Registros da Polícia Metropolitana passaram de 6.897 ocorrências em fevereiro para 9.421 em agosto. A Assembleia de Londres vai cobrar explicações das autoridades sobre as medidas adotadas para conter os crimes contra o comércio.
Os furtos em lojas voltaram a ganhar força em Londres, com os registros da Polícia Metropolitana aumentando aproximadamente 35% em apenas seis meses, segundo dados apresentados à Assembleia de Londres.
As ocorrências passaram de 6.897 em fevereiro de 2026 para 9.421 em agosto, uma diferença de 2.524 registros. Considerando os dois números, o crescimento acumulado no período foi de 36,6%.
O aumento será discutido nesta quarta-feira, 23 de setembro, pelo Comitê de Polícia e Crime da Assembleia de Londres, que ouvirá a vice-prefeita responsável pela área de policiamento e combate ao crime, Kaya Comer-Schwartz.
A reunião também contará com Kenny Bowie, diretor de Estratégia e Supervisão da Polícia Metropolitana no Escritório do Prefeito para Policiamento e Crime. Entre os temas está a resposta das autoridades ao aumento dos furtos e dos crimes contra estabelecimentos comerciais na capital.
Londres concentra uma parcela importante dos crimes contra o comércio
O tamanho da capital faz com que Londres tenha um peso significativo nas estatísticas nacionais de criminalidade contra o varejo.
Segundo o Consórcio Britânico de Varejo, a cidade representa aproximadamente um quinto de todos os incidentes de criminalidade registrados contra o comércio no Reino Unido. A entidade participou, em julho, de uma iniciativa conjunta com a Polícia Metropolitana para melhorar a resposta aos crimes cometidos contra lojas e trabalhadores do setor.
Os números, entretanto, representam apenas os crimes que chegam ao conhecimento das autoridades. A dimensão real do problema é mais difícil de estabelecer porque nem todos os estabelecimentos registram formalmente cada ocorrência.
A própria Assembleia de Londres reconheceu que não é possível determinar quantas investigações deixam de alcançar um resultado positivo exclusivamente por falta de colaboração dos comerciantes. As autoridades apontam, porém, que existem dificuldades na transferência de imagens de câmeras de segurança e outros materiais entre os sistemas utilizados pelas empresas e pela polícia.
Polícia e grandes redes criaram plano conjunto
O aumento dos furtos ocorre poucos meses depois de a Polícia Metropolitana e cerca de 20 grandes organizações do setor varejista estabelecerem um plano conjunto para combater a criminalidade contra o comércio.
O acordo foi discutido em uma reunião realizada em 1º de julho, na sede da polícia em New Scotland Yard, com participação de representantes da Polícia Metropolitana, do escritório do prefeito e de algumas das maiores empresas varejistas do Reino Unido.
Entre as medidas previstas estão a priorização de ocorrências violentas dentro de estabelecimentos e dos casos em que funcionários ou equipes de segurança conseguem deter um suspeito.
A polícia também se comprometeu a melhorar as informações fornecidas aos comerciantes sobre o andamento das denúncias e a concentrar esforços contra infratores reincidentes e grupos envolvidos em criminalidade organizada.
Os comerciantes, por sua vez, assumiram o compromisso de preservar e compartilhar evidências de melhor qualidade, incluindo imagens de câmeras de segurança e equipamentos utilizados por funcionários, além de indicar contatos específicos para facilitar a comunicação com os investigadores.
Tecnologia é usada para acelerar investigações
A Polícia Metropolitana também vem adotando novas ferramentas para reduzir o tempo necessário para receber evidências de estabelecimentos comerciais.
Uma das tecnologias permite que lojas enviem diretamente aos policiais imagens de câmeras de segurança, depoimentos de testemunhas e outros materiais relacionados aos furtos.
Segundo a polícia, o sistema pode reduzir de até 28 dias para apenas alguns minutos o tempo necessário para que determinadas evidências cheguem aos investigadores. Em agosto, a ferramenta já era utilizada por grandes redes como Tesco, Boots, Marks & Spencer e Greggs.
A polícia informou ainda que, nos casos de furtos registrados por meio da nova tecnologia, 29,4% resultaram em algum tipo de desfecho positivo, como advertência, acusação formal ou outra medida prevista no sistema de Justiça.
A ferramenta começou sendo testada em seis distritos de Londres e, em agosto, foi ampliada para outros oito.
Polícia afirma que furtos haviam caído no ano anterior
O aumento observado entre fevereiro e agosto ocorre em um cenário mais complexo do que uma simples trajetória contínua de alta.
Em julho, durante uma operação contra uma rede suspeita de receptação de produtos roubados, a Polícia Metropolitana afirmou que os furtos em lojas em Londres haviam caído 3,7% no ano anterior, o equivalente a aproximadamente 3.500 ocorrências a menos.
Na mesma operação, policiais recuperaram mais de £500 mil em mercadorias suspeitas de terem sido roubadas, incluindo produtos associados a grandes redes comerciais. Um homem de 34 anos foi preso sob suspeita de receptação.
O caso ilustra uma preocupação crescente das autoridades: além de prender pessoas suspeitas de furtar mercadorias diretamente das lojas, a polícia procura identificar as redes responsáveis por receber, armazenar e revender os produtos.
A Polícia Metropolitana afirma que a criminalidade organizada contra o comércio provoca impactos sobre empresas, trabalhadores e comunidades locais e que pretende concentrar esforços nos infratores considerados mais ativos e nas organizações envolvidas nesse tipo de crime.
Assembleia de Londres cobrará respostas nesta quarta-feira
O aumento de 35% nos registros será oficialmente analisado durante a reunião do Comitê de Polícia e Crime nesta quarta-feira, 23 de setembro.
Kaya Comer-Schwartz deverá responder aos questionamentos dos parlamentares sobre as medidas adotadas para enfrentar os furtos e outros crimes contra o comércio, incluindo o trabalho conjunto entre a Polícia Metropolitana e as empresas.
O encontro também abordará questões relacionadas ao Carnaval de Notting Hill e às funções especializadas da polícia.
O debate ocorre justamente quando os dados mais recentes apontam para uma forte alta dos registros de furtos entre fevereiro e agosto. Ao mesmo tempo, a polícia mantém programas voltados à identificação de infratores reincidentes, ao combate às redes organizadas e à aceleração do compartilhamento de provas.
A questão agora será avaliar se essas medidas serão suficientes para conter o aumento registrado nos últimos meses e melhorar a resposta aos comerciantes antes do período de maior movimento do varejo no fim do ano.