Cerca de 1.500 motoristas da Arriva North London iniciaram nesta terça-feira uma nova paralisação de quatro dias. Trabalhadores dizem que as temperaturas nas cabines podem chegar a 40 °C e temem que a modernização do sistema de climatização não esteja concluída até o próximo verão.

Cerca de 1.500 motoristas de ônibus de Londres e Essex voltaram a entrar em greve nesta terça-feira, 25 de agosto, em meio a uma disputa sobre as condições de trabalho durante períodos de calor extremo. Os trabalhadores, representados pelo sindicato Unite, afirmam que os sistemas de climatização atualmente instalados nos ônibus são insuficientes para protegê-los das temperaturas registradas durante as recentes ondas de calor.

A paralisação acontece até sexta-feira, 28 de agosto, e é apenas uma das várias jornadas de greve previstas para as próximas semanas. O movimento envolve motoristas da Arriva North London, que trabalham em oito garagens: Barking, Edmonton, Enfield, Grays, Palmers Green, Stamford Hill, Tottenham e Wood Green.  

A categoria havia suspendido parte das paralisações previstas para 19 a 21 de agosto depois que a empresa apresentou uma nova proposta durante as negociações. Os trabalhadores foram consultados sobre o acordo, mas a proposta acabou rejeitada por três das oito garagens envolvidas na disputa. Com isso, a greve foi retomada nesta terça-feira.  

Cabines podem chegar a 40 °C

O principal ponto de conflito é o sistema de climatização das cabines dos motoristas.

A maior parte dos ônibus operados pela Arriva North London utiliza resfriamento de ar, e não um sistema completo de ar-condicionado. Segundo o Unite, durante as recentes ondas de calor o equipamento conseguiu reduzir a temperatura das cabines em apenas 2 °C a 3 °C, enquanto o interior de alguns veículos chegou a 40 °C ou mais.  

Os motoristas afirmam que trabalhar nessas condições aumenta o risco de fadiga, desidratação, exaustão pelo calor e insolação, além de representar uma preocupação adicional para a segurança dos passageiros, já que o cansaço provocado pelo calor pode comprometer a capacidade de condução.

O sindicato afirma que o problema não é novo e vem sendo levado à empresa há anos. Durante uma das ondas de calor deste verão, um motorista chegou a ficar afastado do trabalho por cinco dias depois de sofrer uma insolação, segundo informações divulgadas pelo Unite.  

Motoristas temem que solução demore até o próximo verão

Embora a Arriva tenha apresentado uma proposta para melhorar as condições de trabalho, muitos motoristas estão preocupados com o prazo para a implementação das mudanças.

A empresa anunciou investimentos para modernizar a climatização das cabines de sua frota londrina, que inclui cerca de 730 ônibus operados pela Arriva North London. Os trabalhadores, porém, temem que as melhorias não estejam concluídas antes do próximo verão, quando novas ondas de calor poderiam voltar a colocar os motoristas diante das mesmas condições.

O Unite afirma que a proposta apresentada pela empresa não resolve suficientemente o problema e decidiu manter a pressão por mudanças mais amplas. A secretária-geral do sindicato, Sharon Graham, afirmou que os motoristas desempenham um serviço essencial, mas estão sendo expostos a condições que podem colocar sua saúde em risco.

Segundo Graham, a empresa tem condições financeiras para implementar mudanças consideradas adequadas pelos trabalhadores e, enquanto isso não acontecer, o sindicato continuará apoiando as paralisações.  

Arriva diz que já houve acordo sobre as reivindicações

A Arriva, por sua vez, contesta a decisão de manter a greve.

Em comunicado, a empresa afirmou estar decepcionada com a retomada da paralisação e destacou que cinco das oito garagens envolvidas não apoiaram uma nova greve.

A empresa também afirmou que já havia chegado a um acordo com representantes do Unite sobre as reivindicações apresentadas durante as negociações e que continua tentando entender quais questões permanecem sem solução nas três garagens que votaram pela continuidade do movimento.

A Arriva declarou ainda que a segurança e o bem-estar de seus funcionários e passageiros são prioridades e que medidas adicionais foram implementadas durante o verão para ajudar os motoristas a enfrentar o calor extremo. A companhia também confirmou investimentos na modernização do sistema de climatização das cabines.  

Mais de 40 linhas podem ser afetadas

A paralisação deve provocar cancelamentos e atrasos em mais de 40 linhas de ônibus em Londres. As primeiras jornadas de greve, realizadas em 14 e 18 de agosto, já haviam provocado interrupções significativas no transporte público da capital.  

A situação pode ser particularmente complicada porque algumas das próximas datas de greve coincidem com obras e interrupções previstas no metrô de Londres, incluindo períodos de fechamento da Piccadilly Line.

Novas paralisações estão previstas para:

  • 4 e 5 de setembro
  • 7 e 8 de setembro
  • 18 e 19 de setembro
  • 21 e 22 de setembro
  • 2 e 3 de outubro
  • 5 e 6 de outubro
  • 16 e 17 de outubro
  • 19 e 20 de outubro

O calendário foi confirmado pelo Unite após a rejeição da nova proposta da Arriva.  

Calor extremo virou problema trabalhista em Londres

A disputa ocorre depois de um verão marcado por temperaturas excepcionalmente elevadas no Reino Unido. Londres enfrentou sua quinta onda de calor do verão em agosto, com temperaturas superiores a 30 °C e máximas que chegaram a níveis muito elevados na capital.

O conflito dos motoristas também expõe um problema mais amplo enfrentado pelo transporte público britânico diante de episódios de calor cada vez mais intensos. A Arriva, o Unite e outros operadores fazem parte da força-tarefa de condições climáticas extremas da Transport for London, criada justamente para buscar soluções para os impactos do clima sobre o sistema de transporte.  

Enquanto as negociações continuam, milhares de passageiros terão de lidar com mais uma rodada de interrupções no transporte de Londres — desta vez provocada por uma disputa que começou dentro das próprias cabines dos ônibus, onde os motoristas afirmam estar trabalhando em temperaturas potencialmente perigosas.

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