Três cidadãos brasileiros foram levados à Justiça na Irlanda e acusados de possuir cerca de €3,5 milhões em recursos provenientes de atividades criminosas, além de supostamente fortalecerem uma organização criminosa investigada por atividades relacionadas à prostituição e à lavagem de dinheiro.
Os acusados são Matheus Berberick, de 35 anos; sua irmã, Maria Berberick, de 27; e Sander de Silva Pereira, de 40 anos. Os três residem na região de Tallaght, no sul de Dublin, e foram mantidos sob custódia por determinação do Tribunal Distrital de Dublin.
A investigação é conduzida por unidades da polícia irlandesa especializadas no combate à prostituição organizada e ao tráfico de pessoas, vinculadas ao Escritório Nacional de Serviços de Proteção da Garda.
Quase €3,5 milhões em acusações
Segundo a acusação apresentada à Justiça, Matheus Berberick responde por uma acusação relacionada à posse de aproximadamente €2,3 milhões em recursos provenientes de atividades criminosas.
No caso de Maria Berberick, o valor mencionado é de €470 mil, enquanto Sander de Silva Pereira é acusado de possuir aproximadamente €721 mil provenientes de condutas criminosas.
Os três também são acusados de contribuir para o fortalecimento de uma organização criminosa.
Maria Berberick enfrenta ainda uma acusação adicional por supostamente utilizar um documento de identidade falso.
Durante a audiência, os investigadores Dwayne O’Brien, Jason Guing e Róisín Reynolds informaram ao juiz Ciaran Liddy que os três acusados não responderam às acusações quando foram formalmente informados sobre elas.
As autoridades também informaram que os recursos financeiros dos três permanecem bloqueados enquanto a investigação continua.
Investigação envolve prostituição e lavagem de dinheiro
As acusações são resultado de uma investigação conduzida pelas unidades especializadas da polícia irlandesa responsáveis por casos de prostituição organizada e tráfico de pessoas.
De acordo com a acusação, os supostos crimes teriam ocorrido em um local não especificado na Irlanda entre 1º de março de 2023 e 10 de agosto de 2026.
Os três ainda não apresentaram declaração de culpa ou inocência e permaneceram em silêncio durante a audiência, com auxílio de intérpretes.
Como as acusações estão relacionadas a crimes envolvendo organização criminosa, os advogados de defesa explicaram que um eventual pedido de liberdade sob fiança deverá ser analisado pelo Tribunal Superior da Irlanda. Por esse motivo, os três foram encaminhados à prisão e deverão voltar a comparecer perante a Justiça na próxima sexta-feira.
O advogado Kevin McCrave afirmou que a defesa pretende obter instruções sobre a possibilidade de solicitar liberdade sob fiança nesse intervalo. Não houve, durante a audiência, pedido de assistência jurídica financiada pelo Estado.
A investigação continua em andamento. Até o momento, os três brasileiros são acusados, e não condenados, pelos crimes apresentados pela promotoria.