Woman sitting at desk at home during a summer heat wave, she is cooling herself with an electric fan

Com as temperaturas previstas para atingir 36 °C ou mais em algumas regiões do Reino Unido, um médico do NHS está pedindo que empresas de Londres reconsiderem a exigência de presença física no escritório e permitam que funcionários trabalhem de casa quando suas funções puderem ser realizadas remotamente.

A recomendação foi feita pela médica Safa Al-Musawi, especialista em radiologia do Imperial College Healthcare NHS Trust. Segundo ela, em períodos de calor extremo, os empregadores deveriam avaliar se o deslocamento até o trabalho é realmente necessário para profissionais que podem desempenhar as mesmas atividades em casa.  

Londres está sob alerta amarelo de saúde relacionado ao calor, enquanto as temperaturas devem subir para a faixa dos 30 °C. A quinta-feira (13) é prevista como o dia mais quente da semana, com algumas áreas do país podendo superar os 36 °C.

O risco começa antes de chegar ao trabalho

Para Al-Musawi, o problema não está apenas na temperatura dentro dos trens ou ônibus. O deslocamento completo pode representar uma exposição prolongada ao calor, incluindo caminhadas sob sol direto, espera em pontos de ônibus sem sombra, mudanças de plataforma e viagens em veículos lotados.

“Uma garrafa de água não consegue tornar uma viagem lotada mais fresca”, argumentou a médica, destacando que o risco de exposição ao calor começa antes mesmo de o trabalhador chegar ao escritório.  

A preocupação vale para toda a rede de transporte. Viajar de ônibus não é necessariamente mais seguro do que utilizar o metrô, assim como um trem com ar-condicionado não elimina a exposição durante os trajetos a pé entre a estação e o destino.

Flexibilidade, e não uma regra única

A médica reconhece que muitos profissionais precisam estar fisicamente presentes no local de trabalho. Entre eles estão trabalhadores da saúde, transporte, hotelaria, construção civil e outros setores essenciais.

Por isso, a recomendação não é interromper o funcionamento das empresas, mas adotar maior flexibilidade durante os períodos de calor extremo. Para quem pode trabalhar remotamente, isso pode significar evitar deslocamentos nos horários mais quentes. Para os demais, medidas como antecipar ou atrasar o início do expediente, flexibilizar o código de vestimenta, garantir água potável e permitir pausas adicionais em locais frescos podem reduzir os riscos.

Pessoas com doenças cardíacas, pulmonares ou renais, diabetes, pressão baixa ou mobilidade reduzida podem ser particularmente vulneráveis ao calor. Alguns medicamentos também podem interferir na hidratação, na transpiração, na pressão arterial ou na capacidade do organismo de regular a temperatura.

Sintomas de alerta durante o deslocamento

Al-Musawi também recomenda que trabalhadores não ignorem os primeiros sinais de mal-estar relacionados ao calor. Quem começar a se sentir mal durante uma viagem deve descer na próxima estação ou parada segura, procurar um local mais fresco, retirar roupas desnecessárias, resfriar a pele e beber pequenos goles de água, desde que esteja plenamente consciente e consiga engolir.

Em casos de exaustão pelo calor, a pessoa deve começar a apresentar melhora significativa após cerca de 30 minutos de resfriamento e hidratação. Se os sintomas persistirem ou surgirem confusão mental, falta de coordenação, convulsões, dificuldade respiratória grave ou perda de consciência, a orientação é ligar para o serviço de emergência pelo número 999.

Calor extremo já afeta a economia britânica

A discussão sobre a adaptação do trabalho ocorre em meio a um verão marcado por sucessivas ondas de calor no Reino Unido. Uma análise divulgada nesta semana estima que os episódios de temperaturas elevadas já tenham causado £ 4,4 bilhões em perdas de produtividade para a economia britânica até o fim de julho.  

O Met Office também prevê temperaturas elevadas nesta semana, com alertas de calor extremo emitidos para partes da Inglaterra.  

Para a médica, a questão é essencialmente preventiva: se uma atividade pode ser realizada com a mesma eficiência em casa, evitar um deslocamento desnecessário durante uma onda de calor pode ser uma medida simples e razoável para proteger a saúde dos trabalhadores.

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