Rajadas de até 135 km/h atingiram áreas do país; Heathrow e Gatwick registraram cancelamentos, enquanto a recuperação da rede elétrica e dos transportes continua nesta segunda-feira (26).

O Reino Unido iniciou a semana contabilizando os danos provocados pela tempestade Boelo, que deixou duas pessoas mortas, provocou interrupções no fornecimento de energia e causou graves transtornos nos transportes durante o fim de semana. Embora as condições meteorológicas tenham começado a melhorar em várias regiões, milhares de imóveis continuam sem eletricidade e os serviços ferroviários ainda enfrentam dificuldades.

As duas mortes ocorreram após árvores caírem durante os fortes ventos. Uma das vítimas era um homem de 60 anos atingido por uma árvore nas proximidades de Castle Douglas, em Dumfries e Galloway, na Escócia. O segundo caso foi registrado no norte de Londres, onde um homem na faixa dos 20 anos morreu depois que uma árvore caiu sobre o carro em que estava.

Os episódios ocorreram no domingo (25), quando a tempestade atingiu com maior intensidade o norte do país. As autoridades também registraram outros incidentes relacionados ao mau tempo, incluindo duas mulheres feridas após serem atingidas por uma árvore em Aberfeldy, na região de Perth e Kinross. Elas foram levadas ao hospital.

A Boelo chegou poucos dias depois da tempestade Austen, que também provocou ventos fortes e problemas em diferentes regiões britânicas. A sequência de dois sistemas meteorológicos intensos em um curto intervalo ampliou os danos e aumentou a pressão sobre os serviços de emergência e as equipes responsáveis pela recuperação da infraestrutura.

Cerca de 90 mil imóveis continuam sem eletricidade

O fornecimento de energia foi um dos setores mais afetados. Segundo informações divulgadas nesta segunda-feira, aproximadamente 90 mil imóveis ainda estavam sem eletricidade após os danos provocados pelas duas tempestades.

Durante o fim de semana, cerca de 800 mil residências e estabelecimentos chegaram a ser afetados por interrupções no fornecimento. As empresas de energia conseguiram restabelecer o serviço para centenas de milhares de clientes, mas os trabalhos de reparação continuam em áreas onde árvores, ventos e danos à infraestrutura dificultaram o acesso das equipes.

Os profissionais responsáveis pelos reparos enfrentam condições que podem impedir temporariamente o trabalho em segurança, sobretudo em locais expostos a rajadas intensas ou onde há risco de queda de árvores e estruturas danificadas.

A recuperação também depende da avaliação das redes de distribuição e da substituição de equipamentos atingidos. Por isso, o restabelecimento do serviço pode ocorrer em momentos diferentes, dependendo da localização e da extensão dos danos.

Moradores que continuam sem energia devem acompanhar as atualizações de suas distribuidoras e evitar se aproximar de cabos caídos ou de estruturas elétricas danificadas.

Heathrow e Gatwick registram cancelamentos de voos

O transporte aéreo também sofreu consequências. Os aeroportos de Heathrow e Gatwick registraram cancelamentos e alterações nas operações, enquanto as companhias aéreas ajustaram os horários para lidar com as restrições provocadas pelo mau tempo.

Em Heathrow, os voos de curta distância foram particularmente afetados. Entre os serviços cancelados no domingo estavam ligações para Edimburgo, Paris, Roma e Aberdeen, além de rotas internacionais operadas por diferentes companhias.

Em Gatwick, os cancelamentos incluíram voos para Amsterdã, Jersey, Frankfurt, Paris, Dublin e Barcelona.

A programação desta segunda-feira também sofreu alterações. Entre os voos divulgados como cancelados estavam serviços da British Airways de Heathrow para Glasgow, Aberdeen e Manchester. A situação pode mudar ao longo do dia, conforme as companhias reorganizam suas operações.

Os aeroportos recomendaram que os passageiros verifiquem diretamente com as companhias aéreas a situação de seus voos antes de sair de casa. A orientação é especialmente importante para quem tem conexões ou precisa chegar a outro aeroporto para continuar a viagem.

Embora os ventos mais intensos tenham atingido principalmente a Escócia e o norte da Inglaterra, as condições meteorológicas também afetaram o fluxo de aeronaves e contribuíram para atrasos e cancelamentos na região de Londres.

Ferrovias enfrentam alagamentos e árvores caídas

A rede ferroviária registrou interrupções em diferentes partes do Reino Unido, especialmente na Escócia. Alagamentos, árvores caídas e objetos arrastados pelo vento afetaram trilhos e instalações ferroviárias.

A Network Rail Scotland divulgou imagens de uma estação em Glasgow com água acumulada entre a plataforma e a linha férrea. Em outro ponto da rede, árvores caídas nas proximidades dos trilhos exigiram intervenções para avaliar as condições de segurança.

O operador também registrou imagens de uma cama elástica sob um trem e de um galpão próximo à linha férrea, reforçando o alerta para que moradores prendam adequadamente móveis, equipamentos e outros objetos deixados em jardins.

Em algumas rotas, foram impostas restrições de velocidade, enquanto trechos precisaram ser temporariamente fechados. A redução da velocidade é uma medida preventiva para diminuir os riscos quando há possibilidade de árvores, galhos ou outros detritos atingirem a infraestrutura.

Nesta segunda-feira, os operadores ainda informavam problemas em determinadas linhas, embora parte dos serviços estivesse em processo de normalização. Passageiros devem consultar as atualizações antes de viajar, pois alterações de última hora continuam possíveis.

Estradas também foram afetadas pelos ventos

O mau tempo provocou ainda o fechamento de estradas na Escócia. Árvores derrubadas, cabos sobre as pistas e danos ao pavimento dificultaram a circulação em diferentes pontos.

As equipes de manutenção precisam remover obstáculos e verificar se as vias continuam seguras antes de autorizar a retomada normal do tráfego. Mesmo após a passagem da tempestade, os riscos podem permanecer em locais onde há árvores instáveis, estruturas danificadas ou alagamentos.

Motoristas devem redobrar a atenção ao circular por áreas arborizadas e evitar trechos bloqueados por equipes de emergência. A presença de ventos fortes também pode tornar perigosa a condução de veículos altos ou leves, especialmente em pontes e estradas expostas.

Novos alertas de vento exigem atenção

O fim dos principais avisos meteorológicos relacionados à passagem da Boelo não significa que todos os riscos tenham desaparecido. O serviço meteorológico britânico, Met Office, prevê novas condições de vento forte em partes do país nesta segunda-feira e na terça-feira (27).

Os avisos amarelos abrangem diferentes áreas, incluindo partes do norte e do sudoeste da Inglaterra, da Escócia, do País de Gales e da Irlanda do Norte, conforme o período de validade de cada alerta.

As previsões indicam a possibilidade de novas interrupções nos transportes, rajadas capazes de derrubar galhos e objetos soltos e dificuldades para as equipes que trabalham na recuperação da infraestrutura.

A recomendação é acompanhar os avisos oficiais, evitar áreas costeiras expostas durante condições adversas e não se aproximar de árvores danificadas ou cabos elétricos caídos.

A passagem da Boelo deixa um cenário de recuperação em várias regiões britânicas. Com duas mortes confirmadas, milhares de imóveis ainda sem energia e serviços de transporte operando com restrições, as autoridades e os operadores trabalham para restabelecer a normalidade enquanto monitoram a possibilidade de novos transtornos meteorológicos.

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