Manifestações pró-Palestina e atos de apoio à comunidade judaica marcaram nesta quarta-feira, 7 de outubro, o terceiro aniversário dos ataques do Hamas contra Israel. Em Londres, os protestos foram acompanhados por confrontos entre manifestantes e contramanifestantes e terminaram com 11 prisões realizadas pela Polícia Metropolitana.

O episódio mais grave ocorreu durante uma manifestação espontânea em frente à sede do Conselho de Deputados dos Judeus Britânicos, em Camden, no norte de Londres. Segundo a Polícia Metropolitana, cinco pessoas foram presas sob suspeita de incitação ao ódio racial após gritos e cânticos que, de acordo com os agentes, incluíam chamados à “intifada”.

A polícia informou que os cinco permaneceram sob custódia e que a manifestação em Camden foi encerrada. O órgão representativo da comunidade judaica britânica havia organizado uma vigília em Londres para lembrar as vítimas dos ataques de 7 de outubro de 2023.

Cerca de 100 pessoas participaram de marcha no centro de Londres

No centro da capital, aproximadamente 100 manifestantes participaram de uma marcha pró-Palestina que saiu de Lincoln’s Inn Fields em direção a Russell Square. O grupo percorreu parte da região central entoando palavras de ordem em defesa da Palestina.

Entre os cartazes exibidos estava uma faixa com a mensagem de que descendentes de sobreviventes do Holocausto se opõem ao que classificavam como genocídio em Gaza.

A manifestação havia sido organizada por estudantes e grupos universitários, apesar dos apelos das autoridades e de representantes da comunidade judaica para que os protestos fossem transferidos para outra data.

A Polícia Metropolitana havia imposto condições rigorosas para a realização da marcha. Os participantes deveriam se reunir em Lincoln’s Inn Fields até 12h30, seguir uma rota previamente determinada até Russell Square e encerrar o ato às 14h, quando deveriam deixar a região.

Também foi proibido o uso de coberturas faciais que escondessem a identidade dos participantes.

A corporação afirmou que não tinha base legal suficiente para simplesmente proibir a manifestação, mas pediu aos organizadores que reconsiderassem a realização do ato justamente no aniversário dos ataques.

Contramanifestantes também se reuniram em Russell Square

Enquanto a marcha pró-Palestina avançava, contramanifestantes se concentraram nas proximidades de Russell Square portando bandeiras de Israel.

Houve provocações e troca de palavras entre os dois grupos. Testemunhas relataram gritos dirigidos aos manifestantes pró-Palestina, enquanto contramanifestantes também entoavam palavras de ordem acusando os participantes de apoiar o terrorismo.

A maior parte dos dois grupos já havia deixado a área por volta das 14h. No entanto, a tensão continuou em outros pontos do centro de Londres.

Três estudantes foram vistos sendo detidos e colocados em uma van policial nas proximidades da estação de metrô de Tottenham Court Road depois que as principais manifestações já haviam praticamente terminado.

Segundo a Polícia Metropolitana, cinco pessoas foram presas durante a marcha estudantil por violarem as condições impostas para o protesto. Uma delas foi detida especificamente por não retirar uma cobertura facial após receber ordem de um policial.

Ao todo, a corporação contabilizou 11 prisões relacionadas às diferentes manifestações realizadas na capital durante o dia.

Polícia utilizou poderes para retirar máscaras

A Polícia Metropolitana afirmou que agentes conversaram com um grande número de participantes para informar sobre uma determinação baseada na seção 60AA da Lei de Justiça Criminal e Ordem Pública, que permite exigir a retirada de objetos utilizados para ocultar a identidade em determinadas circunstâncias.

A corporação disse que a maioria dos manifestantes retirou as coberturas após ser advertida.

A utilização desse mecanismo ganhou importância durante a operação porque a polícia havia alertado que pessoas que descumprissem as condições estabelecidas poderiam ser presas.

Além das prisões relacionadas à marcha estudantil e ao protesto em Camden, a polícia também registrou uma detenção durante um contraprotesto em Holborn.

