Radiet Meles, de 35 anos, havia cumprido cinco anos de prisão por tentativa de estupro de uma mulher inconsciente. Após ser libertado, permaneceu no Reino Unido e voltou a cometer um crime sexual.

Um homem eritreu de 35 anos foi condenado por estupro e agressão física no Reino Unido depois de cometer um novo crime sexual após cumprir uma pena de cinco anos por tentativa de estupro.

Radiet Meles foi considerado culpado por um júri do Tribunal da Coroa de Cardiff após um julgamento que durou cinco dias. Ele havia negado as acusações relacionadas ao segundo caso, mas acabou condenado pelos dois crimes. A sentença está prevista para novembro, e o tribunal já indicou que ele poderá receber uma longa pena de prisão.

O caso voltou a levantar questionamentos sobre o tratamento dado pelas autoridades britânicas a estrangeiros condenados por crimes graves e sobre os mecanismos utilizados para executar eventuais decisões de deportação após o cumprimento de penas de prisão.

Uma condenação anterior por tentativa de estupro

A primeira condenação de Meles ocorreu em 2019, após um episódio ocorrido em Newport, no sul do País de Gales, em agosto de 2018.

Na ocasião, a vítima havia passado a noite bebendo no centro de Newport antes de seguir para uma festa em uma residência. Segundo as informações apresentadas durante o julgamento, ela estava extremamente embriagada e, posteriormente, ficou inconsciente.

A mulher tinha poucas lembranças claras do que havia acontecido. Uma das últimas lembranças que relatou foi ter acordado dentro de uma ambulância, onde um policial lhe informou que Meles havia mantido relações sexuais com ela.

Meles negou ter mantido relações sexuais com a mulher, mas foi absolvido da acusação de estupro e condenado por tentativa de estupro.

Ao proferir a sentença, o juiz Christopher Vosper afirmou que Meles havia percebido o estado de extrema vulnerabilidade da vítima e que ela estava, para todos os efeitos, inconsciente. O magistrado concluiu que o réu havia formado a intenção de se aproveitar da situação.

Meles recebeu uma pena de cinco anos de prisão.

Juiz previa possível deportação após a prisão

Durante a sentença de 2019, o juiz Vosper também abordou o futuro de Meles depois do cumprimento da pena.

Segundo as declarações registradas no processo, o magistrado afirmou que era provável que, após sua libertação, Meles fosse encaminhado para um centro de detenção de imigração e que o ministro do Interior provavelmente emitisse uma ordem de deportação em razão do crime e da sentença aplicada.

Entretanto, isso não ocorreu da forma prevista.

Após cumprir a pena, Meles permaneceu no Reino Unido e retornou a Newport. De acordo com as informações apresentadas no segundo processo, ele não estava sendo monitorado pelas autoridades quando voltou a circular pela cidade.

É importante destacar que as informações disponíveis indicam que o juiz previu a possibilidade de uma futura ordem de deportação, mas não demonstram que uma ordem formal tenha sido efetivamente emitida em 2019 e posteriormente descumprida pelo Ministério do Interior.

Segunda agressão sexual terminou em nova condenação

Meles acabou preso novamente em março de 2026, depois que a polícia foi acionada para investigar um ataque contra outra mulher.

O caso chegou ao Tribunal da Coroa de Cardiff, onde Meles respondeu por estupro e agressão física. Após cinco dias de julgamento, o júri o considerou culpado das duas acusações.

A nova condenação significa que o homem voltou a cometer um crime sexual depois de ter cumprido uma pena de prisão relacionada a uma tentativa de estupro.

A sentença referente ao segundo caso será proferida em novembro. O tribunal já advertiu que Meles deverá enfrentar uma pena de prisão considerada longa.

Histórico de chegada ao Reino Unido

Meles chegou ao Reino Unido em 2015. Segundo informações apresentadas durante o processo, ele entrou no país escondido em um caminhão que atravessou o Túnel da Mancha.

Depois de passar dois dias sob custódia, foi levado para Newport, onde posteriormente trabalhou em um lava-rápido e em um centro de distribuição da Amazon.

Durante o primeiro julgamento, também foi informado que Meles falava muito pouco inglês e precisava de um intérprete de tigrínia para acompanhar os procedimentos judiciais. A defesa havia apresentado as dificuldades relacionadas à sua adaptação e à distância de seu país de origem como parte do contexto pessoal do acusado.

Caso reacende debate sobre deportações

A trajetória judicial de Meles coloca novamente sob pressão o debate britânico sobre o que acontece com estrangeiros condenados por crimes graves depois que cumprem suas penas.

O ponto central do caso não é apenas a nova condenação por estupro, mas o fato de que, após uma primeira condenação por tentativa de estupro e cinco anos de prisão, Meles permaneceu no Reino Unido e posteriormente foi condenado por um novo crime sexual.

O processo também evidencia a diferença entre uma expectativa judicial de deportação e uma ordem de deportação efetivamente emitida e executada. No caso de Meles, as informações disponíveis não comprovam que uma ordem formal tenha sido emitida em 2019.

Agora, após a segunda condenação, o futuro de Meles no Reino Unido deverá voltar a ser analisado pelas autoridades de justiça e imigração, enquanto ele aguarda a sentença prevista para novembro.

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