Yeray Sanchez Morales foi atacado ao lado de um amigo em Old Kent Road, no sudeste de Londres, em agosto de 2025. Ele morreu uma semana depois, após sofrer nove ferimentos no pescoço e no peito. Investigadores utilizaram imagens de celulares, câmeras de segurança, publicações nas redes sociais e provas de DNA para identificar os envolvidos.
Dois adolescentes foram condenados à prisão pela morte de Yeray Sanchez Morales, de 17 anos, que foi esfaqueado durante um ataque ocorrido em frente a um restaurante McDonald’s no sudeste de Londres.
O crime aconteceu na noite de 27 de agosto de 2025, quando Yeray estava sentado com um amigo do lado de fora do estabelecimento localizado na Old Kent Road, em Southwark. Um grupo de jovens se aproximou dos dois e iniciou a agressão.
Yeray sofreu nove ferimentos provocados por golpes de faca no pescoço e no peito. Ele também foi atingido com uma garrafa durante o ataque. Levado ao hospital, morreu em 3 de setembro, uma semana após a agressão.
O amigo que estava com ele sobreviveu ao ataque e afirmou aos investigadores que nenhum dos dois sabia por que havia sido escolhido como alvo.
Dois jovens recebem quatro anos de prisão
O processo terminou com condenações de sete pessoas por diferentes crimes relacionados às circunstâncias que envolveram a morte de Yeray.
Christhofer Jesus Vasquez, de 18 anos, morador de Enfield, e Andres Tapia Londono, também de 18 anos, de Haringey, foram considerados culpados de homicídio culposo e condenados a quatro anos de prisão cada um.
Vasquez também havia se declarado culpado, em janeiro, de posse de arma branca e recebido anteriormente uma pena de um ano por esse crime. A sentença será cumprida simultaneamente à pena de quatro anos pelo homicídio culposo.
Isaac Ros Ramirez, de 18 anos, morador de Hackney, e Juan Betancourt Hoyos, de 21 anos, de Haringey, foram considerados culpados de desordem violenta e receberam ordens de cumprimento de medidas comunitárias.
Três adolescentes de 16 anos também foram condenados por desordem violenta. Um recebeu 16 meses de prisão, outro recebeu uma ordem de reabilitação juvenil de 12 meses, enquanto o terceiro, que já havia se declarado culpado de outros crimes relacionados a uma segunda vítima, recebeu uma ordem comunitária.
A Polícia Metropolitana ressaltou que nenhum dos acusados foi condenado por assassinato. As duas principais condenações foram por homicídio culposo, uma classificação jurídica diferente de assassinato no sistema penal da Inglaterra e do País de Gales.
Investigação reuniu imagens de celulares, câmeras e redes sociais
Depois da morte de Yeray, os investigadores procuraram os adolescentes que haviam presenciado o ataque.
Por meio de apelos públicos, a polícia conseguiu obter gravações feitas por celulares naquela noite. Os investigadores cruzaram esse material com imagens de câmeras de segurança da região para reconstruir os deslocamentos dos envolvidos.
A análise das gravações permitiu identificar diferentes pessoas e estabelecer seus movimentos antes e depois da agressão. Os detetives também compararam as roupas vistas nas imagens com as utilizadas pelos suspeitos para determinar a participação de cada um.
Durante a investigação, os policiais encontraram ainda publicações nas redes sociais contendo imagens de mãos ensanguentadas e facas. O material foi incorporado às evidências utilizadas para reconstruir os acontecimentos.
Táxi e DNA ajudaram a ligar os envolvidos ao crime
Outras evidências foram encontradas durante o trabalho dos investigadores.
Um dos adolescentes de 16 anos havia reservado um táxi para deixar o local pouco depois do ataque. A informação ajudou a polícia a reconstruir seus movimentos após a agressão.
A perícia também encontrou uma evidência de DNA que vinculou um dos envolvidos ao ataque. O material genético foi identificado na borda de uma garrafa que havia sido usada para agredir Yeray.
A combinação de imagens de celulares, câmeras de segurança, publicações nas redes sociais, registros de deslocamento e evidências forenses permitiu aos investigadores estabelecer a participação dos acusados nos acontecimentos.
Yeray sonhava em ser professor de educação física
A família descreveu Yeray como um jovem sensível, alegre, educado e generoso.
Sua mãe, Elena Morales, afirmou que o filho tinha apenas 17 anos quando sua vida foi interrompida de forma violenta. Segundo ela, Yeray estava sempre disposto a ajudar quem precisasse e tinha uma maneira especial de se relacionar com outras pessoas.
O jovem adorava dançar e cantar. Ele havia acabado de concluir o primeiro ano de um curso de ciências do esporte e sonhava em se tornar professor de educação física.
“Yeray tinha toda a vida pela frente”, afirmou a mãe, lembrando que o filho estava apaixonado e tinha muitos sonhos e projetos para o futuro.
Elena Morales também relatou que a morte deixou uma ferida profunda na família e nos amigos. Segundo ela, a ausência do filho é sentida diariamente, especialmente em aniversários e reuniões familiares.
“Sua vida foi cruelmente interrompida”
A investigação foi conduzida pela detetive sargento Debbie Barge, que destacou a colaboração dos jovens que testemunharam o ataque.
Segundo a policial, Yeray era apenas um adolescente com toda a vida pela frente quando morreu em um ato de violência que chocou profundamente a comunidade.
A Polícia Metropolitana agradeceu aos jovens que presenciaram o ataque e decidiram colaborar com as autoridades, inclusive fornecendo imagens registradas naquela noite. Esse material foi fundamental para ajudar os investigadores a reconstruir os acontecimentos e identificar os envolvidos.
O ataque ocorreu em uma área movimentada da Old Kent Road e diante de várias pessoas. Após a morte de Yeray, a polícia realizou diversos apelos para localizar testemunhas e obter imagens de celulares, câmeras de veículos e sistemas de vigilância que pudessem ajudar a esclarecer o caso.
Para a família de Yeray, nenhuma condenação pode reparar a perda de um jovem de apenas 17 anos. As decisões judiciais, porém, encerram uma investigação que começou naquela noite de agosto de 2025 e que reuniu imagens, depoimentos e provas forenses para reconstruir os acontecimentos que terminaram com sua morte.