A menos de duas semanas do primeiro turno, Lula e Flávio Bolsonaro concentram a disputa nas pesquisas. Os levantamentos mais recentes mostram vantagem numérica do atual presidente na primeira rodada, mas empate técnico em diferentes simulações de segundo turno.

A eleição presidencial brasileira entrou na reta decisiva com uma disputa muito mais equilibrada do que indicavam alguns levantamentos realizados no início da campanha.

Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição pelo Partido dos Trabalhadores, continua numericamente à frente de Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal, no primeiro turno. A distância, porém, diminuiu em diferentes pesquisas, enquanto os dois aparecem tecnicamente empatados em simulações de segundo turno.

O levantamento mais recente da AtlasIntel, realizado entre 17 e 22 de setembro, mostra Lula com 45,8% das intenções de voto no primeiro turno, contra 43,4% de Flávio Bolsonaro. Na simulação de segundo turno, Lula aparece com 47,7% e Flávio com 47,4% — uma diferença de apenas 0,3 ponto percentual, inferior à margem de erro de um ponto.

A pesquisa Quaest, realizada entre 17 e 20 de setembro, encontrou Lula com 37% e Flávio com 33% no primeiro turno. No segundo turno, porém, Flávio aparece numericamente à frente, com 42%, contra 41% de Lula. A margem de erro é de dois pontos percentuais.

Os números mostram, portanto, uma eleição competitiva, mas não permitem afirmar neste momento quem vencerá. Pesquisas de intenção de voto representam uma fotografia do momento em que são realizadas e estão sujeitas a oscilações até o dia da votação.

O que mudou nas pesquisas?

A aproximação entre Lula e Flávio Bolsonaro tornou-se mais evidente ao longo de setembro.

Na pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada em 17 de setembro, Flávio já aparecia numericamente à frente de Lula em uma simulação de segundo turno: 47,2% contra 46,8%. A nova rodada, divulgada nesta quarta-feira (23), inverteu novamente a posição numérica, mas manteve os dois dentro da margem de erro.

No primeiro turno, a distância também permanece relativamente curta. Na nova AtlasIntel, Lula tem 45,8%, seguido por Flávio, com 43,4%. Renan Santos aparece com 4,6%, Augusto Cury com 2,1%, Ronaldo Caiado com 1,3% e Romeu Zema com 0,9%.

A Quaest apresenta uma fotografia diferente em termos percentuais, mas chega a uma conclusão semelhante sobre o grau de competitividade: Lula lidera o primeiro turno por quatro pontos, enquanto Flávio passa à frente numericamente na simulação de segundo turno, dentro da margem de erro.

A pesquisa BTG Pactual/Nexus, divulgada em 21 de setembro, também mostrou Lula à frente no primeiro turno, com 40%, contra 37% de Flávio. No segundo turno, o resultado foi de 46% a 45% para Lula, igualmente configurando empate técnico.

O primeiro turno ainda não está definido

Apesar da concentração da disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro, o cenário eleitoral brasileiro não se resume aos dois candidatos.

O Tribunal Superior Eleitoral registrou 12 candidaturas à Presidência para a eleição de 2026. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro, e o segundo, caso nenhum candidato alcance a maioria necessária, será realizado em 25 de outubro.

A distribuição dos votos entre os demais candidatos pode ser especialmente relevante para a segunda etapa, caso Lula e Flávio confirmem a passagem para o segundo turno.

Renan Santos, da Missão, aparece atualmente como um dos nomes mais bem posicionados entre os demais candidatos. Na pesquisa AtlasIntel mais recente, ele tem 4,6% no primeiro turno.

Isso significa que uma parcela dos eleitores que hoje apoia outros candidatos poderá se tornar decisiva na segunda rodada. No entanto, não é possível presumir antecipadamente para qual candidato esses votos irão.

A economia pesa no humor do eleitor

A situação econômica também aparece entre os fatores que ajudam a explicar o ambiente eleitoral.

