Roy Burnham, de 85 anos, morreu após anos convivendo com a doença de Alzheimer; primeiro-ministro britânico suspendeu sua agenda nesta segunda e terça-feira
O primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, anunciou nesta segunda-feira, 14 de setembro, a morte de seu pai, Roy Burnham, aos 85 anos. Ele vinha convivendo há anos com a doença de Alzheimer e estava vivendo em uma instituição de cuidados no norte da Inglaterra.
Após a confirmação da morte, o governo britânico informou que todos os compromissos oficiais de Burnham previstos para esta segunda e terça-feira foram cancelados.
O primeiro-ministro deveria receber líderes empresariais na residência oficial do governo nesta segunda-feira. Na terça, estava previsto que presidisse a reunião semanal do gabinete e, posteriormente, participasse da conferência do Congresso dos Sindicatos, em Brighton.
A decisão permite que Burnham permaneça ao lado da família neste momento de luto.
Roy Burnham e uma vida marcada pelo trabalho
Conhecido como Roy, Kenneth Roy Burnham nasceu em Aintree, Liverpool, e trabalhou durante décadas como engenheiro de telefonia. Primeiro, atuou nos Correios britânicos e posteriormente na empresa de telecomunicações BT.
Sua esposa, Eileen Burnham, mãe de Andy e de seus dois irmãos, trabalhou como recepcionista em um consultório médico.
Roy e Eileen criaram os três filhos em uma família que Burnham descreveu diversas vezes como unida, marcada pelo incentivo à educação, pela música, pelo bom humor e pelo apoio mútuo.
Em seu livro Head North, Burnham lembrou que nenhum dos pais havia frequentado a universidade, embora ambos tivessem capacidade para fazê-lo caso tivessem crescido em outro período e em outras circunstâncias.
Segundo o atual primeiro-ministro, essa experiência levou os dois a incentivar fortemente os filhos a buscarem uma formação universitária, sem, contudo, exercer pressão sobre eles.
A doença de Alzheimer marcou os últimos anos
Roy foi diagnosticado com câncer de próstata no período posterior à pandemia de COVID-19 e passou por um tratamento considerado intenso. Posteriormente, a família foi informada de que ele havia desenvolvido Alzheimer em estágio avançado.
Burnham falou publicamente sobre a doença do pai em diversas ocasiões, inclusive antes de assumir o cargo de primeiro-ministro.
Em agosto, durante participação no podcast How to Fail, apresentado por Elizabeth Day, Burnham contou que o pai já não tinha consciência de que o filho havia chegado ao cargo mais alto do governo britânico.
O primeiro-ministro relatou, entretanto, um momento que considerou particularmente emocionante. Pouco depois de sua chegada ao cargo, funcionários da instituição onde Roy vivia colocaram uma televisão diante dele para mostrar imagens de Burnham entrando na residência oficial do governo.
Os funcionários chegaram a reunir Roy em uma cadeira e chamaram sua atenção para a televisão. Por alguns instantes, acreditaram que ele havia reconhecido o filho.
Burnham se emocionou ao recordar o episódio e disse que aquele momento permaneceu especialmente importante para ele.
“Ele teria orgulho”, disse Burnham antes de assumir o cargo
Pouco antes de se tornar primeiro-ministro, Burnham já havia falado sobre a tristeza de saber que o pai não compreenderia plenamente a dimensão de sua conquista política.
Em entrevista ao The Times, ele explicou que Roy não sabia que o filho estava prestes a chegar à liderança do país.
Burnham afirmou que essa era uma fonte de tristeza porque acreditava que o pai teria orgulho de sua trajetória. Para ele, a conquista não era apenas individual, mas também resultado do esforço de toda a família.
A relação com os pais também teve influência na formação política de Burnham. Tanto Roy quanto Eileen eram apoiadores históricos do Partido Trabalhista, e o primeiro-ministro frequentemente atribuiu aos dois parte dos valores que orientaram sua vida pública.
A doença do pai influenciou sua agenda para a assistência social
A experiência da família com o Alzheimer de Roy também se tornou uma das principais razões pessoais para a defesa de uma reforma profunda do sistema britânico de assistência social.
Burnham relatou que sua mãe enfrentou grande dificuldade para cuidar do marido em casa e que, em determinado momento, estava sobrecarregada pela falta de apoio adequado do sistema.
Em um discurso durante o verão, o primeiro-ministro prometeu trabalhar para melhorar as condições de pessoas como seu pai e dos milhões de britânicos que dependem de serviços de assistência.
Ele também chamou atenção para a situação de milhões de familiares que assumem a função de cuidadores, muitas vezes enfrentando enorme pressão física, emocional e financeira.
A experiência pessoal de Burnham, portanto, passou a estar diretamente ligada a uma de suas principais prioridades políticas: reformar um sistema que considera incapaz de oferecer o suporte necessário às famílias.
Homenagens ao primeiro-ministro
A notícia da morte de Roy Burnham provocou manifestações de solidariedade de diferentes setores da política britânica.
A secretária de Comunidades, Angela Rayner, enviou suas condolências a Burnham e à família, enquanto o presidente da Câmara dos Comuns, Sir Lindsay Hoyle, afirmou que o Parlamento certamente desejaria transmitir seus sentimentos ao primeiro-ministro e aos familiares.
As manifestações ocorreram enquanto Burnham suspendeu temporariamente sua agenda pública para enfrentar a perda.
A morte de Roy encerra uma história familiar que o próprio primeiro-ministro descreveu diversas vezes como fundamental para sua formação. O homem que trabalhou como engenheiro de telefonia e incentivou os três filhos a buscar oportunidades que sua própria geração não teve agora deixa uma marca também na trajetória política de seu filho.
Para Andy Burnham, a perda acontece depois de anos acompanhando de perto a progressiva deterioração da saúde do pai — uma experiência que, além de pessoal, ajudou a moldar uma das principais bandeiras de seu governo.