O número de celulares roubados em Londres caiu significativamente em 2026, em uma tendência que as autoridades atribuem à intensificação das operações policiais e às novas medidas adotadas pela indústria de tecnologia para impedir a revenda de aparelhos furtados.
Dados da Polícia Metropolitana de Londres mostram que os casos de roubo de celulares caíram 20,6% entre janeiro e maio de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior. Foram aproximadamente 6.700 ocorrências a menos.
A queda ocorre depois de anos de forte preocupação com o chamado roubo de celulares por abordagem rápida nas ruas, um crime que atingiu especialmente as regiões mais movimentadas da capital, onde turistas, trabalhadores e moradores circulam diariamente.
Apesar da melhora, o problema continua sendo significativo — e Westminster permanece como um dos principais focos.
Westminster registra queda ainda maior
A redução registrada no centro de Londres foi ainda mais expressiva.
Segundo a Polícia Metropolitana, os roubos de celulares em Westminster caíram 45,8% nos primeiros cinco meses de 2026, representando cerca de 4.500 aparelhos a menos roubados em comparação com o mesmo período de 2025.
A região concentra alguns dos principais pontos turísticos, comerciais e de transporte da capital e, consequentemente, recebe diariamente um enorme fluxo de pessoas.
Westminster e o West End também estão entre as áreas historicamente mais afetadas pelos roubos cometidos contra pedestres. Dados apresentados à Assembleia de Londres indicam que cerca de 40% dos roubos de celulares da capital ocorrem em Westminster e no West End.
A grande circulação de visitantes é considerada um dos fatores que tornam essas regiões especialmente atrativas para criminosos, já que pessoas distraídas com mapas, mensagens ou fotografias podem se tornar alvos mais vulneráveis.
Operação Reckoning combate ladrões e redes de receptação
A redução dos números ocorre em paralelo a uma série de operações específicas da Polícia Metropolitana.
Uma das principais é a Operação Reckoning, criada para identificar os locais e criminosos responsáveis por roubos e furtos de celulares e atacar também as redes que recebem, transportam e revendem os aparelhos.
As ações incluem prisões de criminosos reincidentes, mandados de busca em estabelecimentos suspeitos de comercializar produtos roubados e o uso de equipes especializadas para perseguir suspeitos que utilizam bicicletas e motocicletas.
Em uma das operações, policiais chegaram a apreender 1.000 celulares roubados em uma única loja.
A estratégia também utiliza drones e bicicletas elétricas para localizar suspeitos e acompanhar crimes cometidos por pessoas que utilizam veículos de duas rodas para fugir rapidamente pelas ruas da capital.
Polícia e Apple tentam destruir o mercado de celulares roubados
Uma das principais mudanças na estratégia contra esse tipo de crime está ocorrendo fora das ruas.
Em junho, a Polícia Metropolitana anunciou um acordo com a Apple para aumentar a proteção dos usuários e tornar celulares roubados mais difíceis de reutilizar ou revender. A polícia também vem pressionando outras fabricantes, incluindo Google e Samsung, para adotar medidas semelhantes.
A lógica é simples: se um celular roubado deixa de ter valor para o criminoso, o incentivo para roubá-lo também diminui.
O comissário da Polícia Metropolitana, Sir Mark Rowley, vem defendendo há anos uma mudança tecnológica que torne os aparelhos roubados efetivamente inutilizáveis.
Segundo a própria polícia, 83% das pessoas consultadas em uma pesquisa apoiaram o bloqueio permanente de smartphones roubados.
O problema ultrapassa as fronteiras do Reino Unido
A dimensão internacional do mercado também preocupa as autoridades.
Uma investigação da Polícia Metropolitana identificou uma rede criminosa que teria enviado até 40 mil celulares roubados do Reino Unido para a China durante 2024 e 2025. Três homens foram posteriormente condenados por crimes relacionados à receptação de produtos roubados e participação em uma organização criminosa.
O caso reforçou a percepção de que o roubo de celulares não é apenas um problema de criminalidade de rua. Por trás dos furtos cometidos diariamente em Londres existe uma cadeia que pode envolver receptadores, comerciantes, transportadores e redes internacionais de contrabando.
Investimento reforça o policiamento no centro de Londres
O prefeito de Londres, Sadiq Khan, também aumentou os recursos destinados ao combate ao problema.
Para o exercício de 2026-2027, a prefeitura destinou £4,5 milhões adicionais para reforçar as ações contra roubos de celulares e crimes relacionados. Entre as iniciativas está a criação de uma estrutura de comando específica para coordenar informações e operações no West End.
O investimento faz parte de uma estratégia mais ampla de reforço do policiamento na capital. No exercício anterior, a prefeitura destinou £1,26 bilhão à Polícia Metropolitana por meio dos recursos municipais e das taxas empresariais.
Os resultados mais recentes indicam uma mudança positiva: além da queda de 20,6% nos roubos de celulares no início de 2026, o roubo de objetos pessoais em Londres também apresentou redução significativa.
Queda é positiva, mas problema ainda está longe de desaparecer
Os números mais recentes representam um avanço para Londres, mas as autoridades reconhecem que o crime continua sendo uma prioridade.
O desafio agora é manter a tendência de queda e, principalmente, reduzir o valor econômico dos celulares roubados para as redes criminosas.
A estratégia combina policiamento ostensivo, operações contra ladrões reincidentes, investigação de redes internacionais, fiscalização de estabelecimentos que comercializam produtos roubados e novas tecnologias capazes de bloquear os aparelhos.
Em Westminster, onde a redução chegou a quase metade neste ano, os resultados são particularmente expressivos. Ainda assim, a concentração de turistas e trabalhadores mantém o centro da capital como uma área prioritária para a Polícia Metropolitana.
A aposta das autoridades é que, ao atacar simultaneamente quem rouba, quem recebe e quem compra ou revende os aparelhos, Londres consiga transformar a atual queda em uma tendência duradoura.