Connor Bell, de 17 anos, morreu dois dias depois de ser atingido na cabeça por um disparo acidental de uma arma de pressão durante uma reunião entre amigos em Chineham, no condado de Hampshire, na Inglaterra. O caso foi analisado em um inquérito judicial realizado nesta quarta-feira, 14 de outubro, em Winchester. A conclusão do legista foi de morte acidental, em uma tragédia que levantou alertas sobre os riscos do manuseio de armas sem treinamento e sob efeito de bebidas alcoólicas.
O episódio ocorreu em 8 de novembro de 2025, na residência de um amigo de Connor. Segundo os depoimentos apresentados durante o inquérito, os adolescentes consumiam bebidas alcoólicas e utilizavam uma carabina de pressão para atirar em alvos no jardim da propriedade.
Durante a reunião, Jack Beechey, que tinha 17 anos na época e atualmente tem 18, disparou acidentalmente a arma enquanto tentava acionar o mecanismo de segurança. O projétil atingiu Connor na região da órbita do olho direito e penetrou seu crânio, provocando uma lesão cerebral grave.
O jovem foi levado ao Hospital Geral de Southampton, mas morreu em 10 de novembro de 2025, em consequência dos ferimentos.
Arma foi manuseada durante reunião com consumo de álcool
O inquérito realizado no Tribunal de Winchester ouviu relatos sobre as circunstâncias em que a arma foi retirada do local onde deveria estar guardada e passou a ser utilizada pelos adolescentes.
A carabina pertencia à família de Joshua Brown, outro amigo do grupo. O pai dele, Martin Brown, afirmou em depoimento que havia comprado a arma cerca de três semanas antes do incidente e mostrado ao filho como utilizá-la, ressaltando que ela nunca deveria ser apontada para outra pessoa.
Segundo o relato apresentado ao tribunal, a arma deveria permanecer guardada em um armário sob a escada enquanto os pais de Joshua estivessem fora de casa naquele fim de semana. O pai havia permitido que o filho recebesse alguns amigos, mas não autorizara o uso do equipamento.
Um dos adolescentes presentes, Sam King-Wood, contou que a carabina estava sobre o balcão da cozinha quando o grupo chegou. Ele afirmou que Joshua a manuseava e apontava para outras pessoas de maneira aparentemente descontraída.
Os depoimentos também indicaram que Connor havia consumido vodca e estava bastante embriagado. Em determinado momento, alguns dos jovens foram para a área envidraçada da casa, de onde passaram a disparar contra alvos no jardim.
Disparo aconteceu quando amigo tentou acionar a trava de segurança
Jack Beechey relatou ao tribunal que também havia consumido bebidas alcoólicas naquela noite. Segundo seu depoimento, depois que Joshua pediu que ele guardasse a arma em seu estojo, ele percebeu que ainda havia projéteis no carregador e decidiu dispará-los antes de guardar o equipamento.
Depois de atirar no jardim, Beechey voltou para a cozinha. Ao tentar acionar o mecanismo de segurança, com Connor ao seu lado, confundiu a posição do dispositivo com o gatilho e disparou acidentalmente.
Durante o inquérito, o legista Jason Pegg explicou que o mecanismo de segurança ficava imediatamente à frente do gatilho. Ao colocar o dedo no componente errado, Beechey acionou o disparo enquanto a arma estava apontada na direção de Connor.
O projétil entrou pelo lado direito da cabeça do adolescente e provocou danos cerebrais irreversíveis. O legista destacou a gravidade das consequências e observou que a potência da arma foi suficiente para causar uma lesão fatal.
Ao concluir o inquérito, Pegg classificou a morte como acidental. Ele também ressaltou os riscos envolvidos quando jovens sem experiência adequada manuseiam armas durante encontros em que há consumo de álcool.
Polícia não adotará novas medidas contra o adolescente
Após o incidente, a polícia de Hampshire prendeu Beechey sob suspeita de causar lesões corporais graves com intenção. Posteriormente, ele foi liberado e não será alvo de novas medidas judiciais, após consultas entre a polícia, o Serviço de Promotoria da Coroa e a família de Connor.
A decisão de não prosseguir com o caso foi confirmada pela polícia após a conclusão do inquérito. A classificação da morte como acidental pelo legista não equivale, por si só, a uma decisão sobre responsabilidade criminal, que depende de procedimentos e critérios jurídicos próprios.
Família presta homenagem e destaca doação de órgãos
Em uma declaração divulgada após o inquérito, a família descreveu Connor como um jovem muito querido, esportista e cercado por amigos. Seus familiares afirmaram que a perda foi devastadora e lembraram sua personalidade bem-humorada, generosa e carinhosa.
Seu pai, Robert Bell, contou que o filho gostava especialmente de futebol e costumava reunir os amigos para praticar esportes ou passar tempo juntos. Connor também fazia um curso relacionado à área esportiva e havia realizado uma experiência profissional em um centro de lazer em Tadley, onde recebeu a perspectiva de retornar depois de concluir sua formação.
A família também agradeceu aos amigos que realizaram manobras de reanimação cardiopulmonar no local do acidente. Apesar da gravidade dos ferimentos, os esforços contribuíram para que Connor pudesse ser doador de órgãos, ajudando a salvar outras vidas. Em reconhecimento à doação, ele recebeu uma homenagem da Ordem de São João.
Os familiares aproveitaram a conclusão do inquérito para alertar sobre os perigos das armas de pressão. Eles defenderam que esses equipamentos sejam armazenados de forma segura e utilizados somente por pessoas com conhecimento e treinamento adequados.
A morte de Connor evidencia como uma sequência de decisões aparentemente informais pode terminar em consequências irreversíveis. O caso também reforça a importância de manter armas fora do alcance de pessoas não autorizadas e de nunca manuseá-las sob efeito de álcool.