A saída de Haroon Aswat do Hospital Bethlem Royal, em Londres, e sua posterior transferência para outra instituição especializada voltaram a colocar em evidência um dos desafios mais complexos para as autoridades britânicas: como administrar o risco representado por pessoas condenadas por terrorismo quando sua situação também envolve tratamento de saúde mental.
Aos 50 anos, Aswat recebeu alta da instituição psiquiátrica após concluir seu tratamento. Segundo informações publicadas em julho de 2026, ele foi posteriormente transferido para outra instituição para receber atendimento especializado. O local exato não foi divulgado publicamente.
O caso é especialmente sensível por causa de seu histórico. Em 2015, um tribunal federal de Nova York condenou Aswat a 20 anos de prisão depois que ele se declarou culpado de conspirar para fornecer apoio à Al Qaeda e de fornecer apoio material à organização. Segundo a investigação americana, ele participou, ao lado do clérigo radical Abu Hamza e de outros colaboradores, de uma tentativa de criar um campo de treinamento terrorista no estado do Oregon.
Seu nome também foi associado aos atentados de 7 de julho de 2005 em Londres. Na época, investigadores identificaram até 20 ligações entre um telefone relacionado a Aswat e alguns dos responsáveis pelos ataques. Aswat, no entanto, não foi condenado pelos atentados de 7/7 e não deve ser apresentado como um de seus autores. Os ataques deixaram 52 mortos e mais de 700 feridos.
Um risco que continua no radar das autoridades
Grande parte da preocupação atual está relacionada às informações reunidas durante o processo judicial britânico de 2025.
Em uma decisão do Tribunal Superior da Inglaterra e do País de Gales, o juiz registrou que Aswat havia sido diagnosticado com transtorno esquizoafetivo e que, mesmo durante períodos de relativa estabilidade mental, continuava expressando uma ideologia islâmica extremista e violenta. Um relatório psiquiátrico também apontou que interrupções no uso de medicamentos haviam sido seguidas anteriormente por recaídas e aumento do comportamento violento.
A decisão judicial registra ainda que um especialista identificou diversos fatores associados ao risco de extremismo violento e concluiu que permanecia a possibilidade de Aswat voltar a cometer atos violentos motivados por extremismo ou influenciar pessoas vulneráveis.
O documento também aponta que, após seu retorno ao Reino Unido em 2022, não havia sido realizada uma avaliação formal do risco terrorista devido às circunstâncias de sua internação. Ainda assim, o tribunal determinou uma ordem de notificação relacionada ao terrorismo, permitindo que as autoridades exijam determinadas informações e mantenham mecanismos de acompanhamento policial.
Um desafio para a segurança britânica
O caso levanta uma questão que vai além da situação individual de Aswat: como conciliar a legislação de saúde mental, os direitos de pessoas que cumpriram suas penas e a necessidade de reduzir possíveis riscos terroristas.
O governo britânico afirma que a polícia e os serviços de inteligência dispõem de mecanismos para agir quando uma pessoa representa uma ameaça à segurança nacional. Após a saída de Aswat do Bethlem Royal, o governo afirmou que medidas apropriadas haviam sido adotadas para proteger o público.
Até o momento, não há informação pública indicando que Aswat tenha sido novamente detido ou que tenha se envolvido em algum incidente depois de deixar o hospital. O que está confirmado é que ele deixou o Bethlem Royal após concluir o tratamento e foi transferido para outra instituição especializada.
Mais do que uma nova libertação prisional, o caso se transformou em um teste para o sistema britânico: como supervisionar e administrar uma pessoa com condenação por terrorismo e histórico de extremismo violento quando sua saída de um hospital psiquiátrico é respaldada por uma decisão judicial.