Um homem de 38 anos, registrado como criminoso sexual e considerado de alto risco pelo Serviço de Liberdade Condicional, voltou a cometer crimes em Londres apenas um dia depois de ser libertado antecipadamente da prisão de Wandsworth. O caso foi revelado pelo jornal britânico The Standard e provocou novas críticas e questionamentos sobre o impacto do novo modelo de libertação antecipada adotado pelo governo.

Morador de Brent, no noroeste de Londres, o homem tinha 16 condenações anteriores e havia sido relacionado a mais de 100 investigações policiais. Segundo a Polícia Metropolitana, ele também era considerado um infrator habitual por furtos em estabelecimentos comerciais.

O homem deixou a prisão de Wandsworth na quinta-feira, 1º de outubro, justamente no primeiro dia de implementação do novo modelo de progressão previsto pela Lei de Sentenças de 2026. Menos de 24 horas depois, imagens de câmeras de segurança registraram novos furtos em supermercados do noroeste da capital.

O episódio terminou com a prisão do homem, que posteriormente se declarou culpado de quatro acusações de furto. Ele também foi acusado de invasão de estabelecimento comercial e de descumprimento de ordens judiciais e acabou novamente levado para a prisão.

Novos furtos começaram um dia depois da libertação

De acordo com informações apresentadas pela Polícia Metropolitana, o homem foi filmado furtando produtos de dois supermercados pouco depois de deixar a prisão.

Em um supermercado Sainsbury’s Local, em Willesden, ele entrou três vezes entre as 18h e as 20h45. O estabelecimento estava entre os locais dos quais ele havia sido proibido de se aproximar por uma ordem de comportamento criminoso.

No caso da rede Tesco, em Wembley, ele posteriormente se declarou culpado de quatro furtos de detergente para roupas, avaliados em um total de 142,35 libras. Os crimes ocorreram entre quinta-feira, 1º de outubro, e segunda-feira, 5 de outubro.

Após a prisão, ele também foi acusado de uma invasão comercial e de violar ordens judiciais. A Polícia Metropolitana informou que uma equipe passou um dia inteiro tentando localizá-lo e levá-lo novamente sob custódia.

Segundo o comandante policial, foram necessárias 27 horas de trabalho de agentes, com um custo estimado de 1.887 libras para a atuação policial relacionada ao caso.

O homem voltou para a prisão e também foi formalmente chamado de volta ao sistema prisional pelo Serviço de Liberdade Condicional.

Polícia alerta para impacto sobre as comunidades

O caso chamou a atenção de Luke Williams, superintendente-chefe e comandante responsável pelas áreas de Barnet, Brent e Harrow.

Em uma carta enviada a parlamentares e vereadores locais, Williams afirmou que a Polícia Metropolitana já havia manifestado preocupação com os riscos associados à colocação de mais infratores em liberdade e com o impacto que novos crimes podem provocar sobre o trabalho policial.

Segundo o comandante, o homem havia sido classificado como infrator de alto risco pelo Serviço de Liberdade Condicional. Seu histórico incluía 16 condenações anteriores e mais de 100 investigações relacionadas a crimes como furtos, danos criminais e um episódio de exposição indecente.

Williams afirmou que a velocidade com que o homem voltou a cometer crimes e a quantidade de recursos policiais necessários para localizá-lo eram particularmente preocupantes.

O policial também disse que outros casos semelhantes haviam sido identificados em Londres e advertiu que a demanda sobre as forças policiais poderia aumentar à medida que novas pessoas fossem libertadas antecipadamente.

A Polícia Metropolitana, no entanto, não afirmou que o novo sistema de libertação antecipada tenha causado os novos crimes. A relação apresentada pela corporação é entre a libertação do indivíduo, seu histórico de reincidência e o fato de ele ter sido novamente preso poucos dias depois.

O que mudou nas regras de libertação de presos

O caso ocorre no início de uma ampla mudança no sistema de execução de penas na Inglaterra e no País de Gales.

A Lei de Sentenças de 2026 criou o chamado modelo de progressão, que começou a ser implementado em 1º de outubro. Para determinadas penas de duração determinada, o ponto de libertação automática foi antecipado para um terço da pena, em vez dos 40% ou 50% anteriormente aplicáveis em determinados casos. Para algumas categorias de penas consideradas mais graves, o ponto de libertação passou a ser metade da pena.

