
Juliana Soares © Reprodução / Redes Sociais
Vivemos em um mundo onde, lamentavelmente, a lei do mais forte continua a imperar. Esse “mais forte” pode se manifestar de diferentes formas: pelo poder aquisitivo, pelo conhecimento, pela beleza ou, de maneira mais cruel, pela força bruta. Muitas vezes, somos atraídos por uma beleza superficial — que, no fundo, está preenchida de ódio e de um vazio imenso.
Foi assim que Juliana Soares, mesmo aos 35 anos, se deixou seduzir pela aparência vistosa de um criminoso, sem imaginar a escuridão que havia por trás daquele rosto. O crime chocou a todos, paralisando quem acompanhou a notícia e gerando uma série de perguntas inquietantes: como se sentem os pais desse homem? Onde ele aprendeu a cultivar tanta violência? O que leva uma mulher a se submeter a situações tão perigosas?
Felizmente, Juliana sobreviveu. Já o agressor, para alívio geral, amarga agora os dias nos recantos mais sombrios da cadeia, onde, ironicamente, a mesma lei do mais forte que ele usou contra os outros será impiedosamente aplicada contra ele. Lá, talvez, experimente o medo, a impotência e a vulnerabilidade que um dia impôs às suas vítimas.
Por vezes, sentimos aquela vontade impulsiva de reagir, de acertar — como um Mike Tyson imaginário — um direto no olho de alguém que nos ofende ou provoca. Talvez, se tivéssemos força e destreza suficientes, até o faríamos. No entanto, há uma diferença gritante entre um impulso momentâneo e o ato frio e calculado de desferir dezenas de socos contra alguém indefeso, explorando sua fragilidade, sem qualquer preocupação com as consequências.
Esse comportamento não é mera raiva passageira: é o culto deliberado ao ódio, um ódio profundo que parece se infiltrar com facilidade na vida de tantos jovens desta geração marcada pela violência. Uma violência que não se limita a um país ou cultura, mas que ecoa em todas as partes do mundo, como se fosse parte de um mesmo e sombrio idioma universal.
A banalização da agressão física, muitas vezes exibida e glorificada nas redes sociais, cria um ciclo vicioso em que a empatia se perde e a brutalidade é vista como demonstração de poder. No fim, o que se revela não é força, mas sim uma fraqueza moral imensa, que deixa marcas mais profundas do que qualquer ferimento visível.
Podemos inserir aulas de poesia nas escolas, já que a disciplina de Educação Moral e Cívica foi extinta. Afinal, como diz a música: “Sabe lá o que é não ter e ter que ter pra dar?” Se os pais cresceram em um ambiente marcado pela violência, como poderão transmitir aos filhos a tão sonhada paz? A paz de ter um filho ao seu lado nos fins de semana; a paz de saber que ele está livre, seguro, junto da família ou dos amigos; a paz que todos nós, no fundo, desejamos.
Vamos preencher nossas casas, nossas escolas e nossas vidas com poesia! O que é cafona não é escrever versos ou declamar sentimentos, mas sim agredir e ser agredido. É viver sem saber conviver, sem respeitar os limites do outro, mergulhando na sintonia do ódio e do rancor. Onde há poesia, não há violência. Onde há poesia, há amor, amizade, companheirismo e compaixão. É isso que precisamos oferecer aos nossos adolescentes: versos no lugar de agressões, rimas no lugar de rancores, inspiração no lugar de revolta.

Vamos dar as mãos e sermos TODOS POR ELAS. Que cada mulher, em qualquer canto do mundo, saiba que não está sozinha. Que sinta nossa presença silenciosa, porém firme, oferecendo apoio, denunciando injustiças, acolhendo com carinho e atenção nos momentos mais difíceis.
Ser Todos por Elas é muito mais do que um projeto; é um compromisso diário de empatia, coragem e solidariedade. É estar disposto a ouvir sem julgar, a amparar sem hesitar e a agir sempre que necessário para proteger e salvar vidas.
Quando nos unimos, formamos uma rede invisível, mas poderosa, capaz de romper o silêncio que protege agressores e de dar voz a quem tanto precisa falar. É um gesto simples, mas transformador: estender a mão, compartilhar força, acreditar na reconstrução possível. Nenhuma mulher deve sentir que seu sofrimento é invisível. Nenhuma mulher deve pensar que não há saída. Todos por Elas significa exatamente isso — sermos o amparo, a ponte, o refúgio e a força.
Talvez, juntos, podemos construir um mundo onde cada mulher se sinta segura para viver sua história, livre para sonhar e amada pelo simples fato de existir.