Ocorrências atingiram instalações de Física, Biociências e pesquisa tecnológica entre 30 de setembro e 7 de outubro; Polícia Federal investiga as causas, mas não há confirmação de que os episódios estejam relacionados
A Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) registrou três incêndios em um intervalo de apenas oito dias no câmpus da Cidade Universitária, na Zona Oeste do Recife. As ocorrências aconteceram em 30 de setembro, 4 de outubro e 7 de outubro, atingindo instalações de diferentes áreas da instituição. Embora ninguém tenha ficado ferido, o terceiro incêndio provocou danos de grandes proporções e destruiu laboratórios que concentravam pesquisas científicas.
A sequência de incidentes mobilizou o Corpo de Bombeiros, a administração universitária e autoridades federais. A Polícia Federal investiga as causas do incêndio mais recente, enquanto a universidade trabalha para avaliar os prejuízos e organizar a recuperação das áreas atingidas.
Até o momento, não há confirmação de que os três incêndios tenham uma origem comum ou tenham sido provocados intencionalmente. As causas dos dois episódios mais recentes permanecem desconhecidas.
Primeiro incêndio ocorreu em laboratório de Física
O primeiro episódio foi registrado em 30 de setembro, em um laboratório de pesquisa do Departamento de Física, vinculado ao Centro de Ciências Exatas e da Natureza da UFPE.
De acordo com informações divulgadas pela universidade e repercutidas pela imprensa local, o fogo começou durante a manipulação de um produto químico em um forno mufla, equipamento utilizado para aquecer substâncias a temperaturas elevadas.
A hipótese inicial foi de que o incêndio tivesse começado acidentalmente durante o procedimento. Essa possibilidade, entretanto, não deve ser confundida com uma conclusão definitiva sobre a origem das chamas.
Funcionários tentaram controlar o fogo com extintores, mas foi necessário acionar o Corpo de Bombeiros. A ocorrência provocou danos no laboratório e na tubulação, além de exigir o desligamento da energia elétrica para que fossem realizadas avaliações e reparos. Ninguém ficou ferido.
Segundo caso atingiu laboratório de Biociências
Cinco dias depois, em 4 de outubro, um novo incêndio atingiu o Laboratório de Citogenética e Evolução Vegetal, localizado no Centro de Biociências da universidade.
O fogo ficou restrito à área afetada, mas provocou danos materiais. Entre os equipamentos atingidos, segundo informações divulgadas pela imprensa pernambucana, estavam um freezer e um aparelho de ar-condicionado.
O laboratório desenvolve pesquisas relacionadas à genética, à evolução das plantas e à análise de material biológico, incluindo trabalhos com técnicas moleculares e sequenciamento de DNA.
A universidade não havia divulgado uma causa conclusiva para esse segundo incêndio. Também não foram apresentadas evidências que permitissem relacioná-lo ao episódio registrado anteriormente no Departamento de Física.
Terceiro incêndio destruiu laboratórios de pesquisa
O episódio mais grave ocorreu na noite de 7 de outubro, quando um incêndio atingiu o antigo prédio da Diretoria de Inovação e Empreendedorismo (Dine), no câmpus Recife.
As chamas começaram por volta das 20h e se espalharam rapidamente. O Corpo de Bombeiros foi acionado e mobilizou equipes para controlar o fogo e impedir que ele alcançasse outras áreas.
O edifício abrigava laboratórios e estruturas de pesquisa nas áreas de fármacos, genética, informática e inovação terapêutica. Entre os estudos desenvolvidos no local estavam projetos relacionados a doenças como câncer e Covid-19, além de pesquisas em outras áreas científicas.
A intensidade do incêndio provocou a destruição do pavimento superior do prédio. A universidade também informou que equipamentos, amostras e dados científicos foram afetados.
Segundo o reitor da UFPE, Alfredo Macedo Gomes, o prejuízo pode chegar a R$ 100 milhões, considerando equipamentos, insumos, materiais e estruturas danificadas. A estimativa ainda depende de uma avaliação detalhada.
O impacto vai além dos danos físicos. De acordo com informações divulgadas pela reitoria, entre 80 e 100 estudantes de iniciação científica, mestrado e doutorado foram afetados pela perda de materiais e resultados acumulados durante suas pesquisas. Parte dos dados destruídos correspondia a trabalhos desenvolvidos ao longo de muitos anos.
Polícia Federal investiga as causas
A repetição de incêndios em um período tão curto levou a universidade a solicitar a participação da Polícia Federal na apuração do caso mais recente.
A investigação deverá esclarecer como o fogo começou e se houve algum fator externo envolvido. A possibilidade de incêndio criminoso está entre as hipóteses investigadas, mas não há confirmação de que tenha ocorrido um crime.
Mensagens que supostamente conteriam ameaças e circularam nas redes sociais também foram mencionadas em reportagens sobre o caso. Até o momento, porém, não foi estabelecida uma relação comprovada entre essas mensagens e os incêndios. A autenticidade e o significado das alegações não devem ser tratados como fatos confirmados.
A perícia no prédio atingido em 7 de outubro precisou ser interrompida em 8 de outubro, após uma avaliação indicar riscos estruturais. Segundo informações publicadas pela Folha de S.Paulo, será necessário escorar partes da construção antes que os peritos possam retomar os trabalhos com segurança.
A medida é necessária para permitir a inspeção do imóvel sem expor os profissionais a riscos de desabamento. Enquanto isso, a determinação da origem do fogo permanece pendente.
Governo anuncia apoio para recuperar a estrutura
Após o incêndio de maiores proporções, o Ministério da Educação informou que acompanharia a situação e prestaria apoio à universidade. A Advocacia-Geral da União também organizou uma força-tarefa para oferecer suporte jurídico à instituição e acompanhar as medidas relacionadas à investigação e à recuperação do patrimônio público.
Em 9 de outubro, a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, anunciou um aporte de R$ 40 milhões para a compra de novos equipamentos destinados à UFPE. O anúncio ocorreu após a destruição dos laboratórios e a avaliação inicial dos prejuízos.
O Ministério da Educação também havia anunciado recursos para a recuperação das instalações, a continuidade das pesquisas e a aquisição de equipamentos. As medidas buscam reduzir os efeitos do incêndio sobre estudantes, professores e pesquisadores, embora a reconstrução e a reposição de materiais científicos possam exigir tempo.
A universidade precisa agora avaliar quais instalações poderão ser recuperadas, identificar os equipamentos perdidos e definir como as equipes afetadas poderão retomar suas atividades. Em pesquisas que dependem de amostras biológicas, registros experimentais ou dados acumulados durante anos, a perda pode não ser totalmente reversível.
Universidade aguarda esclarecimentos
Os três incêndios ocorreram em instalações distintas da UFPE e em um intervalo de oito dias. Apesar da proximidade temporal, as informações divulgadas até agora não permitem afirmar que exista uma ligação entre os episódios.
A primeira ocorrência teve uma hipótese inicial relacionada a um procedimento realizado em laboratório. No segundo e no terceiro casos, as causas ainda precisam ser esclarecidas pelas investigações.
Além da apuração sobre a origem das chamas, a universidade enfrenta o desafio de dimensionar as perdas materiais e científicas e garantir a continuidade das atividades acadêmicas.
O caso mais recente provocou danos expressivos e comprometeu pesquisas desenvolvidas por estudantes e profissionais da instituição. A expectativa é que os exames periciais e as investigações das autoridades ajudem a esclarecer as circunstâncias do incêndio e a determinar se os episódios anteriores têm alguma relação com o ocorrido em 7 de outubro.