Grupo realizou cinco ataques contra boutiques de grifes como Yves Saint Laurent, Bottega Veneta e Loro Piana. Dois dos principais envolvidos foram condenados a três anos e quatro meses de prisão, enquanto outros três homens também receberam sentenças.
Uma quadrilha que utilizava veículos para destruir as vitrines de lojas de luxo e roubar mercadorias de alto valor foi desarticulada em Londres. Três homens foram condenados à prisão após uma série de cinco ataques realizados entre novembro de 2025 e janeiro de 2026, em estabelecimentos localizados em algumas das áreas comerciais mais sofisticadas da capital britânica.
Segundo a Polícia Metropolitana de Londres, os criminosos provocaram prejuízos superiores a £ 1 milhão, considerando o valor dos produtos roubados e os danos causados às lojas. Entre as marcas atacadas estavam Yves Saint Laurent (YSL), Bottega Veneta, END Clothing e Loro Piana.
Os principais integrantes do grupo, Max Tyson, de 26 anos, e Ryan Brough, de 34, receberam penas de três anos e quatro meses de prisão cada um, após admitirem duas acusações de conspiração para cometer roubos.
As sentenças foram anunciadas na quinta-feira (29), no Tribunal Criminal de Inner London. Outros três homens também foram condenados por participação nos crimes ou por envolvimento na comercialização dos produtos roubados.
Carros usados como instrumentos para destruir vitrines
O método utilizado pelo grupo consistia em dirigir veículos contra as fachadas das lojas para romper as estruturas de proteção e permitir a entrada dos criminosos. Depois de invadir os estabelecimentos, eles recolhiam o maior número possível de mercadorias e fugiam rapidamente.
Um dos ataques mais expressivos ocorreu em 23 de janeiro de 2026, quando Tyson e Brough utilizaram um SUV Toyota preto para invadir a loja da Yves Saint Laurent, na Old Bond Street.
O veículo foi lançado de marcha à ré contra a vitrine três vezes até conseguir romper a estrutura e entrar parcialmente no estabelecimento. Em seguida, avançou para facilitar o acesso dos criminosos ao interior da loja.
Enquanto um motociclista observava a movimentação nas proximidades, outro integrante aguardava com um grande saco plástico para recolher os produtos. Os assaltantes levaram bolsas de couro avaliadas em aproximadamente £ 30 mil cada.
A dupla já havia tentado atacar a mesma loja em novembro de 2025, utilizando um Vauxhall Insignia. Na ocasião, abandonou a ação depois de perceber a movimentação de trabalhadores de uma construção próxima.
Cinco ataques em três meses
A investigação identificou cinco ocorrências relacionadas ao grupo, incluindo uma tentativa frustrada de invasão à Yves Saint Laurent.
Em 17 de novembro de 2025, os criminosos atacaram a Bottega Veneta, na Sloane Street, de onde levaram produtos avaliados em aproximadamente £ 40 mil.
No dia 1º de dezembro, realizaram outro ataque contra a END Clothing, na Broadwick Street.
O episódio de maior prejuízo ocorreu em 16 de dezembro, quando utilizaram um SUV Mitsubishi branco para invadir a loja da Loro Piana, na Sloane Street. Na ação, foram levados mais de 105 produtos, entre bolsas, roupas e calçados. O valor total das mercadorias roubadas chegou a quase £ 385 mil, incluindo um casaco avaliado em mais de £ 30 mil.
O último ataque aconteceu em 23 de janeiro de 2026, novamente contra a Yves Saint Laurent, na Old Bond Street.
Investigação identificou envolvidos e rota de revenda
A Polícia Metropolitana mobilizou investigadores da Flying Squad, unidade especializada no combate a roubos e crimes organizados, para identificar os responsáveis.
Os agentes analisaram imagens de câmeras de segurança, registros de reconhecimento automático de placas e evidências forenses. A investigação também identificou que diferentes veículos foram utilizados nas ações.
O DNA de Max Tyson foi encontrado em uma das cenas dos crimes. Além disso, os investigadores descobriram que um dos veículos empregados nos ataques estava segurado em nome de Olivier Ndayizeie, de 36 anos.
As investigações também levaram os policiais a uma loja na região da Cornualha, onde Tyson havia viajado para negociar parte dos produtos roubados. Recibos encontrados em seu nome ajudaram a comprovar a revenda das mercadorias.
Em uma das negociações, segundo informações apresentadas durante o processo, Tyson recebeu apenas £ 1.800 por produtos avaliados em mais de £ 30 mil, evidenciando a diferença entre o valor comercial das peças e o dinheiro obtido com sua revenda ilegal.
Cinco condenados

Além de Tyson e Brough, outros três homens foram responsabilizados judicialmente.
Harry Johnson, de 25 anos, foi condenado a um ano e dez meses de prisão por receptação de produtos roubados. Ele já havia sido condenado em 2024 a dois anos de prisão por furtar 24 telefones celulares utilizando uma bicicleta elétrica em uma única manhã.
Sonny Stringer, de 29 anos, recebeu uma pena de 22 meses de prisão, suspensa por dois anos, após admitir envolvimento na receptação das mercadorias. Ele havia sido descrito anteriormente pela imprensa britânica como um dos ladrões de celulares mais conhecidos de Londres.
Olivier Ndayizeie, de 36 anos, foi condenado a 36 semanas de prisão, também com pena suspensa, por incentivar ou facilitar a prática de um dos crimes ao fornecer seu Vauxhall Insignia.
Com as condenações, a investigação encerrou uma sequência de ataques que atingiu estabelecimentos de alto padrão em diferentes áreas comerciais de Londres. A Polícia Metropolitana destacou o trabalho de análise de imagens, provas forenses e rastreamento dos veículos para identificar os envolvidos e recuperar informações sobre a circulação dos produtos roubados.