Investigação da Polícia Metropolitana revelou uma rede que conectava ladrões de rua a operadores responsáveis por receber e enviar os aparelhos para o exterior; penas somam 25 anos

Três homens foram condenados a um total de 25 anos de prisão em Londres por participação em uma das maiores redes de comércio ilegal de celulares roubados já investigadas pela Polícia Metropolitana.

A investigação revelou que o grupo esteve envolvido no recebimento e na exportação de até 40 mil celulares roubados do Reino Unido para a China durante 2024 e 2025. Segundo a polícia, esse volume pode representar aproximadamente 40% de todos os aparelhos roubados em Londres no período.

Os três condenados são Amir Muhammad Khadikhel, de 35 anos, Ismat Miakhel, de 33, e Mansoor Mohammed, de 30. Eles foram sentenciados na sexta-feira, 25 de setembro, no Tribunal da Coroa de Southwark, depois de terem se declarado culpados em abril.

Khadikhel recebeu nove anos e seis meses de prisão; Miakhel, nove anos; e Mohammed, seis anos e seis meses.

Como funcionava a rede de celulares roubados

A investigação, denominada Operação Echosteep, começou em dezembro de 2024, depois que uma remessa com cerca de mil iPhones foi encontrada em um armazém próximo ao Aeroporto de Heathrow.

Os aparelhos estavam sendo enviados para Hong Kong. De acordo com a Polícia Metropolitana, quase todos haviam sido roubados.

A descoberta levou os investigadores a reconstruir uma cadeia que começava nas ruas de Londres, com pessoas responsáveis pelo roubo dos aparelhos, e avançava por intermediários encarregados de receber, armazenar e transportar os celulares até os responsáveis pela exportação.

A operação envolveu investigadores especializados que normalmente trabalham em casos de roubos à mão armada e tráfico de drogas. Os policiais interceptaram outras remessas e utilizaram evidências forenses encontradas nas embalagens para identificar integrantes da rede.

Em setembro de 2025, policiais prenderam Khadikhel e Miakhel no nordeste de Londres. Centenas de celulares foram encontrados no carro utilizado pelos dois, enquanto outros 2 mil aparelhos foram apreendidos em propriedades relacionadas aos investigados.

Mohammed também foi identificado durante a investigação como parte da cadeia responsável pelo recebimento e fornecimento dos aparelhos roubados.

Mais de 10 mil iPhones foram recuperados

O alcance da investigação ficou mais claro ao longo dos meses. Antes das sentenças, a Polícia Metropolitana informou que a equipe da Operação Echosteep havia realizado 14 prisões, recuperado mais de 10 mil iPhones roubados e apreendido mais de £250 mil em dinheiro considerado relacionado às atividades ilícitas.

Mais de mil vítimas também conseguiram recuperar seus celulares.

Segundo os investigadores, alguns ladrões que atuavam diretamente nas ruas recebiam até £300 por aparelho. Depois de sair do Reino Unido, determinados celulares poderiam alcançar valores muito superiores no mercado chinês, chegando a até US$ 5 mil por unidade, de acordo com as informações apresentadas pela polícia.

O caso mostra, segundo a investigação, que o roubo de celulares em Londres não se limita necessariamente ao autor que toma o aparelho da vítima. Existe também uma cadeia posterior de receptação, armazenamento, transporte e exportação que pode transformar milhares de pequenos furtos em uma operação internacional.

Londres registra queda nos roubos de celulares

A condenação ocorre enquanto a Polícia Metropolitana afirma ter registrado uma redução significativa nos roubos de celulares na capital.

Segundo os dados divulgados pela própria corporação em setembro, os crimes de roubo e furto de celulares e outros objetos pessoais caíram 20% em Londres neste ano, o equivalente a mais de 9 mil vítimas a menos.

Em Westminster, uma das áreas mais visitadas por turistas, a redução dos crimes relacionados a roubos de celulares e outros roubos teria chegado a quase 50%.

Dados divulgados pela Met em julho já apontavam uma queda de 23% nos furtos de pessoas em Londres nos 12 meses anteriores, com 23.311 ocorrências a menos. Na mesma divulgação, a corporação afirmou que sua maior operação contra o roubo de celulares havia contribuído para uma redução de 13 mil ocorrências no período anterior.

A polícia vem utilizando diferentes recursos para combater o crime, incluindo drones, bicicletas elétricas de alta potência, reconhecimento facial em tempo real, análise de dados e equipes especializadas.

O problema continua concentrado em áreas movimentadas

O roubo de celulares se tornou uma preocupação particularmente relevante em áreas de grande circulação de Londres, onde criminosos podem aproveitar a concentração de turistas, trabalhadores e pedestres.

Dados da própria Polícia Metropolitana mostram que “furto de pessoa” permanece entre os crimes mais registrados no West End. Em julho de 2026, foram contabilizadas 452 ocorrências dessa categoria na região.

A região também foi alvo de operações específicas nos últimos anos. Em janeiro, o Evening Standard informou que algumas das principais ruas do West End registravam dezenas de roubos de celulares por dia, com Oxford Street aparecendo entre os principais pontos de ocorrência.

Para a polícia, entretanto, combater apenas quem realiza o roubo nas ruas não é suficiente. A estratégia passou a incluir também os intermediários e os responsáveis por retirar os aparelhos do Reino Unido.

Uma cadeia que ultrapassava as fronteiras britânicas

A Operação Echosteep revelou justamente essa dimensão internacional.

Os aparelhos roubados em Londres eram reunidos em grandes quantidades e enviados para fora do país, principalmente para a China. A investigação policial identificou diferentes níveis dentro da estrutura: ladrões responsáveis pela subtração dos telefones, intermediários que os recebiam e armazenavam e pessoas encarregadas de organizar sua transferência e exportação.

Foi essa estrutura que levou a Polícia Metropolitana a classificar o caso como uma investigação contra uma rede internacional, e não apenas contra indivíduos envolvidos em roubos de rua.

Na avaliação apresentada durante o julgamento, o juiz Adam Hiddleston afirmou que os crimes tinham uma escala financeira muito grande e uma estrutura altamente organizada.

Polícia promete manter operações contra os roubos

O comandante Andy Featherstone, responsável na Polícia Metropolitana pelo combate ao roubo de celulares, afirmou que as condenações representam o resultado de uma investigação que acompanhou a atividade da rede durante meses.

A corporação afirma que continuará concentrando recursos tanto nos autores dos roubos quanto nos responsáveis pela receptação e pela exportação dos aparelhos.

O caso também ocorre em meio a uma estratégia mais ampla para tentar reduzir o chamado roubo de celulares em Londres. Em julho, a Met informou que estava utilizando equipes especializadas e tecnologia para identificar suspeitos e atuar nos principais pontos de ocorrência.

As condenações dos três homens encerram uma etapa importante da Operação Echosteep, mas a investigação evidencia uma questão maior: por trás de um celular roubado nas ruas de Londres pode existir uma cadeia internacional capaz de movimentar milhares de aparelhos e conectar crimes cometidos na capital britânica a mercados do outro lado do mundo.

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