Agentes armados foram chamados após relatos de que um homem ameaçava uma mulher com uma faca; uma investigação independente foi aberta para apurar o uso da força policial
Um homem foi baleado pela polícia e sofreu ferimentos que podem mudar sua vida após uma mulher ser esfaqueada dentro de uma propriedade em Luton, no condado de Bedfordshire, no Reino Unido.
O incidente aconteceu na tarde de terça-feira, 8 de setembro, em Cardigan Street. A polícia foi chamada por volta das 12h50 após receber informações de que um homem estaria ameaçando uma mulher com uma faca.
Agentes de resposta armada foram enviados ao endereço. Durante a intervenção, um policial disparou quatro vezes, enquanto outro utilizou uma munição de impacto de bastão. Segundo o órgão independente que fiscaliza a atuação policial, os disparos e o projétil aparentemente atingiram o homem uma vez no braço e outra na perna.
O homem recebeu primeiros socorros no local e foi levado ao hospital. Seus ferimentos foram classificados como graves e capazes de provocar mudanças permanentes em sua vida, mas não representam risco de morte. Ele permanece sob custódia policial no hospital.
A mulher envolvida na ocorrência também foi levada para atendimento médico depois de sofrer ferimentos provocados por uma faca. Seu estado de saúde não é considerado grave ou potencialmente fatal.
Polícia recebeu chamado sobre ameaça com faca
Segundo a Polícia de Bedfordshire, os agentes foram acionados depois que receberam informações de que uma mulher estaria sendo ameaçada com uma faca dentro de uma residência.
A resposta incluiu policiais armados, que chegaram ao endereço enquanto a situação ainda estava em andamento. Pouco depois, tiros foram disparados e o homem ficou ferido.
A detetive-chefe superintendente Zara Brown afirmou que os agentes responderam rapidamente à ocorrência.
“Como parte dessa resposta, tiros foram disparados pela polícia e um homem sofreu ferimentos graves”, afirmou a oficial.
Brown acrescentou que os agentes prestaram os primeiros socorros ao homem antes de sua transferência para o hospital, onde ele permanece sob vigilância policial.
A corporação reconheceu que o episódio pode causar preocupação entre os moradores e afirmou que está colaborando integralmente com a investigação independente.
IOPC investiga os disparos
A ocorrência foi encaminhada ao Escritório Independente de Conduta Policial, conhecido pela sigla IOPC, que abriu uma investigação independente sobre a atuação dos agentes.
O órgão informou que declarou formalmente a investigação pouco antes das 14h de terça-feira e enviou investigadores tanto ao local onde ocorreram os disparos quanto ao procedimento realizado após a ocorrência, no qual os policiais armados envolvidos apresentaram seus primeiros relatos sobre o que aconteceu.
Também foi realizado um procedimento de conferência da munição utilizada pelos agentes, com a presença de um investigador do IOPC. As armas de fogo usadas pelos policiais foram recolhidas para análise.
Imagens de câmeras de segurança e das câmeras corporais utilizadas pelos agentes também foram analisadas pelos investigadores.
O objetivo é reconstruir a sequência dos acontecimentos e examinar as decisões tomadas pelos policiais, incluindo as circunstâncias que levaram ao uso das armas de fogo.
Investigação avaliará se a força foi proporcional
O IOPC ressaltou que o uso de armas de fogo pela polícia é uma medida rara e que, quando há utilização de força potencialmente letal, é necessário examinar de maneira independente as circunstâncias da ocorrência.
Emily Barry, diretora de relações institucionais do órgão, afirmou que a investigação está analisando as ações e decisões dos policiais envolvidos, inclusive se o uso da força foi razoável, necessário e proporcional.
Até o momento, todos os policiais envolvidos estão sendo tratados como testemunhas. O IOPC informou que, nesta fase inicial, não há indicação de que eles tenham violado normas profissionais ou cometido um crime.
Isso significa que a investigação não parte de uma conclusão sobre a legalidade ou ilegalidade dos disparos. A avaliação deverá considerar as informações disponíveis sobre a ameaça, as decisões tomadas no local e o risco enfrentado pelos agentes e pelas pessoas envolvidas.
Duas pessoas permanecem no hospital
Tanto o homem baleado quanto a mulher ferida foram encaminhados ao hospital.
A condição da mulher não é considerada potencialmente fatal. Já o homem apresenta ferimentos classificados como capazes de provocar consequências permanentes, embora sua vida não esteja em risco.
Ele permanece sob vigilância policial enquanto recebe tratamento.
A Polícia de Bedfordshire afirmou que fornecerá novas informações sobre o caso quando for possível fazê-lo sem prejudicar a investigação independente.
O que ainda precisa ser esclarecido
A investigação deverá determinar, entre outros pontos, o que aconteceu dentro da propriedade antes da chegada dos policiais, como ocorreu o confronto e em que momento os agentes decidiram utilizar suas armas.
Também será necessário estabelecer a sequência exata dos disparos, a posição dos envolvidos e as circunstâncias que levaram um dos policiais a disparar quatro vezes e outro a utilizar uma munição de impacto.
Por enquanto, as autoridades não divulgaram a identidade do homem ou da mulher, nem detalhes sobre a relação entre os dois.
O caso permanece em investigação, e as informações disponíveis não permitem estabelecer publicamente a motivação do ataque ou concluir, antes da análise independente, se a resposta policial foi adequada.
A ocorrência volta a colocar em evidência a complexidade das intervenções policiais envolvendo armas brancas: enquanto uma mulher precisou de atendimento após ser esfaqueada, a resposta dos agentes armados terminou com o suspeito, segundo o relato inicial da polícia, ferido por disparos e sob custódia no hospital.