Cropped shoot of a woman in a supermarket choosing products and holding shopping cart while grocery shopping

A inflação dos alimentos desacelerou novamente no Reino Unido e chegou ao menor nível desde outubro de 2024, oferecendo algum alívio para os consumidores britânicos que continuam enfrentando um elevado custo de vida.

Segundo dados divulgados nesta terça-feira (18) pela Worldpanel by Numerator, a inflação dos produtos vendidos nos supermercados caiu para 2,1% nas quatro semanas encerradas em 9 de agosto, ante 2,6% no período anterior e 3,0% no relatório divulgado um mês antes.  

A sequência representa uma desaceleração importante da pressão sobre os preços dos alimentos. O resultado também chega em um momento em que os supermercados britânicos intensificam a disputa por consumidores e ampliam as promoções para evitar perder participação de mercado.

Ainda assim, há uma diferença importante: a inflação menor não significa que os alimentos estejam, em geral, mais baratos. Os preços continuam acima dos níveis registrados um ano atrás, mas estão aumentando em um ritmo mais lento.

Consumidores recorrem cada vez mais às promoções

O comportamento dos consumidores ajuda a explicar parte desse cenário.

As vendas de produtos de supermercado cresceram 2,5% em relação ao mesmo período do ano passado nas quatro semanas até 9 de agosto. Ao mesmo tempo, 31,3% das vendas foram realizadas com algum tipo de promoção, mostrando o peso que os descontos ganharam na decisão de compra.  

A forte concorrência entre as grandes redes também contribuiu para limitar novos aumentos de preços. Segundo análises recentes, os supermercados vêm absorvendo parte das pressões de custos e utilizando promoções e estratégias de preços para proteger sua participação no mercado.  

Para quem vai ao supermercado, isso significa que o valor final da compra pode depender cada vez mais de onde e quando os produtos são comprados, além do uso de programas de fidelidade e ofertas temporárias.

O calor mudou o que os britânicos colocaram no carrinho

O verão excepcionalmente quente também teve impacto direto no comportamento dos consumidores.

As vendas de protetor solar dispararam 58,4%, enquanto as de sorvetes e sorbets cresceram 26,1% em comparação com o ano anterior.  

A onda de calor também aumentou a procura por alimentos típicos de piqueniques e refeições leves, como saladas prontas, azeitonas, pastas, salada de repolho e outros produtos refrigerados. As vendas de frutas congeladas, por exemplo, cresceram 48%.  

O clima também alterou os horários de consumo, com muitas famílias adiando o jantar por causa das temperaturas elevadas e aumentando o consumo de bebidas não alcoólicas.

Inflação dos alimentos surpreende ao não disparar

A desaceleração atual é particularmente relevante porque, no início do ano, havia receios de que a inflação dos alimentos pudesse atingir níveis muito mais elevados.

Pressões provocadas por custos de energia, problemas nas cadeias de abastecimento e instabilidade geopolítica alimentaram previsões mais pessimistas. No entanto, a inflação acabou ficando abaixo das projeções mais preocupantes.

A forte concorrência entre supermercados, a resistência dos consumidores a novos aumentos e estratégias mais eficientes de proteção contra oscilações de custos por parte dos fornecedores ajudaram a conter a pressão sobre os preços.  

A queda recente, porém, não elimina todos os riscos.

Alívio no supermercado pode não durar

O Reino Unido atravessa um período de forte pressão sobre a produção agrícola devido às altas temperaturas e à seca. Fabricantes e produtores já alertaram que a redução das colheitas poderá pressionar os preços de determinados alimentos nos próximos meses.  

Isso significa que a atual desaceleração da inflação dos alimentos pode não representar o fim da pressão sobre o consumidor.

Por enquanto, entretanto, os números são favoráveis: 2,1% é a menor inflação dos alimentos registrada pela Worldpanel desde outubro de 2024, e a tendência vem sendo de desaceleração.

Para os consumidores britânicos, a pergunta continua sendo a mesma: essa redução já está aparecendo no valor final das compras?

A resposta pode variar bastante de acordo com o supermercado, os produtos escolhidos e, principalmente, a quantidade de promoções aproveitadas.

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