Milhares de proprietários de imóveis em Londres poderão enfrentar prestações mais altas em suas hipotecas após o Banco da Inglaterra anunciar, nesta quinta-feira, 5 de novembro, o aumento da taxa básica de juros de 3,75% para 4%. O impacto será sentido principalmente por quem possui financiamentos com taxas variáveis.

Milhares de proprietários de imóveis em Londres poderão enfrentar um aumento nas prestações de suas hipotecas após o Banco da Inglaterra anunciar, nesta quinta-feira, 5 de novembro, a elevação da taxa básica de juros de 3,75% para 4%. A decisão representa o primeiro aumento em mais de três anos e pode acrescentar aproximadamente £600 por ano aos custos de determinados financiamentos imobiliários.

O impacto será sentido principalmente por quem possui contratos com juros variáveis ou vinculados diretamente à taxa básica do Banco da Inglaterra. Segundo uma estimativa da empresa de análise financeira Moneyfacts, uma hipoteca de £350 mil, com prazo de 25 anos e vinculada à taxa básica, poderá ter um aumento de aproximadamente £50 por mês após a elevação de 0,25 ponto percentual.

Ao longo de 12 meses, isso representa cerca de £600 adicionais. O valor, entretanto, não se aplica indistintamente a todos os financiamentos: o impacto depende do saldo devedor, do prazo restante e das condições estabelecidas em cada contrato.

Por que o Banco da Inglaterra aumentou os juros?

A decisão foi tomada pelo Comitê de Política Monetária do Banco da Inglaterra, que votou por oito votos a um a favor da elevação de 0,25 ponto percentual. Uma das integrantes, Catherine Mann, defendeu um aumento ainda maior, de 0,5 ponto percentual, que levaria a taxa a 4,25%.

O principal motivo é a pressão inflacionária provocada pelo aumento dos preços internacionais da energia, em meio ao prolongamento do conflito no Oriente Médio, especialmente envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.

A inflação britânica chegou a 3,5% em setembro, segundo os dados mais recentes do Escritório Nacional de Estatísticas (ONS), divulgados em 21 de outubro. O índice ficou acima da meta de 2% estabelecida pelo Banco da Inglaterra.

A instituição agora projeta que a inflação poderá chegar a aproximadamente 5% em meados de 2027, caso os preços elevados da energia continuem pressionando os custos das famílias e das empresas.

O governador do Banco da Inglaterra, Andrew Bailey, afirmou que a pressão inflacionária acumulada tornou necessário o aumento dos juros. Ele, entretanto, alertou que a decisão não deve ser interpretada como o início inevitável de uma longa sequência de novas elevações.

Bailey também deixou claro que, se o conflito no Oriente Médio não for resolvido e os preços da energia continuarem pressionando a economia, novos aumentos poderão ser necessários.

Quem terá de pagar mais pela hipoteca?

A mudança não afeta todos os proprietários da mesma maneira. Os primeiros a sentir o impacto tendem a ser os clientes com hipotecas de taxa variável vinculadas à taxa básica do Banco da Inglaterra, conhecidas como tracker mortgages. Nesses contratos, os juros acompanham diretamente as alterações determinadas pela instituição.

Quem possui uma hipoteca com taxa variável padrão do banco também poderá enfrentar aumentos, dependendo das condições contratuais e das decisões da instituição financeira.

Já os proprietários com contratos de taxa fixa não terão, necessariamente, suas prestações alteradas imediatamente. Nesses casos, os juros permanecem estabelecidos durante o período contratado. O impacto poderá surgir quando o financiamento chegar ao fim do prazo fixo e o cliente precisar renegociar ou contratar uma nova modalidade.

A Moneyfacts também observou que parte da expectativa de aumento já havia sido incorporada às taxas oferecidas para novos financiamentos de juros fixos. Por isso, a decisão desta quinta-feira não significa que todas essas modalidades sofrerão uma nova elevação automática.

Adam French, responsável pela área de finanças ao consumidor da empresa, classificou a decisão como uma notícia desfavorável para quem possui hipotecas vinculadas diretamente à taxa básica. Ele recomendou que os consumidores próximos do fim de seus contratos fixos comecem a pesquisar alternativas com antecedência, em vez de esperar até o último momento.

Energia mais cara aumenta a pressão sobre as famílias

O aumento dos juros acontece em um momento de crescente pressão sobre o orçamento doméstico no Reino Unido. Além dos financiamentos imobiliários, as famílias enfrentam a perspectiva de novas altas nas contas de energia, combustível e outros produtos e serviços.

A Ofgem, entidade responsável pela regulação do setor energético britânico, já confirmou que o limite máximo de preços da energia para o período entre outubro e dezembro de 2026 aumentou 3,6%. Para o primeiro trimestre de 2027, as projeções indicam uma possível nova elevação, embora o valor definitivo ainda não tenha sido anunciado.

A decisão sobre o próximo limite de preços está prevista para 25 de novembro, com vigência a partir de 1º de janeiro de 2027.

O governo britânico também reconheceu o impacto do conflito no Oriente Médio sobre o custo de vida. O chanceler do Tesouro, John Healey, afirmou que a crise internacional está pressionando o orçamento de famílias e empresas. Entre as medidas anunciadas pelo governo estão um pagamento de £100 para 20 milhões de residências, a extensão de uma redução tributária nas contas de eletricidade e o congelamento do imposto sobre combustíveis.

O que os proprietários devem fazer agora?

Para quem possui uma hipoteca variável, o primeiro passo é verificar com o banco como a mudança da taxa básica será incorporada ao contrato e quando a nova prestação entrará em vigor.

Já os consumidores que estão próximos do fim de um período de juros fixos devem começar a comparar as opções disponíveis no mercado, considerando não apenas o valor da prestação mensal, mas também as taxas adicionais e as condições de cada financiamento.

O Banco da Inglaterra voltará a analisar a política monetária em 17 de dezembro. Até lá, a evolução dos preços da energia, da inflação e do conflito no Oriente Médio será determinante para avaliar se haverá necessidade de novas mudanças nos juros.

Para milhares de famílias londrinas que já enfrentam altos custos de moradia, energia e alimentação, a decisão representa mais um desafio para manter o orçamento doméstico sob controle.

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