Clirim Ferizi e Oresti Saliaj foram condenados a um total de cinco anos e seis meses de prisão por invadir residências de famílias sul-asiáticas em diferentes regiões de Londres. A investigação utilizou imagens de câmeras de segurança e dados dos cartões Oyster para reconstruir os deslocamentos dos criminosos e relacioná-los aos crimes.

Dois homens que invadiram residências de famílias sul-asiáticas em diferentes regiões de Londres foram condenados a um total de cinco anos e seis meses de prisão. A investigação da Polícia Metropolitana utilizou imagens de câmeras de segurança, provas forenses, registros de celulares e dados de deslocamento dos cartões Oyster para reconstruir os trajetos dos criminosos e relacioná-los a uma série de roubos a residências.

Clirim Ferizi, de 26 anos, recebeu uma pena de dois anos de prisão na terça-feira, 3 de novembro, no Tribunal da Coroa de Isleworth. Seu comparsa, Oresti Saliaj, de 40 anos, já havia sido condenado a três anos e seis meses de prisão em 22 de abril, no mesmo tribunal.

De acordo com a Polícia Metropolitana, os dois escolhiam deliberadamente casas pertencentes a famílias sul-asiáticas porque acreditavam que encontrariam joias, relógios e outros objetos de alto valor. Entre os itens roubados estavam um relógio Rolex avaliado em 7 mil libras, brincos de ouro no valor de 1.500 libras e um anel antigo de ouro e diamantes avaliado em 1.200 libras. O prejuízo total ultrapassou 8 mil libras.

Como os criminosos agiam

Uma das ocorrências investigadas aconteceu em 30 de janeiro, em uma residência na Oakleigh Park North, em Barnet, no norte de Londres. Saliaj e outro homem ainda não identificado invadiram o imóvel e levaram o relógio Rolex, joias e bolsas de valor.

As investigações também identificaram que os criminosos haviam observado o endereço algumas horas antes da invasão, procurando identificar os moradores e acompanhar seus movimentos.

Outro roubo ocorreu em 27 de fevereiro, em uma residência na Shenley Avenue, em Ruislip, no oeste de Londres. Imagens de câmeras de segurança mostraram Ferizi e Saliaj chegando à estação de metrô de Ruislip e seguindo de ônibus até a região do imóvel.

Os dois foram filmados entrando na propriedade e saindo pouco depois com uma bolsa contendo objetos de valor. Em seguida, embarcaram novamente em um ônibus em direção à estação de Ruislip.

As gravações registraram um detalhe que se tornaria importante para a investigação: Ferizi parou na estação para recarregar seu cartão Oyster antes de utilizá-lo para entrar no metrô.

No dia seguinte, os dois invadiram outra residência, desta vez na Marsh Road, em Harrow. As câmeras registraram os homens percorrendo os cômodos e examinando os ambientes antes de deixar o imóvel. Embora nada tenha sido levado dessa casa, a ocorrência ajudou os investigadores a estabelecer uma ligação entre os suspeitos e os diferentes episódios.

Registros do Oyster ajudaram a reconstruir os trajetos

Um dos principais desafios da investigação era identificar os responsáveis. Durante as invasões, os homens cobriam o rosto para dificultar o reconhecimento pelas câmeras.

Diante disso, os investigadores passaram a cruzar diferentes fontes de informação, incluindo imagens de segurança, vestígios de DNA, registros de telefones celulares e dados dos cartões Oyster.

Os registros eletrônicos permitiram identificar horários de entrada e saída das estações utilizadas pelos suspeitos. Ao comparar essas informações com as gravações de câmeras instaladas nas ruas, ônibus e estações, os policiais conseguiram reconstruir parte dos deslocamentos antes e depois das invasões.

A investigação também identificou que Ferizi havia utilizado seu cartão bancário para recarregar o Oyster na estação de Ruislip. Essa transação forneceu uma informação adicional para confirmar sua presença na região no momento do crime.

Os dois homens foram presos em 23 de março. Durante as buscas realizadas após as detenções, os policiais encontraram os cartões Oyster e analisaram os registros de utilização, que ajudaram a reforçar as evidências reunidas pela investigação.

Famílias foram escolhidas deliberadamente

A Polícia Metropolitana destacou que os criminosos não apenas procuravam objetos de valor: eles escolhiam as residências com base na origem das famílias que viviam nelas, partindo da suposição de que encontrariam joias e outros bens caros.

Esse tipo de abordagem provoca consequências que vão além do prejuízo financeiro. A invasão de uma residência representa uma violação da privacidade e da sensação de segurança dos moradores, que podem passar a sentir medo de permanecer sozinhos em casa ou de deixar a propriedade desocupada.

O sargento-detetive Ross Smith, responsável pela investigação, afirmou que os criminosos provocaram sofrimento emocional e medo nas famílias atingidas.

Segundo ele, a combinação de diferentes provas, incluindo os dados dos cartões Oyster, permitiu construir um conjunto consistente de evidências e relacionar os homens aos crimes investigados.

A polícia também informou que os roubos a residências diminuíram 6% em Londres no último ano. A corporação atribui parte desse resultado ao aumento do patrulhamento e às operações direcionadas contra criminosos que atuam nesse tipo de delito.

A investigação reforça a importância de denunciar invasões e atividades suspeitas nas proximidades das residências. Para as famílias, especialmente aquelas que vivem em áreas onde foram registrados episódios semelhantes, a segurança doméstica continua sendo uma preocupação que envolve não apenas a proteção de bens materiais, mas também o direito de viver sem medo dentro da própria casa.

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