O verão de 2026 pode ainda reservar uma nova onda de calor para o Reino Unido. Uma previsão de longo prazo do Met Office indica que períodos de calor intenso ou até uma sexta onda de calor podem ocorrer no início de setembro, principalmente no sul do país.

A possibilidade aparece no cenário meteorológico para o período entre o fim de agosto e o início de setembro, quando uma área de alta pressão pode se estabelecer sobre o sul do Reino Unido. Nesse cenário, o sul e o sudeste teriam maior probabilidade de registrar tempo seco e temperaturas acima da média, enquanto o norte e o noroeste poderiam permanecer sob condições mais instáveis.

No entanto, o próprio Met Office faz uma ressalva importante: uma nova onda de calor está longe de ser garantida. Na atualização mais recente, publicada nesta semana, o serviço meteorológico britânico afirmou que a confiança nas previsões diminui consideravelmente quanto mais distante é o período analisado. O cenário mais provável neste momento continua sendo de condições mais instáveis durante o restante de agosto, com chuva e temperaturas próximas das médias sazonais.  

Ainda assim, a possibilidade de outro período excepcionalmente quente chama atenção depois de um verão marcado por recordes sucessivos.

Um verão de calor extremo e seca histórica

A quinta onda de calor do verão atingiu seu pico em 13 de agosto, quando os termômetros chegaram a 38,1 °C em Kew Gardens, no sudoeste de Londres, estabelecendo a maior temperatura registrada no Reino Unido em 2026 até aquele momento e a quinta maior temperatura já registrada no país. O episódio também fez de 2026 o ano com o maior número de dias com temperaturas de pelo menos 36 °C e 37 °C desde o início dos registros.  

O calor veio acompanhado de uma seca excepcional.

Julho de 2026 foi o mês de julho mais seco já registrado na Inglaterra, em uma série histórica iniciada em 1836. O país recebeu apenas 6,5 milímetros de chuva durante o mês, equivalente a cerca de 10% da média de longo prazo. O País de Gales também teve seu julho mais seco já registrado, enquanto o sul da Inglaterra registrou seu mês mais seco de toda a série histórica.  

A situação também provocou uma queda significativa nos níveis dos reservatórios. No início de agosto, o armazenamento de água na Inglaterra estava em aproximadamente 69%, cerca de 11,6 pontos percentuais abaixo da média para a época do ano, segundo dados oficiais.  

A combinação de calor persistente e falta de chuva levou diversas regiões a enfrentar condições de seca e restrições ao consumo de água.

Calor também afeta o transporte ferroviário

As temperaturas extremas também levantaram preocupações sobre a infraestrutura ferroviária britânica.

Em 13 de agosto, um trem da Southern descarrilou perto de Lewes, em East Sussex. O acidente deixou 30 pessoas feridas, 20 delas encaminhadas para hospitais. Um segundo descarrilamento ocorreu menos de 24 horas depois, em Wickford, Essex, embora sem registro de feridos.  

Inicialmente, o calor foi apontado como uma possível causa dos problemas, mas as investigações ainda estão em andamento. Um relatório preliminar da Rail Accident Investigation Branch identificou uma irregularidade na geometria dos trilhos imediatamente antes do acidente em Lewes. Os investigadores também estão analisando as condições do terreno e as medidas adotadas para enfrentar as altas temperaturas.  

A linha entre Lewes e Haywards Heath permanecerá fechada durante as operações de recuperação e reparo. A Network Rail recomendou que os passageiros verifiquem as condições dos serviços antes de viajar e, quando possível, utilizem rotas alternativas por Brighton.  

Incêndios e pressão sobre os serviços públicos

A seca também aumentou o risco de incêndios florestais e rurais. Segundo os dados apresentados pelas autoridades britânicas, a Inglaterra e o País de Gales já haviam registrado 1.017 incêndios florestais em 2026, número equivalente ao total contabilizado durante todo o ano anterior.

Em Stourbridge, na região de West Midlands, incêndios destruíram 19 residências, enquanto militares foram mobilizados para auxiliar no combate às chamas no País de Gales.

O impacto do calor chegou também ao sistema de saúde. O Serviço Nacional de Saúde britânico registrou 2,5 milhões de atendimentos em departamentos de emergência em julho, o maior número para o mês. O clima quente e seco contribuiu para casos de desidratação, problemas respiratórios e agravamento de doenças preexistentes.

Setembro pode trazer mais calor — mas ainda é cedo para falar em nova onda de calor

A perspectiva para setembro, portanto, permanece incerta.

O cenário de longo prazo do Met Office indica que as temperaturas podem ficar acima da média em determinados períodos, sobretudo no sul e no sudeste. Porém, o órgão meteorológico ressalta que também há possibilidade de chuva e condições instáveis, especialmente no norte e no noroeste.  

Isso significa que uma sexta onda de calor é possível, mas não está prevista como um evento certo. Depois de um verão excepcionalmente quente e seco, os próximos dias deverão trazer uma mudança importante no padrão atmosférico, com mais chuva e temperaturas mais próximas do normal.

E, para um país que enfrenta uma das secas mais severas de sua história recente, a chuva pode ser tão importante quanto o calor que marcou o verão.

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