Homens foram presos após a descoberta de três vans suspeitas perto da base usada pelas forças americanas; polícia investiga possível envolvimento de um Estado estrangeiro, mas ainda não confirmou a existência de um plano de ataque.

Os cinco homens presos nas proximidades da RAF Fairford, uma importante base militar britânica utilizada pelas forças americanas, foram libertados sob fiança enquanto a polícia antiterrorismo continua investigando o episódio.

Os suspeitos, todos cidadãos britânicos residentes em Londres e com idades entre 23 e 25 anos, haviam sido presos na madrugada de domingo, 27 de setembro, inicialmente por suspeita de crimes relacionados a explosivos. Posteriormente, também foram detidos sob suspeita de preparação de um ato terrorista.

Na segunda-feira, 28 de setembro, a Polícia Antiterrorista britânica anunciou que os cinco seriam libertados sob condições rigorosas de movimentação e contato com outras pessoas.

Laurence Taylor, chefe nacional da Polícia Antiterrorista do Reino Unido, deixou claro que a libertação não significa o encerramento da investigação. Segundo ele, os suspeitos continuam sendo investigados enquanto os agentes analisam diferentes possibilidades sobre o que aconteceu e quais seriam as eventuais motivações.

Alerta começou com três vans suspeitas

A operação começou por volta de 0h45 de domingo, quando a polícia recebeu uma ligação sobre três veículos considerados suspeitos nas proximidades da RAF Fairford.

Uma moradora da região relatou ter visto as vans bloqueando uma estrada rural e um grupo de homens encapuzados ou usando balaclavas nas proximidades.

O alerta provocou uma grande operação de segurança. Policiais armados foram enviados ao local e cinco homens foram presos na região de Whelford, enquanto especialistas em explosivos do Exército britânico foram mobilizados para examinar os veículos.

Cerca de 85 residências foram evacuadas como medida de precaução. Um perímetro de segurança foi instalado ao redor das vans, e equipes especializadas permaneceram no local durante a investigação.

A polícia confirmou que os veículos foram submetidos a uma análise extensa, com participação de especialistas forenses e recursos militares.

Nenhum explosivo viável foi encontrado

As primeiras informações sobre o caso provocaram preocupação porque havia suspeita de que os veículos pudessem conter materiais destinados à fabricação de explosivos.

No entanto, após a análise das vans, fontes citadas pela imprensa britânica informaram que não foram encontrados explosivos viáveis nos veículos.

A descoberta é uma das razões pelas quais a situação permanece cercada de incertezas. A polícia ainda investiga a natureza dos materiais encontrados e o motivo pelo qual os três veículos estavam próximos da instalação militar.

A existência de material suspeito, portanto, não significa que tenha sido comprovado que os homens preparavam uma bomba ou que um ataque estivesse prestes a acontecer.

O fato de os cinco suspeitos terem sido libertados sob fiança também deve ser interpretado dentro desse contexto: eles continuam sob investigação, mas não foram formalmente acusados e não estão sendo apresentados pelas autoridades como condenados por qualquer crime.

Polícia investiga possível ligação com Estado estrangeiro

Uma das linhas de investigação consideradas pela Polícia Antiterrorista é a possibilidade de que pessoas envolvidas no episódio tenham atuado, de forma consciente ou não, em nome de um Estado estrangeiro.

Laurence Taylor afirmou que os investigadores mantêm uma “mente aberta” sobre as motivações e não descartam a possibilidade de que indivíduos tenham agido como intermediários de uma potência estrangeira.

Isso não significa, porém, que a polícia tenha concluído que o episódio foi patrocinado por outro país.

As autoridades também analisam outras possibilidades, incluindo motivações financeiras e a eventual participação de grupos não estatais. Segundo informações divulgadas pela imprensa, possíveis vínculos com Irã ou Rússia estão entre as linhas consideradas, mas nenhuma dessas hipóteses foi confirmada.

Por que o Irã entrou no centro das especulações?

A hipótese iraniana ganhou força devido à importância estratégica da RAF Fairford e ao contexto militar envolvendo o Reino Unido, os Estados Unidos e o Irã.

