London bridge

Uma área de alta pressão deve trazer dias mais secos, ensolarados e quentes para grande parte do país, especialmente para o sul da Inglaterra e Londres. O calor, porém, chega em meio a uma das piores crises de seca dos últimos anos.

O verão ainda pode ter um último capítulo no Reino Unido. Depois de meses marcados por temperaturas excepcionais, ondas de calor e uma grave crise hídrica, uma nova mudança nas condições atmosféricas deve levar temperaturas próximas dos 26°C a algumas regiões do país na próxima semana.

Segundo a previsão mais recente do Met Office, o serviço meteorológico britânico, uma área de alta pressão deve se fortalecer sobre o Reino Unido depois de algumas chuvas residuais no domingo e na segunda-feira. O resultado será uma sequência de dias progressivamente mais secos, estáveis e ensolarados.

As temperaturas devem subir de maneira gradual, e não em uma explosão repentina de calor. As regiões do sul da Inglaterra têm maior probabilidade de registrar os valores mais elevados, enquanto outras partes do país também devem experimentar temperaturas acima da média para esta época do ano.

Londres pode passar dos 23°C

Londres está entre as áreas que devem sentir com mais intensidade o retorno temporário do calor.

A previsão indica que segunda e terça-feira poderão ser os dias mais quentes na capital, com temperaturas superiores a 23°C. Durante a noite, os termômetros devem permanecer próximos dos 20°C.

A tendência, porém, é de temperaturas ainda mais elevadas no decorrer da semana. De acordo com o Met Office, os maiores valores são esperados principalmente no sul do Reino Unido, onde as máximas podem chegar à faixa dos 20°C altos no fim da próxima semana.

A mudança está relacionada a alterações na circulação atmosférica sobre o Atlântico. Uma área de baixa pressão a oeste do Reino Unido deverá contribuir para direcionar ar mais quente vindo da Europa continental e do Atlântico subtropical.

A baixa pressão não deve avançar diretamente sobre as Ilhas Britânicas. Em vez disso, a configuração atmosférica favorece a formação de uma área de alta pressão sobre o Reino Unido, criando condições mais estáveis.

Um último gostinho de verão antes do outono

O Met Office considera que o período poderá representar uma das últimas oportunidades de calor significativo antes que o outono se estabeleça de maneira mais consistente.

A previsão atual indica que as temperaturas devem aumentar progressivamente, acompanhadas por períodos mais longos de sol. No norte, a confiança na previsão é menor e algumas regiões, especialmente o noroeste da Escócia, podem continuar com condições mais instáveis.

Embora os valores previstos sejam elevados para a segunda metade de setembro, ainda não é possível afirmar que haverá uma nova onda de calor oficial. Isso depende dos limites de temperatura estabelecidos para cada região e da duração do período quente.

O próprio Met Office afirma que a possibilidade de uma última onda de calor antes do fim do mês não está descartada, mas o cenário mais claro neste momento é de um período mais quente, seco e estável.

O contraste com uma grave crise de seca

O retorno do calor ocorre justamente quando a Inglaterra enfrenta uma situação crítica de abastecimento de água.

Dados atualizados pela Agência Ambiental mostram que os reservatórios ingleses estavam com apenas 56,9% da capacidade na semana encerrada em 8 de setembro, quase 20 pontos percentuais abaixo da média para esta época do ano. Doze reservatórios ou grupos de reservatórios estavam com menos da metade da capacidade.

A situação levou o governo, a Agência Ambiental e as empresas de abastecimento a intensificarem os preparativos para o outono e o inverno. Uma análise apresentada ao Grupo Nacional de Seca indica que será necessária uma quantidade de chuva acima da média durante vários meses para que as regiões afetadas consigam sair da situação de seca até a primavera de 2027.

Segundo as projeções mais recentes, a Inglaterra precisa de aproximadamente 120% da chuva habitual entre setembro e março para que todas as regiões consigam recuperar as reservas e deixar a situação de seca até a primavera.

Isso significa que alguns dias de chuva ou uma mudança temporária no tempo não serão suficientes para reverter os efeitos de meses de condições excepcionalmente secas.

Um verão de calor extremo

A chegada de mais uma sequência de temperaturas elevadas também prolonga um ano meteorológico marcado pelo calor excepcional.

A Agência de Segurança Sanitária do Reino Unido estimou que 2.877 mortes estiveram associadas às ondas de calor de maio e junho de 2026 na Inglaterra. Foram 753 mortes associadas ao episódio de maio e outras 2.124 ao período de calor registrado em junho. Os números são provisórios e as estimativas finais para o verão completo serão divulgadas posteriormente.

O episódio de junho também levou à emissão de um alerta vermelho de saúde relacionado ao calor, apenas a segunda vez que o nível máximo do sistema de alerta foi utilizado na Inglaterra.

O impacto do calor não se limitou à saúde. O período prolongado de tempo seco provocou pressão sobre os reservatórios, rios, solos, agricultura e ecossistemas, enquanto diversas regiões passaram a adotar medidas para reduzir o consumo de água.

Calor e seca no fim de setembro

O novo período quente, portanto, chega com uma característica contraditória: pode proporcionar alguns dos últimos dias agradáveis do verão britânico, mas também prolongar as condições que contribuíram para a crise hídrica.

Para Londres e o sul da Inglaterra, a previsão aponta para dias ensolarados e temperaturas que podem superar os 23°C e chegar perto dos 26°C. No restante do país, a intensidade do aquecimento deverá variar.

Por enquanto, o Met Office recomenda cautela ao classificar o episódio como uma nova onda de calor. O cenário mais provável é de uma última sequência de tempo quente e estável antes do avanço definitivo do outono.

E, para a Inglaterra, permanece uma necessidade bem menos agradável: depois de um verão excepcionalmente seco, serão necessários muitos meses de chuva acima da média para que a situação dos reservatórios e da seca volte ao normal.

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