A mudança não significa redução da pena determinada pelo tribunal. O condenado continua cumprindo a pena original, mas passa uma parcela maior dela fora da prisão, sob condições de liberdade e supervisão.

O governo estabeleceu uma implementação gradual. Cerca de 700 presos foram estimados para deixar as prisões na primeira etapa, em 1º de outubro, enquanto o modelo prevê aproximadamente 4.500 libertações iniciais distribuídas em dez etapas entre outubro de 2026 e junho de 2027.

Os presos libertados permanecem sujeitos a condições de licença e podem ser chamados de volta à prisão caso descumpram essas condições ou deixem de ser considerados seguros para permanecer na comunidade. O governo também anunciou investimentos para ampliar a capacidade do sistema de liberdade condicional, o monitoramento eletrônico e o acompanhamento dos egressos.

Nem todos os criminosos são elegíveis

A mudança provocou controvérsia desde antes de sua entrada em vigor. Após uma revisão do governo, vários crimes foram acrescentados à lista de exclusões.

Entre os delitos que ficaram fora do novo modelo estão estupro, determinados crimes sexuais graves contra crianças, crimes de aliciamento, homicídio culposo e outros delitos relacionados à morte de pessoas, além de outras categorias previstas na legislação. Mais de 18 mil infratores também estão excluídos das alterações por causa do tipo de crime ou da natureza de suas penas.

Isso significa que o fato de alguém estar registrado como criminoso sexual, por si só, não permite concluir que a pessoa estivesse automaticamente impedida de ser libertada sob as novas regras. A elegibilidade depende da condenação, do tipo de pena e do crime específico pelo qual o indivíduo estava preso.

No caso de Wandsworth, a Polícia Metropolitana informou que o homem estava cumprindo pena por furto e violação de uma ordem de comportamento criminoso. O histórico que o colocava no registro de criminosos sexuais e a classificação de alto risco foram destacados pela polícia ao questionar o impacto da libertação.

Governo defende mudança diante da crise prisional

O governo britânico afirma que a reforma foi necessária diante da falta de vagas no sistema penitenciário.

A implementação do novo modelo ocorreu depois de anos de pressão sobre a capacidade das prisões da Inglaterra e do País de Gales. O Ministério da Justiça argumenta que a alteração é necessária para evitar que o sistema fique sem espaço para receber pessoas condenadas pelos tribunais.

Na primeira fase, aproximadamente 700 presos foram libertados em 1º de outubro. O governo afirma que as pessoas liberadas continuam sujeitas a supervisão e a condições rigorosas, podendo retornar à prisão em caso de descumprimento das regras.

Um porta-voz do governo afirmou, após a divulgação do caso de Wandsworth, que o sistema prisional herdado pelas autoridades estava próximo de entrar em colapso e que, sem medidas emergenciais, a própria capacidade da polícia de realizar prisões poderia ser comprometida.

Caso reacende debate sobre reincidência e supervisão

O episódio de Brent acrescenta um caso concreto ao debate sobre como o sistema de justiça deve administrar pessoas com histórico extenso de reincidência depois que elas deixam a prisão.

Neste caso específico, a resposta policial foi rápida: novas imagens de câmeras de segurança ajudaram a identificar o suspeito, agentes o localizaram e ele voltou à custódia poucos dias depois.

Para a Polícia Metropolitana, entretanto, o episódio representa um exemplo do custo adicional que uma nova infração pode gerar para as forças de segurança, além dos riscos para comerciantes, vítimas e comunidades.

O caso também evidencia uma das principais questões do novo modelo: a libertação antecipada não encerra a pena, mas transfere parte de seu cumprimento para a comunidade, onde o comportamento do condenado passa a ser acompanhado pela liberdade condicional e por outras medidas de controle.

A experiência dos próximos meses será, portanto, observada de perto pelas forças policiais, pelo sistema de liberdade condicional e pelas organizações que representam vítimas, enquanto o governo amplia gradualmente a aplicação das novas regras.

No caso de Wandsworth, a discussão ganhou uma dimensão particularmente imediata: o homem deixou a prisão no primeiro dia da nova política e, segundo a Polícia Metropolitana, voltou a cometer crimes já no dia seguinte.

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