O jurista e ex-secretário de Educação do Estado de São Paulo, José Renato Nalini, fez um alerta contundente sobre o destino do lixo produzido diariamente nas cidades brasileiras, especialmente na capital paulista. Segundo ele, é urgente repensar os hábitos de consumo da população e as formas de descarte de resíduos, sob pena de agravar ainda mais os impactos ambientais e sociais relacionados à má gestão do lixo urbano.

A cidade de São Paulo, por exemplo, gera cerca de 23 mil toneladas de resíduos por dia, mas apenas 3% é reciclado. Esse percentual, segundo Nalini, só é possível graças ao trabalho de catadores e catadoras de materiais recicláveis — profissionais que atuam muitas vezes de forma invisível, sem o devido reconhecimento, apoio público ou condições dignas de trabalho. Para o jurista, há um desequilíbrio crescente entre o volume de lixo produzido e a capacidade das cidades de lidar com ele de maneira sustentável. A maior parte dos resíduos ainda é destinada a aterros sanitários, que se aproximam do esgotamento e se mostram cada vez mais insustentáveis, tanto ambiental quanto economicamente.

Embora o problema seja nacional, a dimensão do cenário paulistano serve como alerta. “A mudança precisa começar com pequenas atitudes cotidianas”, afirmou Nalini. Entre elas, ele destaca a redução do consumo, o combate ao desperdício, a preferência por produtos reutilizáveis e a diminuição do uso de plásticos descartáveis. Outra ação fundamental é a separação correta dos resíduos nas residências, o que pode facilitar o trabalho dos catadores e aumentar a eficiência da reciclagem. “Separar o lixo é um gesto simples, mas de grande impacto”, completou.

Nalini também defendeu o plantio de árvores como ação complementar ao combate ao excesso de resíduos. Segundo ele, arborizar os espaços urbanos melhora a qualidade do ar, ajuda a reduzir o calor nas cidades e contribui para o reequilíbrio ambiental, frequentemente comprometido pelo acúmulo de lixo e pela poluição.

A reflexão proposta por Nalini vai além da crítica ao sistema atual: trata-se de um convite à responsabilidade coletiva. Embora o poder público tenha papel crucial na formulação de políticas de gestão de resíduos e ampliação da coleta seletiva, ele reforça que a mudança depende também da ação individual de cada cidadão.
“Cuidar do meio ambiente não é uma escolha ideológica ou política. É uma necessidade urgente”, afirmou o jurista. Para ele, só uma mudança de mentalidade poderá garantir qualidade de vida para as gerações atuais e futuras.

Nalini também destacou a importância de valorizar os catadores e catadoras, que são os principais responsáveis pelos avanços, ainda tímidos, da reciclagem no país. “O lixo que descartamos pode parecer o fim para nós, mas nas mãos certas, ele ainda pode ter um novo começo”, concluiu.

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