Motoristas de Moscou voltaram a enfrentar longas filas em postos de gasolina nesta sexta-feira (14), em meio a novos sinais de escassez de combustíveis na capital russa. O problema ocorre depois de uma série de ataques de drones ucranianos contra refinarias e outras instalações do setor energético da Rússia, que já provocaram interrupções no abastecimento em diferentes regiões do país.
Segundo relatos de motoristas ouvidos pela Reuters, a espera para abastecer pode chegar a uma hora. Em alguns postos, os estabelecimentos permaneceram fechados ou deixaram de oferecer gasolina, enquanto outros passaram a comercializar apenas óleo diesel.
A gasolina AI-95, uma das mais utilizadas pelos veículos russos, está entre os produtos que apresentam maior dificuldade de disponibilidade.
Nova onda de problemas no abastecimento
A atual crise ocorre poucas semanas depois de uma primeira onda de escassez registrada no fim de junho e início de julho. Naquele período, ataques ucranianos atingiram refinarias russas, incluindo instalações próximas a Moscou, reduzindo a capacidade de produção e distribuição de combustíveis.
A situação na capital havia melhorado consideravelmente em meados de julho, mas voltou a se deteriorar nos últimos dias. Além de Moscou, problemas de abastecimento foram registrados em regiões como Tula, Tambov e Kaluga, assim como nos territórios de Primorie e Krasnodar.
A dimensão do problema varia de uma região para outra. Em alguns locais, as autoridades adotaram medidas para priorizar o abastecimento de veículos considerados essenciais. Na região de Orenburg, por exemplo, o fechamento da refinaria de Orsk deixou apenas cerca de 80% dos postos em funcionamento, segundo informações divulgadas nesta semana.
Refinaria de Orsk é fechada após ataque
Um dos principais fatores por trás da nova pressão sobre o mercado de combustíveis é o ataque contra a Orsknefteorgsintez, na região de Orenburg. A refinaria foi atingida por drones ucranianos em 11 de agosto e teve suas operações completamente interrompidas após um incêndio e danos em unidades de processamento.
A instalação tem capacidade para processar aproximadamente 6 milhões de toneladas de petróleo por ano, produzindo gasolina, diesel, combustível de aviação e outros derivados. Segundo autoridades regionais e fontes da indústria citadas pela Reuters, os danos podem exigir meses de reparos, em parte devido às dificuldades para obter equipamentos afetados pelas sanções internacionais.
O ataque a Orsk faz parte de uma campanha ucraniana cada vez mais intensa contra a infraestrutura petrolífera russa. Somente nos últimos dias, outras refinarias e instalações de energia foram atingidas. Na quinta-feira (13), drones também atacaram o complexo da Gazprom Neftekhim Salavat, na região de Bashkortostão, provocando um incêndio.
Impacto começa a chegar ao consumidor
Os ataques estão tendo consequências que vão além das instalações diretamente atingidas. A redução da capacidade de refino já provocou queda significativa nas exportações russas de derivados de petróleo: em julho, os embarques marítimos desses produtos caíram 33,3% em relação ao mês anterior e 54,7% na comparação anual, segundo dados analisados pela Reuters.
O impacto também começa a aparecer nos custos de transporte. Ataques contra refinarias provocaram aumento dos preços dos combustíveis em algumas regiões e elevaram os custos das empresas de logística, pressionando ainda mais a inflação russa.
A estratégia de Kiev tem como objetivo atingir uma das principais fontes de receita da Rússia e aumentar o custo econômico da guerra. Ao atacar instalações de refino situadas a centenas ou até milhares de quilômetros do território ucraniano, o governo de Volodymyr Zelensky busca afetar diretamente a capacidade energética e logística de Moscou.
Por enquanto, o governo russo tenta administrar as interrupções por meio da redistribuição de estoques, importações e medidas emergenciais. Mas as filas que voltaram às ruas de Moscou mostram que os efeitos da campanha contra a infraestrutura energética começam novamente a ser sentidos pelos consumidores russos.