Taxa de desemprego recuou 0,8 ponto percentual no segundo trimestre de 2026 e chegou ao menor nível desde o início da série estatística, em 2011. Número de pessoas empregadas também atingiu o maior patamar em mais de 15 anos.
Portugal registrou uma forte melhora nos principais indicadores do mercado de trabalho no segundo trimestre de 2026. A taxa de desemprego caiu para 5,3% entre abril e junho, o menor nível registrado desde o início da atual série estatística, em 2011, segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).
O resultado representa uma queda de 0,8 ponto percentual em relação ao primeiro trimestre de 2026 e de 0,6 ponto percentual na comparação com o mesmo período do ano passado.
A evolução foi acompanhada por um aumento expressivo da população empregada, que chegou a 5,3998 milhões de pessoas. O número cresceu 1,9% em relação ao trimestre anterior, equivalente a mais 99 mil pessoas, e 2,9% na comparação anual, com um acréscimo de 151,5 mil trabalhadores.
De acordo com o INE, esse foi o maior número de pessoas empregadas desde o primeiro trimestre de 2011.
Número de desempregados também diminui
Ao mesmo tempo em que o emprego avançou, o número de pessoas desempregadas caiu para 300,8 mil no segundo trimestre.
A redução foi de 13,1%, ou 45,5 mil pessoas, em relação aos três primeiros meses do ano. Na comparação com o segundo trimestre de 2025, houve uma queda de 8,7%, equivalente a 28,7 mil pessoas.
A redução anual do desemprego foi especialmente significativa entre alguns grupos da população.
Entre as mulheres, o número de desempregadas caiu em 18 mil pessoas, uma redução de 10%. Entre os trabalhadores de 25 a 34 anos, a queda chegou a 17,3 mil pessoas, ou 19,1%.
Também houve redução entre pessoas com escolaridade de até o terceiro ciclo do ensino básico, entre aqueles que procuravam um novo emprego e tanto entre os desempregados há menos de 12 meses quanto entre os que estavam nessa situação havia um ano ou mais.
Desemprego entre jovens permanece mais elevado
Apesar da melhora geral do mercado de trabalho, o desemprego entre os jovens continua significativamente acima da média nacional.
A taxa de desemprego entre pessoas de 16 a 24 anos ficou em 18,3% no segundo trimestre. O indicador caiu 0,8 ponto percentual em relação ao primeiro trimestre, mas ainda ficou 0,2 ponto percentual acima do registrado no mesmo período de 2025.
O dado mostra que a redução do desemprego em Portugal não ocorreu de maneira uniforme entre todas as faixas etárias.
Menos pessoas em situação de subutilização do trabalho
Outro indicador acompanhado pelo INE apresentou uma evolução positiva. A chamada subutilização do trabalho atingiu 525,8 mil pessoas no segundo trimestre, 62,2 mil a menos do que no trimestre anterior e 47,3 mil abaixo do registrado um ano antes.
A taxa de subutilização do trabalho ficou em 9,1%, uma redução de 1,1 ponto percentual em relação ao primeiro trimestre e de 1 ponto percentual na comparação anual.
Tanto o número de pessoas afetadas quanto a taxa atingiram os menores níveis desde 2011.
Esse indicador é mais amplo do que a taxa tradicional de desemprego, pois considera pessoas que possuem algum tipo de necessidade não atendida de trabalho, além dos desempregados.
População inativa também recua
O levantamento do INE aponta ainda uma redução da população com 16 anos ou mais que estava fora do mercado de trabalho.
No segundo trimestre, eram 3,7121 milhões de pessoas inativas, 26,7 mil a menos do que no trimestre anterior e 40,9 mil a menos do que no mesmo período de 2025.
A redução da população inativa ocorreu ao mesmo tempo em que aumentou o número de pessoas empregadas, contribuindo para uma participação maior da população no mercado de trabalho.
Portugal se destaca entre os países da União Europeia
Os dados portugueses também aparecem em um contexto favorável dentro da União Europeia.
Segundo o Eurostat, Portugal registrou aumento de 1% no número de pessoas empregadas entre o primeiro e o segundo trimestre de 2026, um dos maiores crescimentos entre os países do bloco. No mesmo período, o emprego avançou 0,1% tanto na União Europeia quanto na zona do euro.
Em outro indicador, Portugal e Malta registraram o maior aumento da taxa de emprego entre os países da União Europeia que apresentaram crescimento no período: 0,6 ponto percentual entre o primeiro e o segundo trimestre.
Na comparação internacional, a taxa de desemprego portuguesa de 5,3% também ficou abaixo das taxas registradas na União Europeia e na zona do euro no segundo trimestre, que estavam em 5,8%, segundo o Eurostat.
Um mercado de trabalho em transformação
Os números do segundo trimestre mostram um mercado de trabalho português com mais pessoas empregadas, menos desempregados e uma redução da parcela da população com necessidade não atendida de trabalho.
O resultado também deve ser observado em conjunto com o desempenho econômico do país. O Produto Interno Bruto português cresceu 2,5% em relação ao segundo trimestre de 2025 e 0,8% na comparação com os três primeiros meses de 2026, segundo o INE.
Ainda assim, alguns desafios permanecem, especialmente entre os trabalhadores mais jovens, cuja taxa de desemprego continua muito acima da média nacional.
O segundo trimestre de 2026, portanto, marca um ponto importante para o mercado de trabalho português: a taxa de desemprego chegou ao menor nível da série iniciada em 2011, enquanto o número de pessoas empregadas alcançou o maior patamar desde o início da década passada.