Mulher de 36 anos foi detida em aeroporto da Indonésia com a droga escondida em sete frascos de xampu e produtos de beleza. Segundo a polícia, ela teria recebido uma oferta de US$ 50 mil para transportar o entorpecente.
Uma brasileira de 36 anos foi presa na Indonésia sob suspeita de tráfico internacional de drogas após ser flagrada com aproximadamente 3,6 quilos de cocaína líquida escondidos em embalagens de produtos de higiene pessoal. A mulher, identificada pelas iniciais TCDS, foi detida no Aeroporto Internacional Ngurah Rai, na ilha de Bali, em 6 de outubro de 2026.
O entorpecente estava acondicionado em sete frascos que aparentavam conter xampu e outros produtos para cuidados corporais. Segundo as autoridades indonésias, o peso bruto da substância apreendida foi de 3.659,9 gramas.
O caso foi divulgado pela Polícia Regional de Bali em outubro e mobilizou investigadores especializados no combate ao tráfico de drogas, que agora procuram identificar os responsáveis pelo envio da carga e seus possíveis destinatários.
A suspeita pode enfrentar penas severas, incluindo prisão perpétua e, dependendo do enquadramento jurídico e da decisão judicial, pena de morte. Até o momento, porém, não houve condenação, e o processo está na fase de investigação.
Droga estava escondida em frascos de cosméticos
A prisão ocorreu por volta das 18h de 6 de outubro, quando agentes da Alfândega e da Polícia Regional de Bali inspecionaram a bagagem da passageira no terminal internacional do aeroporto.
Segundo informações divulgadas pelas autoridades, os fiscais desconfiaram da mala e acionaram a unidade policial especializada em investigação de narcóticos. A inspeção conjunta, realizada na presença da passageira, levou à descoberta de sete frascos com um líquido suspeito.
Os exames e as investigações identificaram a substância como cocaína em forma líquida. A suspeita teria utilizado embalagens semelhantes às de produtos de higiene e beleza para tentar evitar a identificação da droga durante os procedimentos de fiscalização.
A apreensão foi descrita pela polícia como uma das maiores de cocaína líquida registradas em Bali nos últimos anos.
Após a descoberta, TCDS foi conduzida à sede da Polícia Regional de Bali, onde permanece detida para responder às acusações. As autoridades ainda investigam a origem do entorpecente, a rede responsável pelo transporte e o destino final da carga.
Brasileira teria recebido oferta de US$ 50 mil
De acordo com informações divulgadas pela agência de notícias indonésia ANTARA, a mulher declarou aos investigadores que teria sido contratada por um homem identificado apenas pela letra G.
Segundo o relato atribuído à suspeita, o contratante teria prometido pagar US$ 50 mil pela entrega da cocaína em Bali. Ele também teria custeado as passagens aéreas, a hospedagem e o transporte necessários para a viagem.
A investigação indica que a brasileira saiu do Brasil em 5 de outubro e tinha passagem de retorno marcada para 3 de novembro de 2026.
As autoridades suspeitam que ela atuava como transportadora da droga e que outras pessoas estariam envolvidas na operação internacional. A polícia ainda procura identificar quem forneceu a cocaína e quem deveria recebê-la na Indonésia.
As informações sobre o pagamento e a participação de terceiros têm como base o depoimento atribuído à investigada. A responsabilidade criminal dos demais envolvidos ainda precisa ser apurada.
Legislação indonésia prevê punições severas para o tráfico
A prisão chama a atenção para a severidade da legislação antidrogas da Indonésia, país conhecido por aplicar penas rigorosas em casos de tráfico de entorpecentes.
A polícia informou que a investigação envolve acusações relacionadas à posse e à importação de cocaína, com base nos artigos 609, parágrafo 2, e 610, parágrafo 2, do Código Penal indonésio.
A classificação jurídica definitiva do caso e as penalidades aplicáveis dependerão do andamento do processo, das provas reunidas e da interpretação das autoridades judiciais.
A legislação indonésia prevê punições que podem chegar à prisão perpétua e, em determinadas circunstâncias relacionadas a crimes de drogas, à pena de morte. Isso não significa, entretanto, que a brasileira já tenha recebido uma condenação dessa natureza.
O caso ocorre em um país que já executou cidadãos estrangeiros condenados por tráfico de drogas, incluindo dois brasileiros: Marco Archer Cardoso Moreira, executado em janeiro de 2015, e Rodrigo Muxfeldt Gularte, executado em abril daquele ano.
As execuções provocaram repercussão internacional e esforços diplomáticos do governo brasileiro, que se opõe à aplicação da pena de morte.
Investigação procura identificar a rede internacional
A Polícia Regional de Bali informou que continua rastreando a rede de fornecimento e os possíveis destinatários da cocaína apreendida. Até as últimas informações divulgadas, não havia detalhes conclusivos sobre a identidade das demais pessoas envolvidas.
A investigação também procura esclarecer a origem da substância e as circunstâncias em que ela foi preparada e acondicionada nos frascos de produtos de higiene pessoal.
O episódio reforça a preocupação das autoridades indonésias com o uso de rotas aéreas internacionais para o transporte de entorpecentes disfarçados em embalagens de produtos comuns.
Enquanto as apurações prosseguem, a brasileira permanece sob custódia policial. Seu futuro jurídico dependerá das provas apresentadas e da decisão das autoridades responsáveis pelo processo.