Três estudantes judeus de 14 anos relataram agressões verbais durante uma viagem de ônibus para a escola em Finchley, no norte de Londres. Dois deles também disseram ter sido fisicamente agredidos. A Polícia Metropolitana trata o caso como possível crime de ódio antissemita e tenta identificar o suspeito.
Três estudantes judeus foram supostamente atacados enquanto viajavam de ônibus para a escola em Finchley, no norte de Londres, em um episódio que está sendo investigado pela polícia como possível crime de ódio.
O incidente teria ocorrido por volta das 8h da manhã de quinta-feira, 10 de setembro, em um ônibus da linha 240. Os três adolescentes, todos de 14 anos e alunos da Hasmonean Boys School, relataram à Polícia Metropolitana que foram vítimas de agressões verbais. Dois deles também disseram ter sofrido agressões físicas.
Segundo as informações divulgadas sobre o caso, o suspeito seria um homem branco britânico. A polícia ainda não confirmou sua identidade e trabalha para localizá-lo.
Polícia trata o caso como crime de ódio
A Polícia Metropolitana confirmou que agentes conversaram com os três estudantes e iniciaram uma investigação para identificar o responsável.
O superintendente-chefe detetive Luke Williams, responsável pelo policiamento da região, afirmou que o antissemitismo não será tolerado e que a polícia responderá de forma rigorosa a qualquer infração cometida contra a comunidade judaica.
“Temos aumentado nossas patrulhas para oferecer segurança, impedir que pessoas queiram causar danos e ajudar a garantir que todos possam se reunir com confiança”, afirmou o oficial, ao destacar o período das Grandes Festas Judaicas.
A declaração ocorre em um momento de maior atenção à segurança da comunidade judaica em Londres, especialmente durante o período religioso que começou com Rosh Hashaná.
Escola teria informado pais sobre agressões
A Hasmonean Boys School, instituição frequentada pelos três adolescentes, teria comunicado o episódio aos pais dos alunos, relatando que estudantes haviam sido agredidos durante o trajeto até a escola.
Jennifer Grocock, vereadora responsável pela área de segurança comunitária, classificou o episódio como “inaceitável” e afirmou que acompanhará a investigação policial.
Segundo a vereadora, os três estudantes frequentam uma escola localizada em seu distrito eleitoral e teriam sido atacados por serem judeus.
“É totalmente inaceitável em uma sociedade civilizada”, afirmou Grocock, segundo declarações divulgadas pelo jornal The Telegraph. Ela também disse esperar que o responsável seja identificado, preso e levado à Justiça.
Até o momento, não houve confirmação pública de prisão relacionada ao caso.
Aumento da preocupação com estudantes judeus
O episódio ocorre poucos dias depois de outro incidente envolvendo alunos da mesma comunidade escolar, que também está sendo investigado pela polícia como possível crime de ódio.
O contexto mais amplo também preocupa organizações que acompanham o antissemitismo no Reino Unido.
Dados divulgados pelo Community Security Trust, organização especializada no monitoramento de incidentes antissemitas, mostram que foram registrados 1.926 episódios de antissemitismo no Reino Unido entre janeiro e junho de 2026, aumento de 21% em relação aos 1.598 casos registrados no mesmo período de 2025.
O número é o segundo maior já registrado pelo organismo para os primeiros seis meses de um ano. Mais preocupante ainda é o aumento das agressões físicas: o CST contabilizou 135 casos classificados como agressão física, alta de 82% em relação ao primeiro semestre de 2025.
Os dados também mostram uma situação particularmente delicada no ambiente escolar. No primeiro semestre de 2026, o CST registrou 51 incidentes antissemitas em escolas judaicas e outros 53 envolvendo estudantes judeus fora das escolas, frequentemente durante o deslocamento de ida ou volta das aulas. Ao todo, foram 178 ocorrências relacionadas ao setor educacional, incluindo casos envolvendo estudantes e funcionários de escolas não religiosas.
Barnet concentra grande parte dos casos em Londres
O norte de Londres abriga uma das maiores comunidades judaicas do Reino Unido, especialmente no distrito de Barnet, onde ficam áreas como Finchley, Golders Green e Hendon.
De acordo com o levantamento do CST, 994 incidentes antissemitas foram registrados na Grande Londres no primeiro semestre de 2026, 24% a mais que os 800 registrados no mesmo período de 2025.
Barnet concentrou 469 desses casos, o maior número entre os distritos londrinos. A região abriga a maior população judaica do Reino Unido.
O aumento não significa que todos esses incidentes tenham envolvido violência física. A maior parte dos registros corresponde a comportamentos abusivos, ameaças ou ocorrências em ambientes virtuais. Ainda assim, o crescimento das agressões físicas e dos episódios envolvendo estudantes é apontado pelo CST como motivo de preocupação.
Sinagoga é alvo de fogos de artifício durante Rosh Hashaná
A preocupação com a segurança da comunidade judaica em Londres ganhou novo destaque neste fim de semana.
No domingo, 13 de setembro, a Polícia Metropolitana foi chamada à Lauderdale Road Synagogue, em Maida Vale, depois que um grupo de jovens teria lançado fogos de artifício em direção ao prédio durante o segundo dia de Rosh Hashaná.
Os suspeitos deixaram o local antes da chegada dos policiais. Não houve registro de feridos ou danos à sinagoga, e ninguém havia sido preso até a manhã desta terça-feira. A polícia analisa imagens de câmeras de segurança e informou que reforçou as patrulhas para tranquilizar a comunidade judaica durante o período das festas religiosas.
A ocorrência é investigada separadamente do caso envolvendo os estudantes de Finchley, e não há informação pública indicando que os dois episódios estejam relacionados.
Segurança durante as Grandes Festas Judaicas
A Polícia Metropolitana informou que ampliou o patrulhamento em áreas onde há presença significativa da comunidade judaica durante o período das Grandes Festas.
O objetivo, segundo a corporação, é oferecer maior segurança, prevenir novos incidentes e permitir que a comunidade participe de celebrações religiosas sem medo de ataques ou intimidações.
No caso dos três estudantes de 14 anos, entretanto, a investigação ainda está em andamento. A polícia procura identificar o homem apontado pelos adolescentes como responsável pelas agressões.
Até que novas informações sejam divulgadas, o caso permanece tratado como uma investigação de possível crime de ódio, e não como uma condenação. A identificação e a eventual responsabilização do suspeito dependerão do avanço das diligências policiais.