Júri concluiu por unanimidade que Ayodele Jamgbadi golpeou Jorge Ortega, de 61 anos, na estação de Ilford em dezembro de 2024. O trabalhador sofreu uma grave lesão cerebral e morreu dois dias depois. Como o acusado foi considerado incapaz de participar de um julgamento convencional, o tribunal realizou um procedimento para determinar se ele havia cometido o ato.
Um homem foi considerado responsável por uma agressão que provocou a morte de um funcionário da Elizabeth line em um ataque não provocado na estação de Ilford, no leste de Londres, em dezembro de 2024.
O júri do Inner London Crown Court concluiu por unanimidade nesta quarta-feira, 16 de setembro, que Ayodele Jamgbadi, de 30 anos, golpeou Jorge Ortega, de 61, durante o incidente ocorrido na noite de 4 de dezembro de 2024.
Ortega sofreu uma grave lesão cerebral após cair e bater a cabeça no chão da estação. Ele foi levado às pressas para um hospital no leste de Londres, mas morreu dois dias depois, em 6 de dezembro.
O caso teve um procedimento judicial incomum porque Jamgbadi foi considerado incapaz de participar de um julgamento convencional devido a problemas significativos de saúde mental. Por isso, em vez de determinar sua culpa ou inocência em um julgamento criminal tradicional, o júri foi encarregado de estabelecer se ele havia praticado os atos que resultaram na morte de Ortega.
O que aconteceu na estação de Ilford
A Polícia de Transporte Britânica foi chamada à estação de Ilford por volta das 20h50 de 4 de dezembro de 2024, após receber uma denúncia sobre uma agressão grave.
Ortega estava trabalhando como funcionário de atendimento ao cliente da Elizabeth line. Segundo as evidências apresentadas no tribunal, pouco antes do ataque, Jamgbadi havia perdido um trem e ficou agitado na plataforma.
Imagens de câmeras de segurança mostraram o homem chutando uma estrutura na plataforma 3.
Ortega estava em uma sala reservada aos funcionários com dois colegas quando os três perceberam a perturbação e foram verificar o que estava acontecendo.
Segundo a investigação, enquanto os funcionários tentavam conversar com Jamgbadi, ele repentinamente avançou contra Ortega e o atingiu com um soco de esquerda.
O impacto fez com que o funcionário caísse para trás e batesse a cabeça no chão da plataforma.
O caso foi descrito durante a audiência como um único golpe de grande força. O impacto provocou uma lesão cerebral traumática grave.
Trabalhador morreu dois dias depois
Equipes do Serviço de Ambulância de Londres e do serviço de emergência aérea foram enviadas à estação.
Ortega foi levado para um hospital no leste de Londres em estado crítico e recebeu atendimento de emergência para os ferimentos na cabeça.
Apesar dos esforços médicos, ele morreu em 6 de dezembro de 2024, cercado pela família.
Ortega trabalhava no setor ferroviário havia cerca de 24 anos e era funcionário da empresa responsável pela operação da Elizabeth line. A Transport for London também registrou oficialmente sua morte e destacou sua dedicação e gentileza no atendimento aos passageiros.
A família o descreveu como um marido amoroso, pai dedicado e avô maravilhoso.
“Ele será sempre amado. Ele será sempre lembrado”, afirmou a família em uma declaração divulgada nesta quarta-feira.
Suspeito foi preso no dia seguinte
Após a agressão, investigadores da Polícia de Transporte Britânica analisaram imagens de câmeras de segurança e realizaram buscas para identificar e localizar o responsável.
Jamgbadi foi preso na manhã seguinte, 5 de dezembro, na própria estação de Ilford. Segundo a polícia, agentes que patrulhavam a região o reconheceram a partir das imagens. Ele usava o mesmo casaco que aparecia nas gravações.
