Dois casos envolvendo homens afegãos acusados de crimes sexuais em Londres voltaram a colocar no centro do debate britânico questões relacionadas à imigração, ao sistema de asilo e à segurança pública. Um deles envolve uma mulher que, segundo a acusação, foi estuprada sob ameaça de uma faca em um parque no leste da capital. O outro diz respeito a uma adolescente de 14 anos que teria sido vítima de violência sexual durante uma viagem de trem para Londres.
Os episódios ganharam repercussão justamente quando o governo britânico passou a distribuir aos solicitantes de asilo um novo guia sobre comportamento, consentimento e legislação do país.
Mulher teria sido atacada durante primeiro encontro em Londres
O primeiro caso ocorreu em 16 de agosto de 2025, no Barking Park, no leste de Londres.
Segundo as informações apresentadas no Tribunal da Coroa de Snaresbrook, a vítima estava em um primeiro encontro com um homem, com quem observava o céu enquanto ele tocava violão, quando os dois acusados se aproximaram.
A acusação afirma que a mulher foi imobilizada e violentada enquanto seu acompanhante era ameaçado com uma faca.
Um dos acusados é Noorullah Ahmdzai, de 26 anos. O segundo réu, Khan Agah, de 19 anos, também responde ao processo. Registros públicos dos tribunais britânicos confirmam que os dois estão vinculados ao mesmo processo criminal no Tribunal da Coroa de Snaresbrook.
Durante o julgamento, a mulher relatou aos jurados que foi imobilizada pelos homens antes de ser violentada. O depoimento chegou a ser interrompido temporariamente depois que ela ficou muito abalada emocionalmente.
Os dois réus negam as acusações apresentadas contra eles, que incluem estupro, ameaça com uma lâmina e cárcere privado. Agah também nega uma acusação de agressão com penetração.
Por se tratar de um processo em andamento, ambos são considerados inocentes perante a lei até que haja uma decisão definitiva da Justiça.
Outro caso envolve adolescente de 14 anos em trem
No mesmo período, outro processo envolvendo dois cidadãos afegãos chamou atenção em Londres.
Baryalai Rahimi, de 25 anos, e Mirebadurahman Sadat, de 29, compareceram ao Tribunal da Coroa do Centro de Londres acusados de crimes sexuais contra uma menina de 14 anos durante uma viagem de trem de Sturry, em Kent, até London Bridge.
Segundo a acusação, o episódio ocorreu em 5 de fevereiro de 2026. Rahimi responde a três acusações de estupro, duas de agressão sexual e uma de agressão com penetração. Sadat responde a duas acusações de agressão com penetração e duas de indução ou incentivo de uma criança à prática de atividade sexual.
Os dois homens negam todas as acusações. O juiz Michael Evans determinou que permanecessem sob custódia, com nova audiência prevista para 27 de agosto, enquanto o processo continua.
Casos surgem após novo guia do governo para solicitantes de asilo
A repercussão dos processos ocorre poucos dias depois de o Ministério do Interior britânico divulgar um novo material destinado a solicitantes de asilo.
O documento, chamado “Entendendo os comportamentos e as expectativas no Reino Unido”, tem nove páginas e explica regras relacionadas à igualdade de gênero, violência doméstica, consentimento sexual e comportamento em espaços públicos.
O guia afirma que relações sexuais sem consentimento constituem estupro e explica que o consentimento precisa existir em todas as situações. Também esclarece que é ilegal manter relações sexuais com menores de 16 anos, mesmo quando a pessoa afirma ter concordado.
O material ainda orienta os recém-chegados a não fazer comentários sexuais indesejados, seguir pessoas, bloquear sua passagem ou fazer gestos e sons de natureza sexual.
A iniciativa provocou forte reação política no Reino Unido. Parlamentares conservadores e integrantes do Reform UK questionaram a necessidade de explicar essas regras a adultos que chegam ao país, enquanto representantes do governo defendem que o objetivo é deixar explícito que o desconhecimento da legislação britânica não constitui justificativa para cometer crimes.
Debate sobre imigração ganha novo impulso
Os dois processos passaram a ser utilizados no debate político britânico sobre o sistema de asilo, mas é importante separar acusações individuais de conclusões gerais sobre imigrantes ou solicitantes de asilo.
No caso de Barking Park, o processo contra Agah e Ahmdzai ainda estava em andamento nas fontes judiciais consultadas. Já Rahimi e Sadat também negam as acusações e aguardam o prosseguimento do processo.
A coincidência temporal, entretanto, deu novo peso à discussão sobre a iniciativa do Ministério do Interior e sobre a forma como o Reino Unido comunica suas leis e normas de convivência a pessoas que chegam ao país para solicitar proteção.