Os agentes permaneceram mobilizados ao longo da tarde para proteger uma vigília organizada pelo Conselho de Deputados dos Judeus Britânicos em Richmond Terrace, próxima à região de Whitehall. A corporação afirmou que adotaria uma postura de tolerância zero diante de possíveis crimes de ódio direcionados contra os participantes da cerimônia.

Manifestação espontânea também ocorreu em Westminster

Mais tarde, um pequeno grupo de aproximadamente seis pessoas realizou uma manifestação espontânea na região de Marsham Street, em Westminster. Policiais compareceram ao local e o grupo acabou deixando a área.

O cenário refletiu a tensão que marcou Londres ao longo do dia, com atos de diferentes posições sobre o conflito entre Israel e Hamas ocorrendo em locais relativamente próximos.

As autoridades britânicas haviam demonstrado preocupação especial com a coincidência entre as manifestações e o aniversário dos ataques de 2023, considerado uma data de grande significado para a comunidade judaica.

Andy Burnham promete combater o antissemitismo

Enquanto as manifestações aconteciam, o primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, publicou uma mensagem destinada à comunidade judaica do país.

Em declaração divulgada pelo governo, Burnham afirmou que os ataques de 7 de outubro tiveram impacto não apenas em Israel, mas também sobre comunidades judaicas em diferentes partes do mundo. Ele também reconheceu um aumento preocupante do antissemitismo no Reino Unido nos últimos anos.

“Estamos com vocês”, afirmou Burnham ao se dirigir à comunidade judaica britânica, acrescentando que abusos e violência contra judeus não serão tolerados nas ruas, na internet, nas escolas ou nas universidades.

O governo britânico informou ainda que mantém financiamento para reforçar a segurança de sinagogas, escolas e edifícios comunitários judaicos.

A mensagem foi divulgada no mesmo dia em que a Polícia Metropolitana realizava prisões relacionadas a protestos em Londres.

Aumento dos casos de antissemitismo

O aniversário dos ataques ocorre em meio a um cenário de crescente preocupação com o antissemitismo no Reino Unido.

Dados do Conselho de Segurança da Comunidade Judaica, organização que monitora incidentes antissemitas no país, apontaram 1.926 ocorrências entre janeiro e junho de 2026, cerca de 20% acima do registrado no mesmo período do ano anterior.

O número foi o segundo maior registrado para os primeiros seis meses de um ano desde o início da série histórica. O recorde para o período permanece com 2024, quando foram contabilizados 2.019 incidentes, após os ataques de 7 de outubro de 2023 e o início da guerra em Gaza.

A preocupação com a segurança da comunidade judaica ganhou ainda mais peso após episódios recentes de violência e ameaças contra pessoas e instituições judaicas no Reino Unido.

Terceiro aniversário dos ataques

Os protestos ocorreram exatamente três anos depois do ataque liderado pelo Hamas contra comunidades e localidades do sul de Israel, em 7 de outubro de 2023.

Naquele dia, aproximadamente 1.200 pessoas foram mortas, em sua maioria civis, e 251 pessoas foram levadas como reféns para Gaza, segundo dados amplamente registrados por autoridades israelenses e organizações internacionais.

O ataque desencadeou a guerra em Gaza, que provocou dezenas de milhares de mortes palestinas e uma devastadora crise humanitária. Segundo o Ministério da Saúde de Gaza, administrado pelo governo liderado pelo Hamas, o número de palestinos mortos no conflito já havia ultrapassado 74 mil.

A diferença entre as interpretações sobre os acontecimentos de 7 de outubro e sobre a guerra que se seguiu ficou evidente nas ruas de Londres nesta quarta-feira.

Enquanto a comunidade judaica realizava cerimônias para lembrar as vítimas do ataque e denunciar o antissemitismo, grupos pró-Palestina utilizaram a data para chamar atenção para a situação em Gaza e defender a causa palestina.

A Polícia Metropolitana afirmou que continuará investigando as ocorrências registradas durante os protestos e avaliando eventuais crimes cometidos ao longo do dia.

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