Inicialmente, ele foi detido sob suspeita de lesão corporal grave. Depois da morte de Ortega, as acusações foram alteradas para homicídio e outros delitos. Em dezembro de 2024, a Polícia de Transporte Britânica confirmou que o caso havia sido encaminhado ao tribunal como uma acusação de homicídio.
Durante a audiência desta semana, porém, ficou estabelecido que Jamgbadi não tinha condições de participar de um julgamento criminal convencional.
O que significa a decisão do júri
O procedimento realizado no Inner London Crown Court foi um chamado Trial of Facts, utilizado quando uma pessoa acusada não é considerada apta a participar de um julgamento convencional.
Nesse tipo de procedimento, o júri não decide simplesmente se o acusado é culpado ou inocente. A questão central é determinar se ele praticou os atos que constituem o crime alegado.
Após ouvir as evidências, incluindo as imagens de segurança e os relatos apresentados durante a audiência, os jurados concluíram por unanimidade que Jamgbadi golpeou Ortega.
A decisão estabelece, portanto, que ele praticou o ato que levou à queda, à grave lesão cerebral e posteriormente à morte do trabalhador.
Internamento em hospital psiquiátrico
Após a decisão do júri, o tribunal determinou o internamento de Jamgbadi em um hospital para tratamento de saúde mental.
A ordem foi emitida com base na Seção 37 da Lei de Saúde Mental de 1983, acompanhada de uma ordem de restrição prevista na Seção 41 da mesma legislação.
Isso significa que Jamgbadi permanecerá internado para tratamento e não poderá receber alta, ser transferido ou obter autorização para sair sem aprovação do secretário de Estado da Justiça ou determinação do Tribunal de Saúde Mental.
A ordem de restrição também tem como objetivo garantir que o tratamento seja realizado em condições adequadas e proteger o público.
Homenagens a Jorge Ortega
Após a decisão, o inspetor-chefe detetive Paul Attwell, da Polícia de Transporte Britânica, prestou homenagem à família de Ortega e reconheceu o longo período transcorrido desde a agressão até a conclusão do procedimento judicial.
Attwell afirmou que Ortega era um homem gentil e trabalhador que estava cumprindo suas funções normalmente quando foi vítima de um ato de violência.
“Ele estava simplesmente fazendo seu trabalho, como fazia todos os dias”, afirmou o oficial, ao destacar que ninguém deveria ser submetido a abuso, intimidação ou violência enquanto trabalha ou utiliza a rede ferroviária.
Chris Fowler, diretor-geral da empresa responsável pela operação da Elizabeth line, também afirmou que Ortega era um colega muito querido e respeitado e que sua morte continua sendo sentida por aqueles que trabalhavam com ele.
Segundo Fowler, Ortega perdeu a vida enquanto fazia seu trabalho, cuidando de outras pessoas e prestando serviço aos passageiros de Londres.
Andy Lord, comissário de Transportes de Londres, afirmou que seus pensamentos permanecem com a família, os amigos e os colegas de Ortega.
O dirigente classificou como inimaginável que alguém possa perder a vida em consequência de uma agressão não provocada enquanto simplesmente desempenha seu trabalho.
Um caso que marcou os trabalhadores ferroviários
A morte de Ortega provocou manifestações de solidariedade entre trabalhadores ferroviários e organizações sindicais.
O sindicato RMT, do qual Ortega fazia parte, informou na época que ele era funcionário da MTR Elizabeth line e destacou que sua morte ocorreu depois de uma grave agressão enquanto trabalhava na estação de Ilford.
Em documentos posteriores, a Transport for London também afirmou que Ortega havia dedicado 24 anos à comunidade ferroviária e que sua morte representava um ataque ocorrido enquanto ele desempenhava suas funções de atendimento ao público.
Quase dois anos após a agressão, a conclusão do procedimento judicial estabelece os fatos relacionados ao ataque. Jamgbadi permanecerá internado para tratamento de saúde mental sob as condições determinadas pelo tribunal.