A base fica em Gloucestershire e é utilizada pelos Estados Unidos para operações com aeronaves de longo alcance. Durante o atual conflito com o Irã, bombardeiros americanos partiram de Fairford para operações militares.

A instalação já havia sido identificada por autoridades iranianas como um possível alvo militar em razão de sua utilização pelas forças americanas.

Esse contexto levou investigadores e autoridades a considerar a possibilidade de uma conexão com Teerã. Entretanto, não há confirmação pública de que o governo iraniano tenha ordenado ou financiado o episódio.

A Embaixada do Irã em Londres rejeitou categoricamente qualquer envolvimento e classificou as especulações sobre uma participação iraniana como infundadas.

Marco Rubio fala em “ator estrangeiro”

A hipótese de uma participação estrangeira também foi levantada publicamente pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio.

Em entrevista à televisão americana, Rubio classificou o episódio como uma situação muito grave e afirmou que havia claramente a participação de um “ator estrangeiro”. Ele, porém, não apresentou provas públicas para sustentar a afirmação nem identificou um país específico.

A declaração ocorreu pouco depois de o presidente Donald Trump também reagir à decisão britânica de libertar os cinco suspeitos sob fiança.

Trump afirmou que não teria tomado a mesma decisão e disse que os homens estavam sob observação havia algum tempo. Também afirmou que eles pretendiam causar “grandes danos”.

A versão americana sobre o nível de conhecimento prévio da ameaça, contudo, contrasta parcialmente com informações divulgadas no Reino Unido segundo as quais a operação começou depois de uma denúncia feita por uma moradora local sobre os veículos suspeitos.

Reino Unido e Estados Unidos apresentam versões diferentes

A diferença entre as versões acrescentou uma dimensão diplomática ao caso.

De acordo com informações atribuídas à Press Association, a operação policial não teria sido iniciada a partir de uma investigação de inteligência previamente conhecida, mas após a denúncia sobre as três vans.

Já Trump afirmou que os suspeitos estavam sendo acompanhados havia algum tempo e que a operação resultou da cooperação entre autoridades britânicas e americanas.

As autoridades britânicas, entretanto, não confirmaram publicamente a existência de uma operação de vigilância prolongada sobre os cinco homens.

O chefe da Polícia Antiterrorista afirmou apenas que os investigadores estão analisando todas as possibilidades e que o caso continua em desenvolvimento.

Outras bases americanas entram em alerta

O episódio também provocou o aumento da segurança em outras instalações militares utilizadas pelos Estados Unidos no Reino Unido.

As bases de RAF Lakenheath e RAF Mildenhall, no leste da Inglaterra, foram colocadas em nível de alerta Charlie, o segundo mais alto do sistema de alerta militar americano.

A medida ocorre em um contexto de maior preocupação com ameaças contra instalações e interesses americanos no Reino Unido.

Apesar disso, não há indicação pública de que Lakenheath ou Mildenhall tenham sido diretamente alvo de um ataque ou de uma tentativa de invasão relacionada ao episódio de Fairford.

Cinco suspeitos continuam sob investigação

A libertação dos cinco homens não encerra o caso. Eles permanecem sujeitos a condições rigorosas impostas pela polícia, especialmente relacionadas a deslocamentos e contatos com outras pessoas.

A Polícia Antiterrorista continua examinando as três vans, os materiais encontrados e as circunstâncias que levaram os suspeitos à região da RAF Fairford.

As autoridades também precisam esclarecer se havia um objetivo específico relacionado à base, se os homens pretendiam cometer algum crime e, principalmente, se existia alguma ligação com um Estado estrangeiro.

Por enquanto, as informações confirmadas apontam para uma operação policial desencadeada por uma denúncia sobre veículos suspeitos, cinco prisões, uma grande evacuação preventiva e uma investigação antiterrorista que permanece aberta.

O possível vínculo com o Irã ou com qualquer outra potência estrangeira continua sendo uma hipótese investigada, e não uma conclusão das autoridades britânicas.

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