denunciar o caso ainda que tenha passado mais tempo. A própria Polícia Metropolitana informa que não existe limite de tempo para registrar uma denúncia de adulteração de substâncias.

O que fazer em caso de suspeita de adulteração

A Polícia Metropolitana define adulteração de substâncias como a administração de drogas, álcool ou outras substâncias a uma pessoa sem seu conhecimento ou consentimento. A prática pode ocorrer por meio de bebidas, alimentos, injeções ou também de cigarros e cigarros eletrônicos.

Quem acredita ter sido vítima deve procurar a polícia o mais rápido possível, principalmente quando o episódio acabou de acontecer.

Em Londres, 999 deve ser utilizado quando um crime está acontecendo ou acabou de acontecer. Casos também podem ser comunicados pelo 101 ou por meio do serviço de denúncia pela internet da Polícia Metropolitana.

A corporação reforça que a vítima não precisa ter todas as informações sobre o que aconteceu para fazer a denúncia. Mesmo quando não consegue lembrar detalhes, o relato pode contribuir para a investigação e para a identificação de padrões ou suspeitos.

A mensagem dos investigadores é que ninguém deve deixar de procurar as autoridades por acreditar que já passou tempo demais. Segundo Dan Thompson, cada denúncia ajuda a polícia a ampliar o conhecimento sobre as novas formas de adulteração e a identificar os responsáveis.

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