Análises recentes apontam que, apesar de indicadores positivos como a redução do desemprego e uma inflação relativamente controlada, existe insatisfação relacionada ao custo de vida, ao endividamento das famílias e aos preços de produtos essenciais.

A campanha de Flávio Bolsonaro tem explorado esse sentimento para criticar a política econômica do governo Lula e defender medidas voltadas à redução de impostos e ao estímulo ao investimento privado.

O governo, por sua vez, apresenta programas destinados à renegociação de dívidas e outras medidas econômicas como parte de sua estratégia para melhorar a renda e o consumo das famílias.

O efeito dessas políticas sobre a percepção dos eleitores é um dos elementos que a campanha presidencial tenta disputar nas últimas semanas antes da votação.

Flávio tenta se apresentar como uma alternativa ao pai

Um dos elementos centrais da campanha de Flávio Bolsonaro é a tentativa de construir uma imagem própria em relação ao pai, Jair Bolsonaro.

O senador procura se apresentar como uma figura mais moderada e articulada politicamente, estratégia que busca ampliar seu alcance para além do eleitorado tradicionalmente identificado com o bolsonarismo.

Essa tentativa é particularmente importante porque uma eventual segunda rodada exigiria a conquista de eleitores que não necessariamente apoiam o ex-presidente ou sua família.

Flávio Bolsonaro tem 45 anos, é formado em Direito e exerce mandato de senador pelo Rio de Janeiro desde 2019. Antes disso, foi deputado estadual no Rio de Janeiro por quatro mandatos.

Sua candidatura presidencial foi lançada pelo próprio Jair Bolsonaro no fim de 2025, depois que o ex-presidente foi condenado a 27 anos e três meses de prisão por crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado após a eleição de 2022.

O peso do eleitorado evangélico

O eleitorado evangélico é outro grupo importante para a campanha de Flávio Bolsonaro.

O crescimento das igrejas evangélicas transformou esse segmento em uma força eleitoral relevante no Brasil. Segundo dados do Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, os evangélicos representavam cerca de um quarto da população brasileira, um crescimento expressivo em relação às décadas anteriores.

O grupo, porém, não constitui um bloco eleitoral uniforme. Existem diferenças de posição política, renda, região, idade e comportamento eleitoral entre os diferentes segmentos evangélicos.

A campanha de Flávio busca manter a identificação com a direita e, simultaneamente, ampliar sua presença entre eleitores que podem rejeitar posições mais confrontadoras associadas ao seu pai.

Lula também enfrenta alta rejeição

O presidente chega à reta final com uma base eleitoral significativa, mas também com um nível elevado de rejeição.

Na pesquisa AtlasIntel divulgada nesta quarta-feira, 51,6% dos entrevistados disseram que não votariam em Lula de maneira alguma, enquanto 50,6% deram a mesma resposta em relação a Flávio Bolsonaro.

Os números ajudam a explicar uma característica importante da disputa: os dois principais candidatos possuem bases eleitorais fortes, mas também enfrentam resistência significativa entre eleitores que preferem o adversário.

A aprovação do governo Lula na mesma pesquisa foi de 45,4%, enquanto 53% desaprovaram sua administração.

A campanha entra na fase decisiva

A eleição presidencial brasileira chega agora a um momento em que pequenas oscilações podem alterar o equilíbrio entre os candidatos.

Lula continua numericamente à frente no primeiro turno nas principais pesquisas recentes, enquanto Flávio Bolsonaro reduziu a distância e aparece tecnicamente empatado com o presidente em diferentes cenários de segundo turno.

Ao mesmo tempo, a transferência de votos dos demais candidatos, o comportamento do eleitorado indeciso, a avaliação da economia e os níveis de rejeição dos dois principais nomes podem influenciar a configuração da disputa nas próximas semanas.

O primeiro turno será realizado em 4 de outubro. Caso seja necessário, os eleitores voltarão às urnas em 25 de outubro para escolher o presidente da República.

Até lá, os números das pesquisas poderão mudar. O que os levantamentos mais recentes mostram, por enquanto, é uma disputa aberta e altamente competitiva entre Lula e Flávio Bolsonaro.

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