A polícia das Filipinas investiga denúncias de que Thomas Markle, pai da duquesa de Sussex, Meghan Markle, teria mantido imagens de abuso sexual infantil em dispositivos eletrônicos encontrados em sua antiga residência na cidade de Cebu. O caso ganhou repercussão internacional e também levantou questionamentos sobre a maneira como autoridades britânicas lidaram com informações anteriores relacionadas às suspeitas.
O ministro do Interior das Filipinas, Jonvic Remulla, afirmou que os investigadores estão analisando o material apreendido para determinar sua natureza e verificar se existem provas suficientes para fundamentar eventuais acusações criminais. Segundo ele, os resultados completos da análise forense eram esperados em aproximadamente uma semana, embora esse prazo não represente uma garantia de conclusão do processo investigativo.
As autoridades filipinas informaram que uma denúncia apresentada por Thomas Markle Jr., meio-irmão de Meghan, levou à investigação. Ele relatou ter encontrado caixas com materiais suspeitos na antiga residência do pai e entregou itens às autoridades locais.
Thomas Markle, de 82 anos, nega as acusações. Em declarações à imprensa britânica, classificou as alegações como mentiras e afirmou que não poderia ter cometido os atos dos quais é acusado. Ele também alegou que os computadores mencionados nas reportagens não estavam sob seu controle desde que deixou o México, em 2025.
Até o momento, as informações divulgadas publicamente não estabelecem a responsabilidade criminal de Markle. O conteúdo dos dispositivos e a origem dos arquivos ainda precisam ser esclarecidos pela investigação.
Polícia analisa dispositivos e investiga possível crime
Segundo informações divulgadas pelo ministro do Interior filipino e pela imprensa internacional, os investigadores encontraram um computador portátil e materiais suspeitos na antiga residência de Markle, em Cebu. Os itens foram encaminhados para análise, que deverá ajudar a determinar o conteúdo dos arquivos e sua possível relação com crimes.
A Polícia Nacional das Filipinas informou que está conduzindo a investigação e que poderá buscar cooperação com autoridades estrangeiras, caso isso seja necessário para esclarecer os fatos. Os Estados Unidos também demonstraram disposição para prestar assistência às autoridades filipinas.
A investigação envolve possíveis imagens de abuso e exploração sexual infantil, uma categoria de material cuja produção, posse e distribuição podem constituir crimes graves. A análise deverá esclarecer a natureza dos arquivos, sua origem e se existem elementos que permitam atribuir alguma conduta ilegal ao investigado.
Por envolver possíveis vítimas menores de idade, as autoridades não divulgaram publicamente detalhes que possam comprometer a apuração ou expor pessoas eventualmente afetadas.
Meio-irmão de Meghan afirma ter entregado materiais à polícia
Thomas Markle Jr., de 60 anos, afirmou ter encontrado o material enquanto examinava pertences guardados na antiga residência do pai, de quem teria cuidado durante vários anos.
De acordo com relatos publicados pelo jornal britânico The Sun, ele entregou caixas com materiais suspeitos à polícia e manifestou arrependimento por ter defendido o pai durante o longo período de afastamento entre Thomas Markle e Meghan.
Markle Jr. também declarou que deseja se desculpar com a irmã pela maneira como tomou partido nos conflitos familiares. Suas declarações, no entanto, representam o relato de quem apresentou a denúncia e não substituem a verificação independente das provas pelas autoridades.
A extensão do material mencionado nas reportagens ainda precisa ser esclarecida oficialmente. Embora tenham sido divulgadas estimativas de centenas ou milhares de arquivos, a quantidade, o conteúdo e a origem dos itens não foram confirmados por uma conclusão pericial pública.
Meghan afirma que já havia sido informada sobre suspeitas
A duquesa de Sussex declarou estar profundamente abalada com as novas informações. Em manifestação divulgada em 23 de outubro, Meghan afirmou que seus pensamentos estavam com quaisquer crianças que possam ter sido prejudicadas e pediu que a prioridade das autoridades seja a proteção das possíveis vítimas e a aplicação da lei.
Ela também afirmou que havia sido informada anteriormente sobre alegações preocupantes envolvendo o pai e que recebeu garantias de que as informações estavam sendo investigadas.
Meghan está afastada de Thomas Markle desde o período que antecedeu seu casamento com o príncipe Harry, em 2018. A relação familiar tornou-se pública após uma série de conflitos que culminaram na ausência do pai na cerimônia. Ele também nunca conheceu pessoalmente os netos, Archie e Lilibet.
Em sua declaração recente, a duquesa explicou que a decisão de manter distância do pai e impedir o contato dele com os filhos teve como objetivo protegê-los. Ela afirmou esperar que a investigação avance e que a segurança das crianças permaneça no centro das decisões.
Polícia britânica também revisa a condução de informações anteriores
O caso ganhou uma segunda dimensão após a Polícia Metropolitana de Londres confirmar que recebeu, em janeiro de 2019, uma carta contendo alegações de possíveis condutas criminosas atribuídas a Thomas Markle fora do Reino Unido.
Segundo a corporação, a carta foi encaminhada ao setor responsável pela proteção da família real e pela segurança especializada. Depois de analisá-la, a unidade decidiu compartilhar as informações com o escritório do príncipe Harry e de Meghan, mas não as repassou a outras autoridades policiais.
A Polícia Metropolitana afirmou que está revisando a maneira como o caso foi tratado na época e avaliando se a questão deve ser encaminhada ao Escritório Independente de Conduta Policial, órgão responsável pela fiscalização de possíveis falhas na atuação policial na Inglaterra e no País de Gales.
A revisão deverá esclarecer quais decisões foram tomadas, como as informações foram avaliadas e se os procedimentos adotados foram adequados às circunstâncias.
A existência da carta e a revisão interna não significam, por si só, que as acusações anteriores tenham sido comprovadas ou que tenha ocorrido necessariamente uma falha policial. Esses pontos dependem da análise dos registros e das conclusões das autoridades competentes.
Investigação pode envolver cooperação internacional
Como o caso envolve pessoas e acontecimentos relacionados a diferentes países, a cooperação entre autoridades das Filipinas, do Reino Unido e dos Estados Unidos poderá ser importante para a apuração.
Os investigadores filipinos precisam estabelecer o conteúdo dos arquivos, verificar sua procedência e determinar se existem elementos que sustentem uma acusação criminal. Caso surjam indícios de atividades realizadas em outros territórios, a troca de informações com autoridades estrangeiras poderá ajudar a esclarecer a extensão dos fatos.
Por enquanto, não há uma conclusão pericial pública que determine a responsabilidade de Thomas Markle, e ele continua negando as acusações.
A expectativa é que os próximos resultados da análise forense ajudem a esclarecer o caso. Até que as provas sejam examinadas e as autoridades apresentem suas conclusões, as denúncias devem ser tratadas como alegações sob investigação, sem antecipar um julgamento sobre a culpa ou a inocência do investigado.