Larissa Brito foi encontrada na segunda-feira (21) durante uma fiscalização na rodovia A8, perto de Brignoles; investigação aponta inicialmente que crime pode ter ocorrido no apartamento da jovem, em Nice

A morte de uma brasileira de 25 anos mobiliza as autoridades francesas e o governo brasileiro. A modelo paulista Larissa Brito foi encontrada morta na tarde de segunda-feira (21), dentro do carro do ex-namorado, durante uma fiscalização na rodovia A8, nas proximidades de Brignoles, no sudeste da França.

O homem, de 29 anos, foi preso em flagrante e é investigado por homicídio. O corpo de Larissa estava escondido na parte traseira do veículo, coberto por roupas e materiais plásticos. A perícia preliminar identificou ferimentos provocados por arma branca e lesões no rosto.

As primeiras informações divulgadas pela Procuradoria de Nice indicam que a morte pode ter ocorrido antes, no apartamento onde Larissa vivia em Nice. A investigação ainda tenta determinar exatamente quando e como a jovem foi morta.

Corpo foi encontrado durante fiscalização na rodovia A8

Segundo informações divulgadas pela imprensa francesa e pela Agência Estado, o veículo estava parado em uma área de descanso da A8, uma das principais rodovias do sul da França, quando agentes alfandegários realizaram a abordagem.

Durante a inspeção, os agentes encontraram o corpo da brasileira escondido na parte traseira do automóvel. O suspeito não teria conseguido explicar a presença de Larissa no veículo e acabou detido no local. A informação sobre a prisão foi confirmada pela Procuradoria de Nice.

A investigação passou a ser conduzida pelas autoridades policiais e judiciais francesas. O procurador de Nice, Damien Martinelli, afirmou que as primeiras conclusões apontam para a possibilidade de que os fatos tenham ocorrido na cidade antes de o suspeito deixar a região.

De acordo com as informações divulgadas pela imprensa, testemunhas também teriam relatado ter visto o homem limpando o apartamento antes de sair. A polícia trabalha para verificar esses relatos e reconstruir os acontecimentos que antecederam a descoberta do corpo.

Família relata perseguição após o fim do relacionamento

Larissa era natural de São Paulo e morava na França havia aproximadamente três anos. Segundo familiares, ela havia recebido uma proposta para trabalhar no país europeu e, antes de deixar o Brasil, trabalhava em casas noturnas na capital paulista.

De acordo com a família, Larissa manteve um relacionamento de aproximadamente cinco meses com o homem que agora é investigado pela morte. O namoro terminou depois que ela teria descoberto um suposto envolvimento dele com atividades criminosas.

Ainda segundo os familiares, o fim do relacionamento não encerrou o contato entre os dois. A mãe de Larissa, Liliane Brito Nogueira, relatou à imprensa que a filha vinha sendo perseguida pelo ex-companheiro havia cerca de dois anos e chegou a mudar de cidade e iniciar outro relacionamento na tentativa de se afastar dele.

As alegações da família sobre ameaças e perseguição fazem parte do contexto investigado, mas as circunstâncias exatas da morte ainda precisam ser esclarecidas pelas autoridades francesas.

Último contato com a mãe ocorreu no domingo

Liliane contou que mantinha contato diário com a filha por mensagens. O último contato ocorreu no domingo (20), quando Larissa informou que o ex-namorado estava em sua casa.

Depois dessa mensagem, a jovem deixou de responder.

A mãe tentou telefonar para o suspeito, que teria afirmado que Larissa estava dormindo. Quando Liliane informou que procuraria as autoridades policiais brasileiras e francesas, segundo o relato da família, o homem bloqueou seu número.

Um registro de desaparecimento chegou a ser feito por pessoas próximas à família na tarde de segunda-feira, poucas horas antes de o veículo ser abordado na rodovia.

Investigação tenta esclarecer onde e como ocorreu a morte

A perícia preliminar encontrou perfurações provocadas por arma branca e ferimentos no rosto da vítima. A autópsia deverá fornecer informações fundamentais para determinar a causa e as circunstâncias da morte.

Segundo a família, a Embaixada do Brasil na França informou que o exame está previsto para segunda-feira (28). Até a conclusão das análises e das demais diligências, não é possível estabelecer publicamente todos os detalhes sobre a dinâmica do crime.

A imprensa francesa também passou a tratar o caso como uma possível morte relacionada à violência contra a mulher, diante do histórico relatado pelos familiares e do relacionamento anterior entre vítima e suspeito. No entanto, a classificação definitiva do caso depende da investigação judicial francesa.

Itamaraty acompanha o caso

O Ministério das Relações Exteriores informou que o Consulado-Geral do Brasil em Marselha acompanha o caso e mantém contato com as autoridades francesas e com os familiares de Larissa.

O governo brasileiro também informou que está prestando a assistência consular cabível à família, que agora enfrenta outra dificuldade: o traslado do corpo para o Brasil.

A família iniciou uma arrecadação para custear as despesas necessárias para a repatriação. Segundo informações divulgadas pela imprensa brasileira, a meta é reunir R$ 100 mil para cobrir custos relacionados à documentação, aos serviços funerários e ao transporte do corpo.

A mãe de Larissa tem feito apelos para conseguir trazer a filha de volta ao Brasil. A família permanece no país enquanto acompanha, à distância, o andamento da investigação na França.

O suspeito permanece à disposição das autoridades francesas. A investigação continua para determinar a sequência dos acontecimentos, a causa exata da morte e eventual responsabilidade criminal pelo assassinato de Larissa Brito.

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