Aedes aegypti Mosquito. Close up a Mosquito sucking human blood,

As autoridades sanitárias britânicas reforçaram a vigilância no leste de Londres depois de confirmar, pela primeira vez na história recente do Reino Unido, a reprodução do mosquito Aedes aegypti em propriedades residenciais.

A Agência de Segurança Sanitária do Reino Unido confirmou a presença de exemplares adultos e larvas dessa espécie invasora, conhecida por sua capacidade de transmitir vírus como os da dengue, da chikungunya e da zika em regiões onde essas doenças circulam.

A descoberta foi feita por meio do programa de vigilância Mosquito Watch, da própria agência, e levou à adoção imediata de medidas de controle, incluindo a eliminação das larvas e a instalação de armadilhas adicionais para determinar se existem outros exemplares nas proximidades.

O risco para a população continua muito baixo

Embora a descoberta represente um fato incomum para o Reino Unido, as autoridades sanitárias ressaltam que o risco atual para a população é muito baixo.

A Agência de Segurança Sanitária do Reino Unido afirma que não há evidências de que os mosquitos encontrados tenham causado infecções em seres humanos. Também não foram encontrados exemplares ou larvas em espaços públicos próximos às propriedades afetadas.

Para que um mosquito Aedes aegypti consiga transmitir dengue, chikungunya ou zika, primeiro precisa picar uma pessoa que tenha o vírus circulando no sangue e, posteriormente, picar outra pessoa suscetível.

Por isso, a simples presença do inseto não significa que exista transmissão dessas doenças. Especialistas da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres avaliam que, nas condições atuais, o risco de transmissão no Reino Unido permanece baixo, embora considerem importante manter a vigilância diante de possíveis novos episódios.

Como o mosquito chegou a Londres?

A hipótese das autoridades é que se trate de uma introdução acidental. Mosquitos invasores podem ser transportados involuntariamente em veículos, bagagens, plantas ou mercadorias e, sob determinadas condições, sobreviver tempo suficiente para se reproduzir.

O Aedes aegypti é originário de regiões tropicais e subtropicais e está amplamente associado à transmissão de doenças virais em diferentes partes do mundo.

A espécie já havia sido detectada no Reino Unido em três ocasiões anteriores. Em setembro de 2023, por exemplo, ovos de Aedes aegypti foram encontrados em uma instalação de armazenamento de mercadorias próxima ao aeroporto de Heathrow. As investigações posteriores, porém, não encontraram evidências de uma população estabelecida.

O episódio atual é diferente porque as autoridades encontraram tanto mosquitos adultos quanto larvas, demonstrando que o inseto conseguiu completar um ciclo reprodutivo em território britânico.

O calor pode ter favorecido a sobrevivência

A descoberta ocorre depois de um verão marcado por temperaturas excepcionalmente elevadas em diferentes regiões do Reino Unido.

A Agência de Segurança Sanitária do Reino Unido considera que, apesar da reprodução detectada em Londres, o Aedes aegypti não está estabelecido atualmente no país. O clima britânico continua sendo, de maneira geral, frio demais para que essa espécie sobreviva por longos períodos e forme populações permanentes.

No entanto, a própria agência alerta que o aquecimento do clima pode favorecer futuras incursões de mosquitos invasores e aumentar as possibilidades de sobrevivência desses exemplares durante períodos mais prolongados.

Pesquisadores da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres também consideram que o episódio reforça a necessidade de manter e ampliar os sistemas de vigilância, especialmente diante do aumento das temperaturas.

O que os moradores podem fazer?

As autoridades recomendam eliminar qualquer acúmulo de água em jardins, pátios, varandas e outros espaços externos, já que os mosquitos podem utilizar pequenos recipientes com água para se reproduzir.

Entre as principais medidas estão:

  • Esvaziar e limpar regularmente baldes, vasos, recipientes e brinquedos que possam acumular água.
  • Evitar que a água permaneça parada durante vários dias.
  • Manter fechados os recipientes utilizados para armazenar água.
  • Limpar calhas, ralos e outros locais onde possa ocorrer acúmulo de água.
  • Manter piscinas e fontes devidamente tratadas.
  • Utilizar telas contra mosquitos em portas e janelas quando necessário.
  • Comunicar aos programas de vigilância correspondentes caso sejam encontrados mosquitos com características incomuns.

A Agência de Segurança Sanitária do Reino Unido também incentiva a população a colaborar com o programa Mosquito Watch, por meio do qual os cidadãos podem ajudar a identificar possíveis espécies invasoras.

Quando procurar atendimento médico?

A dengue pode provocar febre repentina, dor de cabeça intensa, dores musculares e articulares, dor atrás dos olhos e manchas na pele.

No entanto, o surgimento desses sintomas no Reino Unido não significa automaticamente que exista transmissão local da dengue. Pessoas que tenham viajado recentemente para regiões onde o vírus circula devem informar seus deslocamentos ao profissional de saúde.

Diante de sintomas importantes, especialmente febre alta após uma viagem internacional, é recomendável procurar atendimento médico e evitar a automedicação.

Um novo desafio para a vigilância sanitária britânica

A detecção de Aedes aegypti se reproduzindo em Londres não representa, neste momento, um surto de dengue nem uma emergência epidemiológica. No entanto, constitui um precedente importante para a vigilância de doenças transmitidas por mosquitos no Reino Unido.

A Agência de Segurança Sanitária do Reino Unido já mantém programas nacionais de monitoramento por meio de armadilhas e sistemas de identificação de mosquitos, justamente para detectar rapidamente espécies invasoras e impedir que elas se estabeleçam.

O episódio de Londres demonstra que esses sistemas podem identificar até mesmo pequenas incursões antes que elas se transformem em populações permanentes. Ao mesmo tempo, levanta uma questão que preocupa cada vez mais os especialistas: até que ponto o aumento das temperaturas permitirá que espécies tropicais sobrevivam por períodos mais longos na Europa?

Por enquanto, as autoridades britânicas afirmam que não existem evidências de transmissão de dengue, chikungunya ou zika associada à descoberta.

Mas a reprodução de um mosquito tropical em território britânico pela primeira vez representa um novo sinal de como o aumento das temperaturas pode, pouco a pouco, modificar o mapa de risco de algumas doenças infecciosas.

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